<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><rss version="2.0"><channel><title>Artigos - IJSN 50 anos</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/publicacoes/artigos-ijsn-50-anos</link><description>Artigos - IJSN 50 anos</description><item><title>A arborização urbana e o futuro das cidades</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/a-arborizacao-urbana-e-o-futuro-das-cidades</link><description>&lt;p&gt;&amp;Eacute; pertinente afirmarmos que arboriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o -sobretudo nas grandes metr&amp;oacute;poles-, mesmo em pleno 2025, ainda &amp;eacute; tratada no senso comum como elemento meramente est&amp;eacute;tico e paisag&amp;iacute;stico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nas cal&amp;ccedil;adas, pra&amp;ccedil;as e logradouros das cidades em geral, n&amp;atilde;o raramente, &amp;aacute;rvores s&amp;atilde;o vistas com olhar de algo que &amp;ldquo;d&amp;aacute; trabalho&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;problema&amp;rdquo;: folhas, que sujam, ra&amp;iacute;zes que quebram concreto, galhos que exigem poda.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nessa l&amp;oacute;gica, seguimos tratando-as como um enfeite ou acess&amp;oacute;rio da paisagem urbana, n&amp;atilde;o como um escudo clim&amp;aacute;tico com seu devido zelo, ignorando seus benef&amp;iacute;cios multifacetados: desde o equil&amp;iacute;brio ecol&amp;oacute;gico, melhoria da qualidade do ar, manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o da fauna urbana, redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ilhas de calor, ameniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da polui&amp;ccedil;&amp;atilde;o sonora, mitiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o de desastres ambientais e outros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esse erro crasso desconsidera d&amp;eacute;cadas de ac&amp;uacute;mulo de estudos sobre a tem&amp;aacute;tica, e tamb&amp;eacute;m a centralidade do assunto, ao pensarmos na necessidade da arboriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o como fator de bem-estar e qualidade de vida nas cidades do presente e do futuro, numa realidade mundial onde cada vez mais o adensamento populacional das regi&amp;otilde;es metropolitanas avan&amp;ccedil;a sobre as &amp;aacute;reas verdes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre cobertura arb&amp;oacute;rea e mitiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o das mudan&amp;ccedil;as clim&amp;aacute;ticas &amp;eacute; respaldada por m&amp;eacute;tricas precisas, e a ci&amp;ecirc;ncia &amp;eacute; categ&amp;oacute;rica em afirmar que os logradouros mais arborizados possuem menor variabilidade t&amp;eacute;rmica, maior adaptabilidade e resist&amp;ecirc;ncia aos extremos clim&amp;aacute;ticos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Portanto, pensar pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas nesse sentido, faz-se cada vez mais crucial para a administra&amp;ccedil;&amp;atilde;o p&amp;uacute;blica em todas suas esferas para pensar a vida nas grandes e m&amp;eacute;dias cidades.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O documento &amp;ldquo;Caracter&amp;iacute;sticas urban&amp;iacute;sticas do entorno dos domic&amp;iacute;lios&amp;rdquo; do IBGE (2010; 2022), por exemplo, corrobora essa perspectiva. A arboriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o como fator preponderante para pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas tal como outras infraestruturas e interven&amp;ccedil;&amp;otilde;es urbanas, equiparada a cal&amp;ccedil;adas acess&amp;iacute;veis, esgotamento sanit&amp;aacute;rio e ilumina&amp;ccedil;&amp;atilde;o p&amp;uacute;blica adequados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Conforme exposto no documento, quanto mais arborizados s&amp;atilde;o os logradouros das cidades no pa&amp;iacute;s, melhor &amp;eacute; a estrutura urbana geral na localidade, expondo uma perspectiva estudada por outros autores no pa&amp;iacute;s e vinculando-as &amp;agrave; qualidade de vida. I&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;sso atesta tamb&amp;eacute;m a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessas infraestruturas, da arboriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a renda m&amp;eacute;dia em um determinado lugar, onde, quanto mais arborizado, maior a renda m&amp;eacute;dia, e vice-versa, dando-nos um diagn&amp;oacute;stico das desigualdades socioespaciais presentes nas urbes a partir da arboriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa perspectiva atesta e desvela urg&amp;ecirc;ncia, sobretudo pois: cidades mais verdes podem ser cidades mais resilientes, acess&amp;iacute;veis e justas para todos. Priorizar plantios de esp&amp;eacute;cies nativas da Mata Atl&amp;acirc;ntica &amp;ndash; Ip&amp;ecirc;, Manac&amp;aacute;-da-serra, Ing&amp;aacute;-feij&amp;atilde;o, Pau-ferro, Sibipiruna, Jacarand&amp;aacute;, Oiti &amp;ndash; s&amp;atilde;o alguns exemplos t&amp;eacute;cnicos comprovados de plantios adequados e utilizados h&amp;aacute; d&amp;eacute;cadas em projetos de arboriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e reflorestamento no pa&amp;iacute;s.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para al&amp;eacute;m da import&amp;acirc;ncia das Unidades de Conserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o no pa&amp;iacute;s, que j&amp;aacute; nos mostram a relev&amp;acirc;ncia da preserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o e conserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o da fauna e flora, uma arboriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o urbana adequada se faz tamb&amp;eacute;m imperiosa, n&amp;atilde;o apenas pelos seus benef&amp;iacute;cios na melhoria da qualidade de vida nas cidades, mas tamb&amp;eacute;m por proporcionar um conv&amp;iacute;vio com o meio e com a paisagem urbana mais apraz&amp;iacute;vel para seus residentes e transeuntes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Portanto, a promo&amp;ccedil;&amp;atilde;o da qualidade de vida nas cada vez mais adensadas regi&amp;otilde;es metropolitanas do Brasil e do mundo no s&amp;eacute;culo XXI, carecem de aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o mais aprofundada sobre implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de projetos de arboriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o urbana, reflorestamento e restaura&amp;ccedil;&amp;atilde;o da paisagem natural nas cidades (como exemplo, o projeto Floresta de bolso do bot&amp;acirc;nico e paisagista Ricardo Cardim, ou casos como o implantado na cidade de Medell&amp;iacute;n na Col&amp;ocirc;mbia).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tendo isso em vista, fazer valer a Pol&amp;iacute;tica Nacional de Arboriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o Urbana e os preceitos b&amp;aacute;sicos constitucionais sobre o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado para todos, implantar o IPTU Verde, difundir a aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos Planos Diretores/Municipais de Arboriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o Urbana no ES, Estatuto da Cidade e tantas outras normativas legais seguem sendo um caminho fundamental para possibilitar um futuro mais sustent&amp;aacute;vel nas cidades.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div class="td_block_wrap tdb_single_content tdi_106 td-pb-border-top td_block_template_2 td-post-content tagdiv-type" data-td-block-uid="tdi_106"&gt;
&lt;div class="tdb-block-inner td-fix-index"&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Igor Anacleto da Silva&amp;nbsp;&amp;eacute; Ge&amp;oacute;grafo, P&amp;oacute;s-graduado em Gest&amp;atilde;o Ambiental, Mestrando em Geografia pela UFES e pesquisador na Coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Estat&amp;iacute;stica do Instituto Jones dos Santos Neves.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description><pubDate>Tue, 07 Apr 2026 19:20:37 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/a-arborizacao-urbana-e-o-futuro-das-cidades</guid></item><item><title>Avanços e desafios na mensuração da atividade econômica do ES</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/avancos-e-desafios-na-mensuracao-da-atividade-economica-do-es</link><description>&lt;p&gt;O Produto Interno Bruto (PIB) se consolidou como o principal indicador de mensura&amp;ccedil;&amp;atilde;o da atividade econ&amp;ocirc;mica, mas sua utilidade n&amp;atilde;o depende apenas da precis&amp;atilde;o t&amp;eacute;cnica: est&amp;aacute; atrelada tamb&amp;eacute;m &amp;agrave; capacidade de traduzir a realidade regional. &amp;Eacute; justamente nesse ponto que o projeto de c&amp;aacute;lculo do PIB Estadual, dos Munic&amp;iacute;pios e Trimestral, aliado &amp;agrave; Tabela de Recursos e Usos (TRU) e a Matriz de Insumo-Produto (MIP), se revela essencial.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&amp;iacute;stica (IBGE), assumiu, a partir de 1996, a lideran&amp;ccedil;a de um programa conjunto com os &amp;Oacute;rg&amp;atilde;os Estaduais de Estat&amp;iacute;stica, as Secretarias Estaduais de Governo e a Superintend&amp;ecirc;ncia da Zona Franca de Manaus (Suframa) para construir o Sistema de Contas Regionais (SCR). O projeto foi um avan&amp;ccedil;o ao permitir a estima&amp;ccedil;&amp;atilde;o do PIB de cada Unidade da Federa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e, posteriormente, dos munic&amp;iacute;pios, de forma metodologicamente integrada, homog&amp;ecirc;nea e compar&amp;aacute;vel entre si, atendendo &amp;agrave; demanda crescente por informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es regionalizadas. Essa uniformiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o garante que estados e munic&amp;iacute;pios n&amp;atilde;o apenas conhe&amp;ccedil;am sua din&amp;acirc;mica produtiva, mas possam dialogar com as estat&amp;iacute;sticas nacionais e internacionais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O SCR teve sua primeira divulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o em 1999, com a s&amp;eacute;rie de 1985-1997, e vem passando por revis&amp;otilde;es que incorporam recomenda&amp;ccedil;&amp;otilde;es internacionais, novas refer&amp;ecirc;ncias, metodologias e fontes de dados. Hoje, o PIB Estadual &amp;eacute; calculado pelas &amp;oacute;ticas da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e da renda, permitindo uma leitura mais ampla da economia. Essa evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o metodol&amp;oacute;gica demonstra que medir a atividade econ&amp;ocirc;mica &amp;eacute; um processo din&amp;acirc;mico de atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o permanente, que busca refletir as transforma&amp;ccedil;&amp;otilde;es da sociedade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No Esp&amp;iacute;rito Santo, o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) integrou-se ao projeto em 1997, assumindo a tarefa de calcular o PIB estadual em parceria com o IBGE. Desde ent&amp;atilde;o, vem atuando em conformidade com normas internacionais e alinhado &amp;agrave;s pr&amp;aacute;ticas das Contas Nacionais, mas sempre atento &amp;agrave;s especificidades locais. Para reduzir a defasagem de dois anos na divulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos resultados, o IJSN implantou ainda o Indicador Trimestral de PIB, capaz de antecipar tend&amp;ecirc;ncias e apoiar decis&amp;otilde;es de curto prazo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Contudo, o PIB sozinho &amp;eacute; insuficiente para capturar a complexa rede de interliga&amp;ccedil;&amp;otilde;es da economia. &amp;Eacute; a&amp;iacute; que a TRU e a MIP se tornam essenciais. Elas permitem compreender como os setores se conectam, quais atividades geram maiores multiplicadores de emprego e renda, e onde est&amp;atilde;o os gargalos que limitam o desenvolvimento. Ao detalhar fluxos de bens, servi&amp;ccedil;os e renda, a TRU e a MIP oferecem insumos preciosos para pol&amp;iacute;ticas industriais, regionais e de inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;N&amp;atilde;o por acaso, estados como Paran&amp;aacute;, Minas Gerais, Bahia e Cear&amp;aacute; j&amp;aacute; v&amp;ecirc;m investindo nesse tipo de metodologia, reconhecendo sua import&amp;acirc;ncia estrat&amp;eacute;gica. No Esp&amp;iacute;rito Santo, a elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o da TRU e da MIP de 2015 representou um marco. Pela primeira vez, foi poss&amp;iacute;vel identificar de forma estruturada os setores-chave da economia capixaba, com dados detalhados sobre 81 produtos e 35 atividades. Trata-se de um salto de qualidade para a formula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas, capaz de orientar investimentos em &amp;aacute;reas que mais dinamizam a economia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar dos avan&amp;ccedil;os, ainda h&amp;aacute; desafios. A defasagem dos dados continua sendo um obst&amp;aacute;culo para decis&amp;otilde;es r&amp;aacute;pidas. A integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre &amp;oacute;rg&amp;atilde;os de estat&amp;iacute;stica e governos precisa ser fortalecida, garantindo atualiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es mais frequentes e maior transpar&amp;ecirc;ncia no acesso &amp;agrave;s bases de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Al&amp;eacute;m disso, a sociedade deve ser estimulada a se apropriar desses dados, transformando estat&amp;iacute;sticas em conhecimento aplicado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O PIB, por si s&amp;oacute;, n&amp;atilde;o conta toda a hist&amp;oacute;ria de uma regi&amp;atilde;o. Mas, quando combinado a instrumentos como a MIP e indicadores trimestrais, passa a oferecer uma vis&amp;atilde;o mais fiel das engrenagens que movem a economia. O grande desafio &amp;eacute; transformar esse conhecimento em a&amp;ccedil;&amp;atilde;o, planejando pol&amp;iacute;ticas que ampliem oportunidades, reduzam desigualdades e promovam desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel. Esse &amp;eacute; o verdadeiro papel das estat&amp;iacute;sticas: apoiar escolhas coletivas mais conscientes.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Edna Morais Tresinari&amp;nbsp;&amp;eacute; mestre em economia e coordenadora na coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Estudos Econ&amp;ocirc;micos do IJSN&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Tue, 07 Apr 2026 19:16:09 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/avancos-e-desafios-na-mensuracao-da-atividade-economica-do-es</guid></item><item><title>Mudanças climáticas e planejamento municipal: um panorama das capitais brasileiras</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/mudancas-climaticas-e-planejamento-municipal-um-panorama-das-capitais-brasileiras</link><description>&lt;p&gt;As mudan&amp;ccedil;as clim&amp;aacute;ticas, suas causas e consequ&amp;ecirc;ncias, t&amp;ecirc;m ganhado cada vez mais destaque no debate p&amp;uacute;blico e cient&amp;iacute;fico. A recorr&amp;ecirc;ncia cada vez maior de eventos extremos, como resultado das mudan&amp;ccedil;as clim&amp;aacute;ticas, &amp;eacute; uma realidade mundial que exige planejamento e gest&amp;atilde;o local para o enfrentamento e preven&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos desastres socioambientais. Este desafio se alinha &amp;agrave; Agenda 2030 da ONU e seus Objetivos do Desenvolvimento Sustent&amp;aacute;vel (ODS): plano de a&amp;ccedil;&amp;atilde;o global de desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel, apoiado pelo PNUD (Programa das Na&amp;ccedil;&amp;otilde;es Unidas para o Desenvolvimento) para ser implementada em um horizonte de at&amp;eacute; 2030. S&amp;atilde;o 17 ODS, sendo que as mudan&amp;ccedil;as clim&amp;aacute;ticas se alinham mais especificamente ao ODS 13 &amp;ndash; A&amp;ccedil;&amp;atilde;o contra a mudan&amp;ccedil;a global do clima, com destaque para o ODS 13.1: Refor&amp;ccedil;ar a resili&amp;ecirc;ncia e capacidade de adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o a riscos relacionados ao clima e &amp;agrave;s cat&amp;aacute;strofes naturais em todos os pa&amp;iacute;ses.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Recentemente, a Coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Estudos Territoriais (CET) do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) realizou uma pesquisa acerca da exist&amp;ecirc;ncia de Planos de Mudan&amp;ccedil;as Clim&amp;aacute;ticas nas 26 capitais brasileiras e Distrito Federal. A pesquisa foi realizada em 2024, no contexto de uma das maiores cat&amp;aacute;strofes socioambientais da hist&amp;oacute;ria do pa&amp;iacute;s, ocorrida na regi&amp;atilde;o Sul, consequ&amp;ecirc;ncia de um evento clim&amp;aacute;tico extremo; e posteriormente atualizada em 2025, buscando observar se houve avan&amp;ccedil;o ap&amp;oacute;s um ano. Nesse &amp;uacute;ltimo caso, al&amp;eacute;m da exist&amp;ecirc;ncia de Plano de Mudan&amp;ccedil;a Clim&amp;aacute;tica, houve um aprofundamento da pesquisa quanto ao conte&amp;uacute;do dos planos como dimens&amp;otilde;es contempladas, eixos estrat&amp;eacute;gicos, a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, metas, monitoramento, etc.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em 2024, apenas onze capitais brasileiras e o Distrito Federal contavam com Planos Municipais de Mudan&amp;ccedil;as Clim&amp;aacute;ticas. O levantamento mais recente, realizado em 2025, identificou avan&amp;ccedil;os nesse cen&amp;aacute;rio, com a ades&amp;atilde;o de mais duas capitais &amp;mdash; Porto Alegre (RS) e Natal (RN) &amp;mdash; &amp;agrave; elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de seus planos. Ao longo dos anos, verifica-se uma maior ader&amp;ecirc;ncia e autodenomina&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos planos como &amp;ldquo;de mitiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo;, n&amp;atilde;o apenas como &amp;ldquo;de adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; e de sustentabilidade de um modo mais amplo e generalista.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Embora ambas essas dimens&amp;otilde;es j&amp;aacute; estejam definidas e inclu&amp;iacute;das enquanto estrat&amp;eacute;gias integradas na Pol&amp;iacute;tica Nacional sobre Mudan&amp;ccedil;a do Clima (Lei no 12.187/2009), a mitiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o operam em duas frentes distintas, por&amp;eacute;m complementares: enquanto a adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o visa atenuar os impactos, efeitos e vulnerabilidade frente aos efeitos atuais e esperados da mudan&amp;ccedil;a do clima, a mitiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o busca promover mudan&amp;ccedil;as e substitui&amp;ccedil;&amp;otilde;es para reduzir os seus fatores agravantes e atuar sobre suas causas estruturais. A ader&amp;ecirc;ncia crescente da distin&amp;ccedil;&amp;atilde;o e inclus&amp;atilde;o de ambas as nomenclaturas indica uma consolida&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma nova postura pol&amp;iacute;tica e institucional frente &amp;agrave; crise clim&amp;aacute;tica, que sinaliza um avan&amp;ccedil;o na compreens&amp;atilde;o de que o enfrentamento das mudan&amp;ccedil;as clim&amp;aacute;ticas exige estrat&amp;eacute;gias complementares, integradas, cont&amp;iacute;nuas e territorialmente articuladas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os Eixos Estrat&amp;eacute;gicos mais tratados nos planos, segundo o estudo de 2025, s&amp;atilde;o: Transporte e Mobilidade, Uso da terra, Energia e Saneamento &amp;ndash; eixos que tem uma interface significativa com o planejamento urbano. Tal converg&amp;ecirc;ncia refor&amp;ccedil;a a necessidade de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre os Planos de Mudan&amp;ccedil;as Clim&amp;aacute;ticas e os demais instrumentos de ordenamento e gest&amp;atilde;o territorial das cidades, de modo a garantir coer&amp;ecirc;ncia entre pol&amp;iacute;ticas setoriais e objetivos de sustentabilidade clim&amp;aacute;tica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Al&amp;eacute;m da transversalidade e interdisciplinaridade, foram identificadas importantes posturas a partir da an&amp;aacute;lise qualitativa: clareza nas propostas de enfrentamento, no que tange responsabilidades, metas e prazos; defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o de indicadores para embasar avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o e monitoramento eficazes; reavalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o e atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o peri&amp;oacute;dica, a partir de an&amp;aacute;lises com base em dados tamb&amp;eacute;m atualizados. Com isso, possibilita-se um planejamento adaptativo e cont&amp;iacute;nuo.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Cynthia Lopes Pessoa de Miranda&amp;nbsp;&amp;eacute; mestra em Arquitetura e Urbanismo e pesquisadora na Coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Estudos Territoriais do IJSN&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Damiany Farina Nossa&amp;nbsp;&amp;eacute; mestra em Arquitetura e Urbanismo e pesquisadora na Coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Estudos Territoriais do IJSN&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Tue, 07 Apr 2026 19:14:12 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/mudancas-climaticas-e-planejamento-municipal-um-panorama-das-capitais-brasileiras</guid></item><item><title>Planejar o território dos pequenos municípios é indispensável</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/planejar-o-territorio-dos-pequenos-municipios-e-indispensavel</link><description>&lt;p&gt;O planejamento territorial propicia o desenvolvimento dos munic&amp;iacute;pios a partir de pilares como a sustentabilidade, a gest&amp;atilde;o democr&amp;aacute;tica e o crescimento ordenado e equitativo. Nesse contexto, o Plano Diretor Municipal (PDM) &amp;eacute; o instrumento central, definindo as diretrizes e medidas concretas que v&amp;atilde;o orientar o planejamento das cidades. A partir de dispositivos como o macrozoneamento, o zoneamento, os par&amp;acirc;metros urban&amp;iacute;sticos e os instrumentos da pol&amp;iacute;tica urbana, o PDM legisla sobre o territ&amp;oacute;rio municipal, tanto urbano quanto rural.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas apesar dessa import&amp;acirc;ncia, os pequenos munic&amp;iacute;pios em geral n&amp;atilde;o disp&amp;otilde;em deste instrumento de planejamento territorial. Isso porque o Estatuto da Cidade, lei federal de 2001 que regulamenta a pol&amp;iacute;tica urbana brasileira, estabelece crit&amp;eacute;rio populacional de obrigatoriedade na elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de PDM para munic&amp;iacute;pios acima de 20.000 habitantes. No Esp&amp;iacute;rito Santo, dos 42 munic&amp;iacute;pios com menos de 20.000 habitantes, somente 19 disp&amp;otilde;em do instrumento &amp;ndash; e destes, apenas 6 contam com o mesmo atualizado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Trata-se de uma realidade indesej&amp;aacute;vel, uma vez que esses munic&amp;iacute;pios apresentam problemas particulares amplificados pela falta de ordenamento do territ&amp;oacute;rio. S&amp;atilde;o fen&amp;ocirc;menos como a ascens&amp;atilde;o de chacreamentos e outros empreendimentos imobili&amp;aacute;rios no espa&amp;ccedil;o periurbano (&amp;aacute;reas de transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre o urbano e o rural), o impacto do turismo na din&amp;acirc;mica habitacional, com ascens&amp;atilde;o de casas para temporada e segunda resid&amp;ecirc;ncia, e a tend&amp;ecirc;ncia ao baixo crescimento populacional, ou mesmo decr&amp;eacute;scimo. Al&amp;eacute;m disso, tamb&amp;eacute;m possuem quest&amp;otilde;es em comum com munic&amp;iacute;pios de m&amp;eacute;dio e grande porte, como a tend&amp;ecirc;ncia &amp;agrave; expans&amp;atilde;o urbana sem o devido aproveitamento da infraestrutura existente, a presen&amp;ccedil;a de ocupa&amp;ccedil;&amp;otilde;es irregulares em &amp;aacute;reas de risco, os impasses para efetiva preserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o das &amp;aacute;reas naturais, entre outras.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O plano diretor municipal auxilia, como mencionado anteriormente, a ordenar e planejar o crescimento e desenvolvimento dos munic&amp;iacute;pios. Nesse sentido, os munic&amp;iacute;pios de pequeno porte, podem, a partir desse instrumento, estabelecer objetivos e diretrizes que promovam a justi&amp;ccedil;a socioespacial da ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de seu territ&amp;oacute;rio. Isso significa permitir um acesso justo &amp;agrave;s &amp;aacute;reas urbanas e rurais de seu territ&amp;oacute;rio a toda sua popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o, combatendo assim fen&amp;ocirc;menos complexos como a especula&amp;ccedil;&amp;atilde;o imobili&amp;aacute;ria e a ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de &amp;aacute;reas de risco. O instrumento tamb&amp;eacute;m coordena os planos setoriais em &amp;aacute;reas como a mobilidade, meio ambiente, habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o, turismo, entre outras.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por&amp;eacute;m, na maioria dos pequenos munic&amp;iacute;pios do estado, o corpo t&amp;eacute;cnico institucional das prefeituras n&amp;atilde;o &amp;eacute; suficiente para desenvolver e acompanhar todas as frentes de a&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos PDMs. Assim como os t&amp;eacute;cnicos, muitas vezes a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o social atrav&amp;eacute;s de conselhos com representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sociedade civil organizada e dos habitantes tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; enxuta e insuficiente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&amp;Eacute; justamente nesse ponto que o projeto Desenvolvimento Regional Sustent&amp;aacute;vel 2.0, conduzido pelo Instituto Jones dos Santos Neves, tem atuado. O projeto busca fornecer aos munic&amp;iacute;pios do estado um escopo m&amp;iacute;nimo de diretrizes para a elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos PDMs, com vistas a facilitar tais processos, reduzindo os impasses gerados pelas limita&amp;ccedil;&amp;otilde;es institucionais dos pequenos munic&amp;iacute;pios. Esclarece que o Estatuto da Cidade estabelece uma s&amp;eacute;rie de diretrizes e instrumentos da pol&amp;iacute;tica urbana que est&amp;atilde;o em descompasso com a realidade da maioria dos munic&amp;iacute;pios, sendo voltado principalmente para complexidades urbanas identificadas nas cidades de maior porte. Essas cidades est&amp;atilde;o munidas de uma capacidade institucional e t&amp;eacute;cnica compat&amp;iacute;vel aos desafios impostos &amp;agrave; sua realidade, fato n&amp;atilde;o identificado em grande parte dos munic&amp;iacute;pios do Esp&amp;iacute;rito Santo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;A partir das diretrizes m&amp;iacute;nimas e a&amp;ccedil;&amp;otilde;es integradas entre os munic&amp;iacute;pios pertencentes a uma mesma microrregi&amp;atilde;o considera-se que a elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o e atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos PDMs possa ser um ponto de partida crucial para o desenvolvimento do estado de forma sin&amp;eacute;rgica. Isso reverte em descentraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do desenvolvimento estadual, estimulando o crescimento das microrregi&amp;otilde;es al&amp;eacute;m da Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria, de forma mais equitativa e sustent&amp;aacute;vel.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Bruno Casotti Louzada&amp;nbsp;&amp;eacute; doutorando em arquitetura e urbanismo e coordenador de geoespacializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Instituto Jones dos Santos Neves&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Isabella Falk dos Santos&amp;nbsp;&amp;eacute; doutoranda em arquitetura e urbanismo e pesquisadora no projeto Desenvolvimento Regional Sustent&amp;aacute;vel&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Vitor de Toledo Nascimento&amp;nbsp;&amp;eacute; mestre em arquitetura e urbanismo e pesquisador no projeto Desenvolvimento Regional Sustent&amp;aacute;vel&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Tue, 07 Apr 2026 19:11:40 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/planejar-o-territorio-dos-pequenos-municipios-e-indispensavel</guid></item><item><title>Planejar cidades sustentáveis: um desafio coletivo</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/planejar-cidades-sustentaveis-um-desafio-coletivo</link><description>&lt;p&gt;O Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) completa 50 anos de exist&amp;ecirc;ncia no ano de 2025, reafirmando seu papel como refer&amp;ecirc;ncia na produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de conhecimento para subsidiar pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas para o Esp&amp;iacute;rito Santo. Mais do que dados e pesquisas, o Instituto tem sido tamb&amp;eacute;m uma escola pr&amp;aacute;tica para os munic&amp;iacute;pios, oferecendo cursos e oficinas direcionadas para t&amp;eacute;cnicos e gestores p&amp;uacute;blicos. &amp;Eacute; nesse di&amp;aacute;logo entre ci&amp;ecirc;ncia e pr&amp;aacute;tica que surgem caminhos para enfrentar os desafios urbanos e ambientais marcantes no presente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os dilemas s&amp;atilde;o conhecidos, mas continuam atuais: expans&amp;atilde;o urbana desordenada, ocupa&amp;ccedil;&amp;otilde;es irregulares, press&amp;atilde;o sobre &amp;aacute;reas de preserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o permanente, falta de saneamento, de moradia digna e mobilidade prec&amp;aacute;ria. S&amp;atilde;o situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es que acontecem de norte a sul do Estado, revelando os desafios que as cidades precisam enfrentar, desafios estes que s&amp;atilde;o intensificados pela pouca ou nenhuma participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sociedade no planejamento das nossas cidades.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Plano Diretor Municipal (PDM) exerce uma fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o estrat&amp;eacute;gica nesse enfrentamento, no entanto, sua efic&amp;aacute;cia &amp;eacute; comprometida por uma s&amp;eacute;rie de obst&amp;aacute;culos enraizados na complexa hist&amp;oacute;ria urbana brasileira, que v&amp;atilde;o desde planos desatualizados, elaborados ou revisados sem a efetiva participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o social at&amp;eacute; a falta de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre secretarias e uma fiscaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o fragilizada. A consequ&amp;ecirc;ncia &amp;eacute; vis&amp;iacute;vel e formal: loteamentos clandestinos, &amp;ldquo;chacreamentos&amp;rdquo; nas &amp;aacute;reas rurais, cidades que se expandem sem a infraestrutura adequada. Planejar &amp;eacute; necessidade b&amp;aacute;sica para garantir qualidade de vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os cursos e oficinas realizados recentemente apontam boas possibilidades. Ao reunir t&amp;eacute;cnicos estaduais e municipais em torno de mapas, diagn&amp;oacute;sticos e propostas, o processo revelou o valor da troca de saberes e da constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma rede de contatos que pode abrir caminho para a&amp;ccedil;&amp;otilde;es mais integradas. Mais do que capacita&amp;ccedil;&amp;atilde;o t&amp;eacute;cnica, o que se produziu e se produz &amp;eacute; um exerc&amp;iacute;cio coletivo de leitura e reinven&amp;ccedil;&amp;atilde;o do territ&amp;oacute;rio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas &amp;eacute; preciso ir al&amp;eacute;m de diagn&amp;oacute;stico. &amp;Eacute; necess&amp;aacute;rio tamb&amp;eacute;m coragem pol&amp;iacute;tica para enfrentar&lt;br /&gt;dilemas que n&amp;atilde;o se resolvem sozinhos. A ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o irregular de &amp;aacute;reas sens&amp;iacute;veis e a degrada&amp;ccedil;&amp;atilde;o das margens de rios urbanos n&amp;atilde;o podem ser naturalizadas. Se a lei hoje concede maior autonomia aos munic&amp;iacute;pios, &amp;eacute; importante as cidades se fortalecerem para usarem essa responsabilidade com seriedade e n&amp;atilde;o como pretexto para flexibilizar a prote&amp;ccedil;&amp;atilde;o ambiental.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao mesmo tempo, &amp;eacute; fundamental reconhecer as potencialidades. O Esp&amp;iacute;rito Santo &amp;eacute; rico em paisagens naturais, do mar &amp;agrave;s montanhas, patrim&amp;ocirc;nio cultural, tecido pelas ancestralidades ind&amp;iacute;genas, negras, dos imigrantes, que se expressam em sabores, ritmos formas e arquiteturas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Somado &amp;agrave;s voca&amp;ccedil;&amp;otilde;es econ&amp;ocirc;micas ligadas ao turismo sustent&amp;aacute;vel e &amp;agrave; agricultura familiar, pode, quando transformado em pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas constru&amp;iacute;das coletivamente, impulsionar o&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;desenvolvimento local e prosperidade para a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O recado &amp;eacute; claro: n&amp;atilde;o h&amp;aacute; mais tempo nem espa&amp;ccedil;o para improviso. Em tempos de mudan&amp;ccedil;as clim&amp;aacute;ticas e press&amp;otilde;es urbanas crescentes, revisar e aplicar os PDMs precisa deixar de ser promessa e se tornar prioridade real das gest&amp;otilde;es municipais. Cidades fortes nascem de planos vivos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Mariana Paim Rodrigues&amp;nbsp;&amp;eacute; doutoranda em Arquitetura e Urbanismo, coordenadora dos&amp;nbsp;Estudos Territoriais do IJSN e vice-coordenadora e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria do&amp;nbsp;Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Clemir Regina Pela Meneghel&amp;nbsp;&amp;eacute; mestre em Arquitetura e Urbanismo e pesquisadora na&amp;nbsp;Coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Estudos Territoriais e no N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Tue, 07 Apr 2026 19:08:26 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/planejar-cidades-sustentaveis-um-desafio-coletivo</guid></item><item><title>Observatórios na transformação das políticas públicas para as mulheres</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios-na-transformacao-das-politicas-publicas-para-as-mulheres</link><description>&lt;p&gt;A desigualdade de g&amp;ecirc;nero &amp;eacute; um problema estrutural presente na sociedade que afeta diretamente a vida das mulheres. Esse fen&amp;ocirc;meno diz respeito a n&amp;atilde;o equival&amp;ecirc;ncia pol&amp;iacute;tica, econ&amp;ocirc;mica e social entre homens e mulheres, de modo que essas n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m os mesmos direitos e oportunidades que os homens possuem em v&amp;aacute;rios &amp;acirc;mbitos da sociedade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa desigualdade pode se manifestar no trabalho por oportunidades diferentes ofertadas&amp;nbsp; para homens e mulheres e por meio da disparidade salarial ainda que ocupem o mesmo&amp;nbsp; cargo. Outro &amp;acirc;mbito no qual a desigualdade se manifesta &amp;eacute; na pouca representatividade das mulheres na pol&amp;iacute;tica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;No Brasil, nas elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es de 2022, do total de candidatas aos diversos cargos, apenas 3,4% foram eleitas, enquanto no estado do Esp&amp;iacute;rito Santo esse percentual foi ainda menor,&amp;nbsp; apenas 2,3%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os dados mostram que essa desigualdade tamb&amp;eacute;m aparece na an&amp;aacute;lise do uso do tempo em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos afazeres&amp;nbsp; dom&amp;eacute;sticos, podendo levar &amp;agrave; jornada de trabalho dupla ou at&amp;eacute; mesmo tripla para as&amp;nbsp; mulheres, que em m&amp;eacute;dia dedicam 9,6 horas a mais por semana que os homens em&amp;nbsp; afazeres dom&amp;eacute;sticos ou cuidado de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e&amp;nbsp; Estat&amp;iacute;stica (IBGE), Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&amp;iacute;lios Cont&amp;iacute;nua (PNADC) 2022.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Al&amp;eacute;m dessas quest&amp;otilde;es, a viol&amp;ecirc;ncia contra a mulher, que vai desde o ass&amp;eacute;dio moral ao homic&amp;iacute;dio, &amp;eacute; um fen&amp;ocirc;meno recorrente na sociedade. O feminic&amp;iacute;dio, que diz respeito ao homic&amp;iacute;dio cometido contra uma mulher pelo fato dela ser mulher &amp;eacute;, tamb&amp;eacute;m, uma realidade em &amp;acirc;mbito nacional e estadual.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo o Anu&amp;aacute;rio Brasileiro de Seguran&amp;ccedil;a p&amp;uacute;blica de 2025, no Brasil a taxa de feminic&amp;iacute;dio em 2024 foi de 1,4 por 100 mil habitantes,(1.492 em n&amp;uacute;meros absolutos). No Esp&amp;iacute;rito Santo foram registrados 39 feminic&amp;iacute;dios, o que representa uma taxa de 1,9 por 100 mil&amp;nbsp; habitantes. O Anu&amp;aacute;rio tamb&amp;eacute;m destaca que,dos casos de feminic&amp;iacute;dio, mulheres negras&amp;nbsp; representam 63,6%.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O debate sobre as quest&amp;otilde;es de g&amp;ecirc;nero tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o pode negligenciar as especificidades das mulheres. Portanto, para al&amp;eacute;m de um recorte entre mulheres negras, faz-se necess&amp;aacute;rio contemplar as mulheres ind&amp;iacute;genas, quilombolas, de baixa renda, da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o LGBTQI+, dentre outras diversidades que retratam as particularidades das mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Buscar a igualdade de g&amp;ecirc;nero e, tamb&amp;eacute;m, o enfrentamento de todas as formas de viol&amp;ecirc;ncias sofridas pelas mulheres s&amp;atilde;o quest&amp;otilde;es que perpassam pela garantia dos direitos humanos b&amp;aacute;sicos. Al&amp;eacute;m disso, a igualdade de g&amp;ecirc;nero contribui para o desenvolvimento econ&amp;ocirc;mico de uma determinada regi&amp;atilde;o, conforme aponta Esther Duflo1 (2011, p. 2): &amp;ldquo;[&amp;hellip;] em um sentido, o desenvolvimento joga um papel importante na diminui&amp;ccedil;&amp;atilde;o da desigualdade entre homens e mulheres, em outra dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o empoderamento das mulheres pode beneficiar o desenvolvimento&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;1 DUFLO, Esther. Women&amp;rsquo;s empowerment and economic development. National Bureau of Economic Research Working Paper, Cambridge, n. 17702, Dec. 2011. Dispon&amp;iacute;vel em: https://www.nber.org/papers/w17702.pdf.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Diante disso, cabe sinalizar a import&amp;acirc;ncia da implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um Observat&amp;oacute;rio de pesquisa que objetive reunir, sistematizar e analisar informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es acerca da tem&amp;aacute;tica, sobretudo, no ES, visando subsidiar pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas para as mulheres, assim como fomentando discuss&amp;otilde;es e debates sobre a tem&amp;aacute;tica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Observat&amp;oacute;rio de Pol&amp;iacute;ticas P&amp;uacute;blicas para Mulheres no Esp&amp;iacute;rito Santo (Observat&amp;oacute;rio MulherES) &amp;eacute; o reconhecimento de que informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, por si s&amp;oacute;, n&amp;atilde;o transforma realidades. &amp;Eacute; preciso intencionalidade pol&amp;iacute;tica, compromisso institucional e escuta ativa das demandas sociais para que os dados se traduzam em a&amp;ccedil;&amp;otilde;es concretas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesse sentido, o Observat&amp;oacute;rio MulherES cumpre tamb&amp;eacute;m um papel mais ativo participando&amp;nbsp; da C&amp;acirc;mara T&amp;eacute;cnica do Pacto Estadual pelo Enfrentamento &amp;agrave; Viol&amp;ecirc;ncia contra as Mulheres, do Comit&amp;ecirc; Intersetorial do Plano Estadual de Pol&amp;iacute;ticas para Mulheres do estado do Esp&amp;iacute;rito Santo e agora mais recente da Rede Nacional de Observat&amp;oacute;rios das Mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda assim, o Observat&amp;oacute;rio possui obst&amp;aacute;culos estruturais importantes a serem considerados: desde a escassez de dados desagregados por munic&amp;iacute;pios, por g&amp;ecirc;nero, ra&amp;ccedil;a/cor e outros at&amp;eacute; a falta de institucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos mecanismos de g&amp;ecirc;nero nos munic&amp;iacute;pios (&amp;oacute;rg&amp;atilde;os administrativos e pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas voltadas para a promo&amp;ccedil;&amp;atilde;o da igualdade e o enfrentamento da discrimina&amp;ccedil;&amp;atilde;o e viol&amp;ecirc;ncia contra as mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sendo as Secretarias de Pol&amp;iacute;ticas para as Mulheres o principal exemplo). Entretanto, esses desafios n&amp;atilde;o diminuem a grandeza do Observat&amp;oacute;rio, pelo contr&amp;aacute;rio, eles refor&amp;ccedil;am a necessidade de sua implanta&amp;ccedil;&amp;atilde;o para monitoramento a subsidio das pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas para mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foi nesse cen&amp;aacute;rio que surgiu um marco fundamental: a Rede Nacional de Observat&amp;oacute;rios das Mulheres. A Rede nasce como uma articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o colaborativa de institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es em todo o pa&amp;iacute;s, com a miss&amp;atilde;o de fortalecer os observat&amp;oacute;rios j&amp;aacute; existentes, estimular a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de novos e ampliar a capacidade coletiva de produzir conhecimento, monitorar pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas e desenvolver a&amp;ccedil;&amp;otilde;es voltadas &amp;agrave; promo&amp;ccedil;&amp;atilde;o da equidade de g&amp;ecirc;nero.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o em rede permite superar lacunas, padronizar vari&amp;aacute;veis, ampliar a&amp;nbsp; comparabilidade de indicadores e garantir maior visibilidade &amp;agrave;s demandas das mulheres brasileiras em sua diversidade. Portanto, iniciativas como o Observat&amp;oacute;rio MulherES, agora tamb&amp;eacute;m inserido em uma articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o nacional, devem ser n&amp;atilde;o apenas celebradas, mas replicadas e fortalecidas em todo o pa&amp;iacute;s.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em conjunto com o processo democr&amp;aacute;tico das Confer&amp;ecirc;ncias Municipais,Estaduais e da 5&amp;ordf;&amp;nbsp; Confer&amp;ecirc;ncia Nacional de Pol&amp;iacute;ticas para as Mulheres, os observat&amp;oacute;rios oferecem a base t&amp;eacute;cnica e anal&amp;iacute;tica necess&amp;aacute;ria para que as vozes ouvidas nesses espa&amp;ccedil;os de participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o se traduzam em pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas mais consistentes, baseadas em evid&amp;ecirc;ncias. Ao ampliar o acesso a informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es qualificadas e promover o di&amp;aacute;logo entre diferentes setores, os observat&amp;oacute;rios reafirmam seu papel estrat&amp;eacute;gico na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um futuro mais justo e igualit&amp;aacute;rio para todas as mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Let&amp;iacute;cia Maria Gon&amp;ccedil;alves Furtado Borestein &amp;eacute; coordenadora do Observat&amp;oacute;rio Mulher ES e coordenadora de Estudos Estat&amp;iacute;sticos do IJSN&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
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&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;</description><pubDate>Tue, 07 Apr 2026 19:04:45 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios-na-transformacao-das-politicas-publicas-para-as-mulheres</guid></item><item><title>ODS 18: a urgência da igualdade étnico-racial para um Brasil sustentável</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/publicacoes/artigos-de-opiniao/ods-18-a-urgencia-da-igualdade-etnico-racial-para-um-brasil-sustentavel</link><description>&lt;p&gt;Mesmo em um cen&amp;aacute;rio global que busca o desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel, o Brasil ainda confronta com um desafio hist&amp;oacute;rico e estrutural que compromete tal desenvolvimento: o racismo. Este fen&amp;ocirc;meno, profundamente enraizado em nossa sociedade, impede o pleno avan&amp;ccedil;o de diversas esferas sociais e econ&amp;ocirc;micas, afetando a vis&amp;atilde;o de um futuro equ&amp;acirc;nime para todos. &amp;Eacute; nesse contexto que os Objetivos de Desenvolvimento Sustent&amp;aacute;vel (ODS), fruto de acordos firmados em confer&amp;ecirc;ncias da ONU que culminaram na Agenda 2030 de 2015, ganharam um crucial aditivo para o Brasil: o ODS 18.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com um apelo global para acabar com a pobreza, proteger o planeta e garantir paz e prosperidade, os 17 ODS originais foram estabelecidos em 2015 com intensa participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o brasileira. Reafirmando seu protagonismo, o Brasil, em setembro de 2023, instituiu a Comiss&amp;atilde;o Nacional dos ODS (CNODS) para internalizar a Agenda 2030.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No mesmo ano, em um passo significativo, a CNODS criou c&amp;acirc;mara tem&amp;aacute;tica para o&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;18&amp;ordm; Objetivo de Desenvolvimento Sustent&amp;aacute;vel sobre Igualdade &amp;Eacute;tnico-Racial&lt;/strong&gt;. Este ODS foi voluntariamente adotado pelo Brasil para enfrentar o racismo estrutural, reconhecendo que, embora o ODS 10 aborde a redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de desigualdades de forma ampla, as disparidades &amp;eacute;tnico-raciais &amp;ndash; aprofundadas pelo racismo e discrimina&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ndash; possuem uma especificidade e profundidade que exigem tratamento focalizado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tal realidade, que impacta o acesso a recursos, a representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a sensibilidade cultural, perpetua um estoque de desigualdades com impactos duradouros em minorias &amp;eacute;tnico-raciais, que no caso do ODS 18, focaliza nos povos ind&amp;iacute;genas e popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o negra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa urg&amp;ecirc;ncia &amp;eacute; corroborada por dados como o do&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&amp;Iacute;ndice Folha de Equil&amp;iacute;brio Racial (IFER)&lt;/strong&gt;, desenvolvido pelo N&amp;uacute;cleo de Estudos Raciais do Insper, e, mostra que, apesar de avan&amp;ccedil;os na dimens&amp;atilde;o da Educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ndash; onde o &amp;iacute;ndice aponta quase para uma converg&amp;ecirc;ncia de igualdade &amp;ndash;, as disparidades de renda e longevidade s&amp;atilde;o alarmantes. A desigualdade racial se reflete, por exemplo, na maior incid&amp;ecirc;ncia de pobreza: em 2022,&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;40,0% das pessoas negras no Brasil eram pobres, contra 21,0% das pesso&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;as brancas&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A extrema pobreza tamb&amp;eacute;m atinge desproporcionalmente, com&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;7,8% dos extremamente pobres sendo negros, em compara&amp;ccedil;&amp;atilde;o com 3,6% de brancos&lt;/strong&gt;, de acordo com dados do Boletim da Consci&amp;ecirc;ncia Negra feito pelo Instituto Jones dos Santos Neves (2024).No quesito educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, negros possuem a maior taxa de analfabetismo⁷, e a viol&amp;ecirc;ncia letal tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; racialmente marcada: os negros representam os maiores percentuais entre as v&amp;iacute;timas de homic&amp;iacute;dio doloso⁸. Essa realidade multifacetada de desvantagens demonstra que o racismo estrutural afeta a vida em suas dimens&amp;otilde;es mais fundamentais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O IFER projeta que, no ritmo observado nos &amp;uacute;ltimos 20 anos, ser&amp;atilde;o necess&amp;aacute;rios&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;mais de 100 anos para atingirmos o equil&amp;iacute;brio racial&lt;/strong&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;no Brasil, um alerta contundente que sublinha a insufici&amp;ecirc;ncia das abordagens gerais e a necessidade de metas e pol&amp;iacute;ticas direcionadas. Sem um combate efetivo ao racismo, o Brasil compromete todos os demais objetivos de desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&amp;Eacute; preciso, tamb&amp;eacute;m, enfatizar a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos povos ind&amp;iacute;genas no Brasil. O reconhecimento da presen&amp;ccedil;a e contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos povos ind&amp;iacute;genas na forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o do territ&amp;oacute;rio, cultura e identidade brasileira &amp;eacute; um passo essencial, pois, como destaca o&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;IJSN Especial | 19 de abril: Dia dos Povos Ind&amp;iacute;genas&lt;/em&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;(Abril/2025), a&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;invisibilida&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;de hist&amp;oacute;rica dessas comunidades ainda &amp;eacute; um obst&amp;aacute;culo para a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma sociedade justa e igualit&amp;aacute;ria&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo a OIT, 85% das pessoas ind&amp;iacute;genas na Am&amp;eacute;rica Latina trabalham informalmente, um &amp;iacute;ndice significativamente superior ao da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o empregada em geral&amp;sup3;. Al&amp;eacute;m da vulnerabilidade no mercado de trabalho, o menor acesso &amp;agrave; terra, menor representatividade pol&amp;iacute;tica, e maior exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; viol&amp;ecirc;ncia e explora&amp;ccedil;&amp;atilde;o⁴ fragilizam o povo ind&amp;iacute;gena.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A recente crise humanit&amp;aacute;ria vivida pelo povo Yanomami, que registrou, no ano de 2022, alarmantes 11.530 casos de mal&amp;aacute;ria e 2.478 de infec&amp;ccedil;&amp;atilde;o respirat&amp;oacute;ria grave, &amp;eacute; um exemplo contundente das consequ&amp;ecirc;ncias da neglig&amp;ecirc;ncia na garantia de direitos b&amp;aacute;sicos como a sa&amp;uacute;de e o territ&amp;oacute;rio. O ODS 18, ao focar especificamente tamb&amp;eacute;m nos povos origin&amp;aacute;rios, reconhece que a inclus&amp;atilde;o e a garantia de direitos dos povos ind&amp;iacute;genas s&amp;atilde;o intr&amp;iacute;nsecas &amp;agrave; realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma sociedade verdadeiramente justa e sustent&amp;aacute;vel.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outro fator crucial na cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o do ODS 18 &amp;eacute; a lacuna de dados e a necessidade de monitoramento espec&amp;iacute;fico. Apesar dos avan&amp;ccedil;os, o Brasil possui uma lacuna de dados, o que afeta todo o ciclo de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas, uma vez que os indicadores s&amp;atilde;o fundamentais no monitoramento e avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas direcionadas a essas popula&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesse sentido, o ODS 18 &amp;eacute; fundamental para fortalecer os sistemas de monitoramento e responsabiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, permitindo que o progresso na redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das desigualdades seja efetivamente medido e avaliado. Nesse sentido, o Brasil, por meio do Minist&amp;eacute;rio da Igualdade Racial, j&amp;aacute; avan&amp;ccedil;ou na proposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de indicadores e metas espec&amp;iacute;ficas apresentando um conjunto de direcionadores para a inclus&amp;atilde;o da igualdade racial na Agenda 2030 em n&amp;iacute;veis nacional e internacional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O ODS 18, sem d&amp;uacute;vida, trata-se de uma conquista na qual o pa&amp;iacute;s se compromete voluntariamente a alcan&amp;ccedil;ar tal objetivo, servindo, ainda, como um modelo em a&amp;ccedil;&amp;otilde;es desta tem&amp;aacute;tica. Este n&amp;atilde;o &amp;eacute; apenas um gesto simb&amp;oacute;lico, mas um compromisso que demonstra a consci&amp;ecirc;ncia nacional sobre a necessidade de desmantelar o racismo para alcan&amp;ccedil;ar qualquer outro objetivo de desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel, seja no n&amp;iacute;vel local ou internacional. Em suma, o ODS 18 vai muito al&amp;eacute;m de um mero acr&amp;eacute;scimo de Objetivo de Desenvolvimento Sustent&amp;aacute;vel.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ele simboliza um chamado urgente e intr&amp;iacute;nseco &amp;agrave; justi&amp;ccedil;a social, fundamental para a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um Brasil onde a paz, a prosperidade e a sustentabilidade sejam uma realidade para todos, independentemente de sua etnia ou ra&amp;ccedil;a.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Alcan&amp;ccedil;ar essa igualdade &amp;eacute;, portanto, um pr&amp;eacute;-requisito inegoci&amp;aacute;vel para a concretiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de qualquer desenvolvimento verdadeiramente sustent&amp;aacute;vel em nosso pa&amp;iacute;s e no mundo. O ODS 18 &amp;eacute; a pe&amp;ccedil;a que faltava para impulsionar um futuro mais justo e inclusivo, pavimentando o caminho para uma sociedade que realmente desfrute em sua plenitude a Agenda 2030.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Thiago Guadalupe&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&amp;eacute; doutor em Pol&amp;iacute;tica Social, coordenador de Estudos Sociais do IJSN e especialista em Pol&amp;iacute;ticas P&amp;uacute;blicas e Gest&amp;atilde;o Governamental&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Amanda Pena&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&amp;eacute; mestre em Economia e consultora do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Wed, 13 Aug 2025 17:13:32 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/publicacoes/artigos-de-opiniao/ods-18-a-urgencia-da-igualdade-etnico-racial-para-um-brasil-sustentavel</guid></item><item><title>Investimentos Anunciados: 25 anos sinalizando os rumos da economia capixaba</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/publicacoes/artigos-de-opiniao/investimentos-anunciados-25-anos-sinalizando-os-rumos-da-economia-capixaba</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 2025, o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) completa 50 anos de contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o estrat&amp;eacute;gica ao Esp&amp;iacute;rito Santo. Criado em 1975, o Instituto nasceu com uma miss&amp;atilde;o desafiadora e vision&amp;aacute;ria, a saber, produzir conhecimento aplicado para orientar pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas que melhorem a vida da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o capixaba. Meio s&amp;eacute;culo depois, essa miss&amp;atilde;o segue mais viva e essencial do que nunca.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O IJSN foi pioneiro em transformar dados em conhecimento e intelig&amp;ecirc;ncia para orientar decis&amp;otilde;es estrat&amp;eacute;gicas. Em um Estado que enfrentava profundas desigualdades regionais, o Instituto ajudou a revelar o Esp&amp;iacute;rito Santo que a aus&amp;ecirc;ncia dos n&amp;uacute;meros escondia. Com o IJSN o ES passou a conhecer melhor as din&amp;acirc;micas populacionais, os contrastes sociais, as voca&amp;ccedil;&amp;otilde;es econ&amp;ocirc;micas, os territ&amp;oacute;rios invisibilizados, potencialidades e desafios do territ&amp;oacute;rio capixaba. Ao longo do tempo, consolidou-se como refer&amp;ecirc;ncia em planejamento, avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas, estudos socioecon&amp;ocirc;micos, seguran&amp;ccedil;a cidad&amp;atilde; e desenvolvimento territorial.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mas o IJSN n&amp;atilde;o se limitou a interpretar o presente. Ele projetou o futuro, com contribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es na elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos tr&amp;ecirc;s ciclos de planos de desenvolvimento de Estado de longo prazo: ES2025, ES2030 e ES500. Foi com base em seus estudos que surgiram pol&amp;iacute;ticas estruturantes nas &amp;aacute;reas de seguran&amp;ccedil;a p&amp;uacute;blica, educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sa&amp;uacute;de, inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mobilidade urbana, log&amp;iacute;stica, meio ambiente e desenvolvimento regional. O sistema mapeamento dos Investimentos Anunciados, N&amp;uacute;cleo Regional da rede nacional do Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles, Sistema de Monitoramento e Avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Pol&amp;iacute;ticas P&amp;uacute;blicas, Observat&amp;oacute;rio da Seguran&amp;ccedil;a Cidad&amp;atilde;, uso de drones para o mapeamento de &amp;aacute;reas de risco geol&amp;oacute;gico, uso de Intelig&amp;ecirc;ncia Artificial para reduzir o abandono escolar e o Geobases s&amp;atilde;o exemplos do seu legado transformador.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mais do que produzir an&amp;aacute;lises, o Instituto ampliou sua atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o para a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de gestores p&amp;uacute;blicos e t&amp;eacute;cnicos. Nos &amp;uacute;ltimos anos, mais de mil profissionais estrat&amp;eacute;gicos foram capacitados em an&amp;aacute;lise criminal, avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas, pol&amp;iacute;ticas urbanas, estat&amp;iacute;sticas sociais e geotecnologias, fortalecendo a capacidade institucional do Estado capixaba.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A celebra&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos 50 anos do IJSN &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m um momento de olhar adiante. Vivemos uma era de transforma&amp;ccedil;&amp;otilde;es aceleradas: mudan&amp;ccedil;as clim&amp;aacute;ticas, transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o demogr&amp;aacute;fica, revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o digital e novas din&amp;acirc;micas urbanas e metropolitanas. Nesse cen&amp;aacute;rio, a ci&amp;ecirc;ncia aplicada se torna ainda mais estrat&amp;eacute;gica para antecipar tend&amp;ecirc;ncias, reduzir desigualdades e promover inclus&amp;atilde;o produtiva.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Com um time t&amp;eacute;cnico altamente qualificado, articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o interinstitucional e compromisso p&amp;uacute;blico, o Instituto segue preparado para ser farol do desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel do Esp&amp;iacute;rito Santo, que se consolidou como um estado luz no Brasil. O futuro ser&amp;aacute; de quem planeja com base em evid&amp;ecirc;ncias e o IJSN continuar&amp;aacute; sendo a b&amp;uacute;ssola que orienta esse caminho. Um patrim&amp;ocirc;nio intelectual e cient&amp;iacute;fico dos capixabas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mais que um anivers&amp;aacute;rio, os 50 anos do IJSN representam um compromisso renovado com as pr&amp;oacute;ximas 5 d&amp;eacute;cadas. Porque planejar o futuro &amp;eacute;, acima de tudo, um ato de responsabilidade com as pr&amp;oacute;ximas gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Viva ao nosso simp&amp;aacute;tico e inteligente cinquent&amp;atilde;o, o querido Instituto Jones!&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;Antonio Ricardo Freislebem da Rocha &amp;eacute; doutor em Economia pela UFES, diretor setorial de Integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Projetos Especiais e servidor da carreira de especialista em Pol&amp;iacute;ticas P&amp;uacute;blicas e Gest&amp;atilde;o Governamental (EPPGG)&lt;/p&gt;</description><pubDate>Wed, 13 Aug 2025 17:13:32 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/publicacoes/artigos-de-opiniao/investimentos-anunciados-25-anos-sinalizando-os-rumos-da-economia-capixaba</guid></item><item><title>Moradia: um direito que precisa ser mensurado</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/publicacoes/artigos-de-opiniao/moradia-um-direito-que-precisa-ser-mensurado</link><description>&lt;p&gt;O Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), autarquia de pesquisa do estado do Esp&amp;iacute;rito Santo, este ano est&amp;aacute; comemorando 50 anos dedicados ao planejamento e &amp;agrave; produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conhecimento, com a finalidade de subsidiar e monitorar pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas. Neste contexto, vale ressaltar a habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o de interesse social como um dos temas de relev&amp;acirc;ncia dentre as linhas de pesquisa da institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o, posto que, a moradia &amp;eacute; um direito social reconhecido pela Constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o Federal de 1988, e um dos pilares do n&amp;uacute;cleo familiar, da constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o da cidadania e do desenvolvimento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar dos avan&amp;ccedil;os da legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o urban&amp;iacute;stica, a problem&amp;aacute;tica habitacional &amp;eacute; estruturante no Brasil, e nos estados, e considerada um dos grandes desafios a serem enfrentados pelas esferas de governan&amp;ccedil;a. O fen&amp;ocirc;meno da urbaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o nas &amp;uacute;ltimas d&amp;eacute;cadas promoveu processos de faveliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e periferiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o nas cidades, decorrente do alto valor da terra infraestruturada. Esta condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de precariedade das moradias em territ&amp;oacute;rios ocupados &amp;agrave; margem da legalidade, foi agravada com problemas de mobilidade, saneamento, infraestrutura e outros servi&amp;ccedil;os p&amp;uacute;blicos urbanos deficientes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O direito &amp;agrave; moradia contempla v&amp;aacute;rias outras dimens&amp;otilde;es que prescindem da fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o social da cidade, inclusive o sentido de pertencimento e de identidades territorializadas. Portanto, para atendimento das necessidades habitacionais, a possibilidade de revers&amp;atilde;o do quadro est&amp;aacute; diretamente ligada &amp;agrave; provis&amp;atilde;o de novas moradias (d&amp;eacute;ficit habitacional), mas tamb&amp;eacute;m atrelada &amp;agrave;s solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es para inadequa&amp;ccedil;&amp;atilde;o construtiva das moradias, que refletem diretamente na qualidade de vida dos moradores. Ambos indicadores s&amp;atilde;o complementares, e devem estar sempre articulados &amp;agrave;s pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nessa perspectiva, mensurar o d&amp;eacute;ficit habitacional &amp;eacute; de fundamental import&amp;acirc;ncia para a compreens&amp;atilde;o da situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o habitacional e da desigualdade social, tanto para as esferas governamentais quanto para a sociedade civil. O IJSN, desde 2014, vem estimando o d&amp;eacute;ficit habitacional com metodologia inovadora de c&amp;aacute;lculo, com base no Cadastro &amp;Uacute;nico para Programas Sociais do Governo Federal (Cad&amp;Uacute;nico), de modo a direcionar a&amp;ccedil;&amp;otilde;es para fam&amp;iacute;lias com renda familiar at&amp;eacute; tr&amp;ecirc;s sal&amp;aacute;rios m&amp;iacute;nimos, e ainda, fornecer subs&amp;iacute;dios para que os munic&amp;iacute;pios elaborem os Planos Locais de Habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Interesse Social.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Portanto, faz-se necess&amp;aacute;rio an&amp;aacute;lises nas diversas escalas territoriais, estado, macro e microrregi&amp;atilde;o, e na escala do munic&amp;iacute;pio, de modo que possa ser atualizado ano a ano, o que permite uma aproxima&amp;ccedil;&amp;atilde;o da realidade habitacional local, e defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o de prioridades. Os dados do Cad&amp;Uacute;nico possibilitam estimar o d&amp;eacute;ficit habitacional pelo n&amp;uacute;mero de fam&amp;iacute;lias e de pessoas, seja por situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de domic&amp;iacute;lio, rural e urbano, e por diversas categorias sociais: sexo, faixa et&amp;aacute;ria, ra&amp;ccedil;a, escolaridade, ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e defici&amp;ecirc;ncia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta nova metodologia trouxe uma aproxima&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a realidade social dos territ&amp;oacute;rios municipais, assim como agilidade e frequ&amp;ecirc;ncia na atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do d&amp;eacute;ficit habitacional do Esp&amp;iacute;rito Santo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os resultados da s&amp;eacute;rie de Cadernos publicados pelo IJSN, mostram que, quanto maior o grau de urbaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e concentra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o, maior &amp;eacute; a complexidade dos problemas relativos &amp;agrave; habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o e, portanto, o d&amp;eacute;ficit habitacional &amp;eacute; sempre maior na Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria e nos munic&amp;iacute;pios mais populosos. A componente do d&amp;eacute;ficit verificada com mais frequ&amp;ecirc;ncia no estado do Esp&amp;iacute;rito Santo, e em seus munic&amp;iacute;pios, &amp;eacute; o &amp;ldquo;&amp;ocirc;nus excessivo com aluguel&amp;rdquo;, condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o que compromete mais de 30% da renda familiar, e no geral, representa 90% do d&amp;eacute;ficit, seguido da habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o prec&amp;aacute;ria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Outros resultados mostram que, a maioria da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de d&amp;eacute;ficit habitacional concentra-se na faixa et&amp;aacute;ria de 0 a 14 anos, da ra&amp;ccedil;a preta e parda, e mulheres. Portanto, s&amp;atilde;o os estratos sociais mais vulner&amp;aacute;veis em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de d&amp;eacute;ficit habitacional, e quando associado a outras situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es adversas, como a baixa escolaridade e desemprego, agrava-se o problema social.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;Vale destacar o esfor&amp;ccedil;o do IJSN em contribuir para qualificar o panorama da habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o no estado, com estudos e indicadores, que podem ser acessados em suas diversas publica&amp;ccedil;&amp;otilde;es peri&amp;oacute;dicas atrav&amp;eacute;s do site&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="https://www.ijsn.es.gov.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"&gt;www.ijsn.es.gov.br&lt;/a&gt;&lt;span&gt;. A constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o metodol&amp;oacute;gica do d&amp;eacute;ficit habitacional estar&amp;aacute; sempre sujeita &amp;agrave;s din&amp;acirc;micas temporais, mudan&amp;ccedil;as tecnol&amp;oacute;gicas, demogr&amp;aacute;ficas, econ&amp;ocirc;micas, programas de Governo, dentre outros fatores externos, como por exemplo, a pandemia do COVID 19, e eventos clim&amp;aacute;ticos, que ampliam significativamente a vulnerabilidade social e a problem&amp;aacute;tica habitacional. Portanto, &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio a constante amplia&amp;ccedil;&amp;atilde;o e checagem da cobertura do Cad&amp;Uacute;nico, assim como a exig&amp;ecirc;ncia legal de atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o cadastral, para fins de atendimento e pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas mais exitosas, com prioridade para este p&amp;uacute;blico alvo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;Isabella Batalha Muniz Barbosa&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&amp;eacute; doutora em Arquitetura e Urbanismo e pesquisadora na Coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Estudos territoriais do IJSN&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Wed, 13 Aug 2025 17:13:32 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/publicacoes/artigos-de-opiniao/moradia-um-direito-que-precisa-ser-mensurado</guid></item><item><title>A cultura do monitoramento e avaliação de políticas públicas no Espírito Santo</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/publicacoes/artigos-de-opiniao/a-cultura-do-monitoramento-e-avaliacao-de-politicas-publicas-no-espirito-santo</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas tem sido debatida e reconhecida como um instrumento essencial para o fortalecimento da gest&amp;atilde;o p&amp;uacute;blica, contribuindo para tornar as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es do Estado mais eficientes, eficazes e, sobretudo, mais transparentes.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o pode ser compreendida como a atribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de valor a uma interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o, podendo ser realizada antes, durante ou ap&amp;oacute;s a implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma pol&amp;iacute;tica p&amp;uacute;blica. O monitoramento, por sua vez, consiste no acompanhamento cont&amp;iacute;nuo dessas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, com foco em assegurar que os resultados sejam alcan&amp;ccedil;ados conforme previsto em seu desenho. Ambas as pr&amp;aacute;ticas s&amp;atilde;o essenciais para verificar se as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es p&amp;uacute;blicas est&amp;atilde;o sendo executadas de acordo com as reais necessidades da sociedade.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O monitoramento e a avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o (M&amp;amp;A) contribuem para atender a m&amp;uacute;ltiplas especificidades de diversos tipos de interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o, uma vez que cada metodologia &amp;eacute; composta por variados instrumentos de pesquisa, m&amp;eacute;todos e t&amp;eacute;cnicas. Desse modo, ao integrar esses instrumentos de forma organizada e objetiva, os sistemas de M&amp;amp;A tornam-se fundamentais para a retroalimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do ciclo de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas, gerando evid&amp;ecirc;ncias cient&amp;iacute;ficas que embasam o aprimoramento dessas interven&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No Brasil esse tema tem ganhado destaque, principalmente ap&amp;oacute;s a promulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Emenda Constitucional n&amp;ordm; 109, de mar&amp;ccedil;o de 2021, que prev&amp;ecirc; avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas em todas as esferas de governo, assegurando planejamento e organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. No &amp;acirc;mbito estadual, o Sistema de Monitoramento e Avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Pol&amp;iacute;ticas P&amp;uacute;blicas do Esp&amp;iacute;rito Santo (SiMAPP) foi pioneiro no pa&amp;iacute;s, ao ser institu&amp;iacute;do pela Lei Estadual n&amp;ordm; 10.744/2017. Esse marco representou um avan&amp;ccedil;o significativo na institucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do M&amp;amp;A de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas, ao integr&amp;aacute;-lo aos ciclos de planejamento e or&amp;ccedil;amento do Estado, bem antes da previs&amp;atilde;o constitucional. Ainda no contexto estadual, mesmo ap&amp;oacute;s quase oito anos de sua implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, apenas outros dois estados brasileiros &amp;mdash; Cear&amp;aacute; e Minas Gerais &amp;mdash; contam com sistemas de M&amp;amp;A efetivos, o que evidencia a complexidade dessa iniciativa.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A estrutura de organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e governan&amp;ccedil;a do SiMAPP contempla uma arquitetura robusta, que promove a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de diversos agentes do Governo do Estado em todas as etapas de atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o do sistema &amp;mdash; desde a defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o das &amp;aacute;reas tem&amp;aacute;ticas a serem monitoradas ou avaliadas, at&amp;eacute; a atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pesquisadores e a disponibiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos resultados para a sociedade, fortalecendo, assim, a transpar&amp;ecirc;ncia e a publicidade das a&amp;ccedil;&amp;otilde;es governamentais.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Coordenado pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), desde 2017, o SiMAPP alcan&amp;ccedil;ou o monitoramento ou avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 18 pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas das &amp;aacute;reas de educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sa&amp;uacute;de, assist&amp;ecirc;ncia social, cultura, meio ambiente, seguran&amp;ccedil;a p&amp;uacute;blica e infraestrutura, distribu&amp;iacute;das em oito ciclos avaliativos. Os resultados das pesquisas n&amp;atilde;o apenas contribuem para o aprimoramento das pol&amp;iacute;ticas avaliadas, mas tamb&amp;eacute;m fornecem dados e an&amp;aacute;lises relevantes para tomadas de decis&amp;atilde;o, beneficiando gestores p&amp;uacute;blicos, acad&amp;ecirc;micos e a sociedade em geral.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Al&amp;eacute;m disso, entre as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es realizadas no &amp;acirc;mbito da sistem&amp;aacute;tica, destacam-se a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de materiais bibliogr&amp;aacute;ficos, a promo&amp;ccedil;&amp;atilde;o e participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em eventos, e capacita&amp;ccedil;&amp;atilde;o de servidores, no intuito de fomentar a cultura do M&amp;amp;A nos diversos setores da administra&amp;ccedil;&amp;atilde;o p&amp;uacute;blica estadual. Dessa forma, a experi&amp;ecirc;ncia com o SiMAPP reflete o uso respons&amp;aacute;vel de recursos, por meio do investimento em produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e dissemina&amp;ccedil;&amp;atilde;o de conhecimento.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Tais esfor&amp;ccedil;os refor&amp;ccedil;am o compromisso do IJSN com a gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de evid&amp;ecirc;ncias cient&amp;iacute;ficas voltadas &amp;agrave; melhoria da qualidade de vida da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o capixaba, ao subsidiar o aprimoramento de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas e consolidar o Esp&amp;iacute;rito Santo como refer&amp;ecirc;ncia nacional na institucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de processos de M&amp;amp;A.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Amanda Lovatti Coelho Koffer, doutoranda em arquitetura e urbanismo e pesquisadora no Sistema de Monitoramento e Avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Pol&amp;iacute;ticas P&amp;uacute;blicas SiMAPP&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Katia Cesconeto de Paula &amp;eacute; diretora administrativa do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e coordenadora do Sistema de Monitoramento e Avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Pol&amp;iacute;ticas P&amp;uacute;blicas SiMAPP&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Michele Sampaio da Silva &amp;eacute; especialista em Gest&amp;atilde;o de Projetos e e pesquisadora no Sistema de Monitoramento e Avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Pol&amp;iacute;ticas P&amp;uacute;blicas SiMAPP&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Wed, 13 Aug 2025 17:13:32 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/publicacoes/artigos-de-opiniao/a-cultura-do-monitoramento-e-avaliacao-de-politicas-publicas-no-espirito-santo</guid></item><item><title>50 anos de IJSN: ciência e inovação na construção do futuro do Espírito Santo</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/publicacoes/artigos-de-opiniao/50-anos-de-ijsn-ciencia-e-inovacao-na-construcao-do-futuro-do-espirito-santo</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em 2025, o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) completa 50 anos de contribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o estrat&amp;eacute;gica ao Esp&amp;iacute;rito Santo. Criado em 1975, o Instituto nasceu com uma miss&amp;atilde;o desafiadora e vision&amp;aacute;ria, a saber, produzir conhecimento aplicado para orientar pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas que melhorem a vida da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o capixaba. Meio s&amp;eacute;culo depois, essa miss&amp;atilde;o segue mais viva e essencial do que nunca.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O IJSN foi pioneiro em transformar dados em conhecimento e intelig&amp;ecirc;ncia para orientar decis&amp;otilde;es estrat&amp;eacute;gicas. Em um Estado que enfrentava profundas desigualdades regionais, o Instituto ajudou a revelar o Esp&amp;iacute;rito Santo que a aus&amp;ecirc;ncia dos n&amp;uacute;meros escondia. Com o IJSN o ES passou a conhecer melhor as din&amp;acirc;micas populacionais, os contrastes sociais, as voca&amp;ccedil;&amp;otilde;es econ&amp;ocirc;micas, os territ&amp;oacute;rios invisibilizados, potencialidades e desafios do territ&amp;oacute;rio capixaba. Ao longo do tempo, consolidou-se como refer&amp;ecirc;ncia em planejamento, avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas, estudos socioecon&amp;ocirc;micos, seguran&amp;ccedil;a cidad&amp;atilde; e desenvolvimento territorial.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mas o IJSN n&amp;atilde;o se limitou a interpretar o presente. Ele projetou o futuro, com contribui&amp;ccedil;&amp;otilde;es na elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos tr&amp;ecirc;s ciclos de planos de desenvolvimento de Estado de longo prazo: ES2025, ES2030 e ES500. Foi com base em seus estudos que surgiram pol&amp;iacute;ticas estruturantes nas &amp;aacute;reas de seguran&amp;ccedil;a p&amp;uacute;blica, educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sa&amp;uacute;de, inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mobilidade urbana, log&amp;iacute;stica, meio ambiente e desenvolvimento regional. O sistema mapeamento dos Investimentos Anunciados, N&amp;uacute;cleo Regional da rede nacional do Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles, Sistema de Monitoramento e Avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Pol&amp;iacute;ticas P&amp;uacute;blicas, Observat&amp;oacute;rio da Seguran&amp;ccedil;a Cidad&amp;atilde;, uso de drones para o mapeamento de &amp;aacute;reas de risco geol&amp;oacute;gico, uso de Intelig&amp;ecirc;ncia Artificial para reduzir o abandono escolar e o Geobases s&amp;atilde;o exemplos do seu legado transformador.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mais do que produzir an&amp;aacute;lises, o Instituto ampliou sua atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o para a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de gestores p&amp;uacute;blicos e t&amp;eacute;cnicos. Nos &amp;uacute;ltimos anos, mais de mil profissionais estrat&amp;eacute;gicos foram capacitados em an&amp;aacute;lise criminal, avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas, pol&amp;iacute;ticas urbanas, estat&amp;iacute;sticas sociais e geotecnologias, fortalecendo a capacidade institucional do Estado capixaba.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A celebra&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos 50 anos do IJSN &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m um momento de olhar adiante. Vivemos uma era de transforma&amp;ccedil;&amp;otilde;es aceleradas: mudan&amp;ccedil;as clim&amp;aacute;ticas, transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o demogr&amp;aacute;fica, revolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o digital e novas din&amp;acirc;micas urbanas e metropolitanas. Nesse cen&amp;aacute;rio, a ci&amp;ecirc;ncia aplicada se torna ainda mais estrat&amp;eacute;gica para antecipar tend&amp;ecirc;ncias, reduzir desigualdades e promover inclus&amp;atilde;o produtiva.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Com um time t&amp;eacute;cnico altamente qualificado, articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o interinstitucional e compromisso p&amp;uacute;blico, o Instituto segue preparado para ser farol do desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel do Esp&amp;iacute;rito Santo, que se consolidou como um estado luz no Brasil. O futuro ser&amp;aacute; de quem planeja com base em evid&amp;ecirc;ncias e o IJSN continuar&amp;aacute; sendo a b&amp;uacute;ssola que orienta esse caminho. Um patrim&amp;ocirc;nio intelectual e cient&amp;iacute;fico dos capixabas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mais que um anivers&amp;aacute;rio, os 50 anos do IJSN representam um compromisso renovado com as pr&amp;oacute;ximas 5 d&amp;eacute;cadas. Porque planejar o futuro &amp;eacute;, acima de tudo, um ato de responsabilidade com as pr&amp;oacute;ximas gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Viva ao nosso simp&amp;aacute;tico e inteligente cinquent&amp;atilde;o, o querido Instituto Jones!&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Pablo Lira &amp;eacute; Doutor em Geografia, Diretor-Presidente do IJSN, servidor da carreira de EPPGG e Professor da UVV&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Wed, 13 Aug 2025 17:13:32 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/publicacoes/artigos-de-opiniao/50-anos-de-ijsn-ciencia-e-inovacao-na-construcao-do-futuro-do-espirito-santo</guid></item><item><title>Desenvolvimento Regional Sustentável: a importância da ciência no planejamento do ES</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/publicacoes/artigos-de-opiniao/desenvolvimento-regional-sustentavel-a-importancia-da-ciencia-no-planejamento-do-es</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A busca por um Esp&amp;iacute;rito Santo mais equilibrado, com oportunidades espalhadas por todas as regi&amp;otilde;es, tem sido uma das prioridades do Governo do Estado. Esse desafio, que perpassa d&amp;eacute;cadas de concentra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de investimentos na Regi&amp;atilde;o Metropolitana, encontrou um novo caminho com a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o do projeto Desenvolvimento Regional Sustent&amp;aacute;vel (DRS-ES), uma iniciativa que representa uma inflex&amp;atilde;o importante na forma de planejar o futuro do estado.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Coordenado pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), em parceria com institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es como a Funda&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Amparo &amp;agrave; Pesquisa e Inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Esp&amp;iacute;rito Santo (Fapes), a Universidade Federal do Esp&amp;iacute;rito Santo (Ufes) e o Instituto Federal do Esp&amp;iacute;rito Santo (Ifes), o DRS nasceu com a miss&amp;atilde;o de olhar para cada microrregi&amp;atilde;o capixaba com aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s suas singularidades, voca&amp;ccedil;&amp;otilde;es e desafios. Trata-se de uma mudan&amp;ccedil;a de paradigma: sair de um modelo centralizador para um modelo que respeita as din&amp;acirc;micas locais, estimula a coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre munic&amp;iacute;pios e promove justi&amp;ccedil;a territorial.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Entre 2019 e 2021, o DRS percorreu o Esp&amp;iacute;rito Santo construindo diagn&amp;oacute;sticos profundos, ouvindo lideran&amp;ccedil;as e sistematizando informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es sobre territ&amp;oacute;rio, meio ambiente, economia, sociedade e gest&amp;atilde;o p&amp;uacute;blica. A partir da&amp;iacute;, nasceram os planos de a&amp;ccedil;&amp;atilde;o microrregionais, com metas, projetos e respons&amp;aacute;veis definidos. Foi tamb&amp;eacute;m nesse momento que surgiu o &amp;Iacute;ndice de Desenvolvimento Regional Sustent&amp;aacute;vel (IDRS), uma ferramenta inovadora que permite medir desigualdades e orientar decis&amp;otilde;es p&amp;uacute;blicas com foco na qualidade de vida da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Para garantir que o planejamento fosse, de fato, regionalizado e integrador, foi fundamental criar espa&amp;ccedil;os permanentes de escuta e pactua&amp;ccedil;&amp;atilde;o com a sociedade. Assim, foram institu&amp;iacute;dos nove Conselhos de Desenvolvimento Regional Sustent&amp;aacute;vel (CDRS), colegiados consultivos e de participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o social vinculados &amp;agrave; Secretaria de Estado de Economia e Planejamento. Eles re&amp;uacute;nem representantes dos poderes p&amp;uacute;blicos municipais e estaduais, do setor empresarial, de entidades de trabalhadores, da sociedade civil organizada e da academia. A Regi&amp;atilde;o Metropolitana, por sua vez, j&amp;aacute; conta com o Conselho Metropolitano de Desenvolvimento da Grande Vit&amp;oacute;ria (COMDEVIT). Essas inst&amp;acirc;ncias fortalecem a legitimidade das decis&amp;otilde;es e estimulam o engajamento da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o nos rumos de seu pr&amp;oacute;prio territ&amp;oacute;rio.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O trabalho avan&amp;ccedil;ou. Em 2023 teve in&amp;iacute;cio a Fase 2 do projeto &amp;mdash; o DRS 2.0 &amp;mdash; com o objetivo de aprofundar os estudos iniciados e de fornecer novos instrumentos para a gest&amp;atilde;o territorial. Agora, o foco se distribui por tr&amp;ecirc;s grandes eixos: &lt;em&gt;ordenamento territorial, qualifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e desenvolvimento econ&amp;ocirc;mico, e sustentabilidade ambiental&lt;/em&gt;. O projeto prev&amp;ecirc; desde diretrizes para os planos diretores dos munic&amp;iacute;pios at&amp;eacute; an&amp;aacute;lises sofisticadas com matrizes de insumo-produto por microrregi&amp;atilde;o, al&amp;eacute;m da atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos dados sobre as unidades de conserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&amp;Eacute; importante destacar que o DRS n&amp;atilde;o &amp;eacute; apenas um plano de governo, mas uma pol&amp;iacute;tica de Estado baseada em evid&amp;ecirc;ncias, constru&amp;iacute;da com o apoio da ci&amp;ecirc;ncia. O papel do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), como &amp;oacute;rg&amp;atilde;o de planejamento e intelig&amp;ecirc;ncia do Estado, tem sido crucial para garantir a continuidade do projeto e a sua capacidade de gerar dados, an&amp;aacute;lises e produtos t&amp;eacute;cnicos que possam orientar investimentos p&amp;uacute;blicos e privados, mesmo em contextos de transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o administrativa.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ao colocar a ci&amp;ecirc;ncia e a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o social como base do planejamento, o Esp&amp;iacute;rito Santo refor&amp;ccedil;a sua posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o como refer&amp;ecirc;ncia nacional em pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas territorializadas e inclusivas. O DRS 2.0 &amp;eacute; mais do que uma atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o t&amp;eacute;cnica: &amp;eacute; a reafirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um compromisso com um desenvolvimento que seja, ao mesmo tempo, economicamente vi&amp;aacute;vel, socialmente justo e ambientalmente respons&amp;aacute;vel.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mais do que um projeto, o DRS &amp;eacute; um convite para repensar o territ&amp;oacute;rio capixaba. &amp;Eacute; um chamado &amp;agrave; coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o regional e &amp;agrave; valoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da diversidade. E, principalmente, &amp;eacute; um lembrete de que o desenvolvimento s&amp;oacute; &amp;eacute; sustent&amp;aacute;vel quando todos os territ&amp;oacute;rios t&amp;ecirc;m voz, vez e oportunidades reais de prosperar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Pablo Medeiros Jabor &amp;eacute; doutor em Geografia, Diretor Setorial de Estudos e Pesquisas do IJSN, servidor da carreira de EPPGG e Professor da Academia de Pol&amp;iacute;cia Militar do Estado do Esp&amp;iacute;rito Santo.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Wed, 13 Aug 2025 17:13:32 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/publicacoes/artigos-de-opiniao/desenvolvimento-regional-sustentavel-a-importancia-da-ciencia-no-planejamento-do-es</guid></item></channel></rss>