<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><rss version="2.0"><channel><title>Artigos Observatório das Metrópoles</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios-observatorio-das-metropoles-artigos</link><description>Artigos Observatório das Metrópoles</description><item><title>Artigo - Democratizar o conhecimento científico também é direito à cidade</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-democratizar-o-conhecimento-cientifico-tambem-e-direito-a-cidade</link><description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Por Mariana Rodrigues, Amanda Koffer, Pablo Lira e Katia de Paula&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;O conhecimento cient&amp;iacute;fico desempenha um papel crucial na formula&amp;ccedil;&amp;atilde;o e&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas eficazes. Ele fornece uma base s&amp;oacute;lida de&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;evid&amp;ecirc;ncias e an&amp;aacute;lises que permitem aos formuladores de pol&amp;iacute;ticas tomarem&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;decis&amp;otilde;es informadas, que visam melhorar a qualidade de vida da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o e&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;enfrentar os desafios sociais e econ&amp;ocirc;micos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em um mundo cada vez mais complexo e interconectado, a capacidade de entender e aplicar conhecimentos cient&amp;iacute;ficos &amp;eacute; essencial para desenvolver solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es sustent&amp;aacute;veis e inovadoras. Portanto, a democratiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o desse conhecimento &amp;eacute; fundamental para garantir que todos os setores da sociedade possam participar ativamente na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas mais justas e inclusivas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Seguindo essa perspectiva, a rede Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles desenvolveu o projeto de artigos de opini&amp;atilde;o visando &amp;agrave; publiciza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e abertura &amp;agrave; discuss&amp;atilde;o de temas pertinentes ao cotidiano das metr&amp;oacute;poles. Ao propor a publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o das pesquisas em m&amp;iacute;dia local, a rede de pesquisadores torna-se mais pr&amp;oacute;xima dos cidad&amp;atilde;os que vivenciam diretamente os temas abordados nos textos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A abertura para o di&amp;aacute;logo das pesquisas &amp;eacute; um exerc&amp;iacute;cio que nos coloca em posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de incid&amp;ecirc;ncia, incorporando ci&amp;ecirc;ncia e sociedade em torno de um objetivo comum: refletir e pretender a&amp;ccedil;&amp;otilde;es para a melhoria da realidade local. Nesse sentido, buscamos contribuir com a populariza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conhecimento cient&amp;iacute;fico aplicado para a melhoria da qualidade de vida da sociedade.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em circunst&amp;acirc;ncias nas quais os pesquisadores tendem a compartilhar suas produ&amp;ccedil;&amp;otilde;es com os pares para a valida&amp;ccedil;&amp;atilde;o de suas pesquisas, vale questionar: quem tem acesso e consome a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o cient&amp;iacute;fica e at&amp;eacute; onde ela pode incidir no meio social? Como afirmam os autores Germano e Kulesza (2006), a tentativa de instigar a transdisciplinaridade entre pesquisas n&amp;atilde;o &amp;eacute; suficiente para tornar acess&amp;iacute;vel o conhecimento.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Para que se torne acess&amp;iacute;vel, &amp;eacute; necess&amp;aacute;ria a amplia&amp;ccedil;&amp;atilde;o do di&amp;aacute;logo, pretendendo alcan&amp;ccedil;ar a sociedade como um todo, principalmente os atores sociais mais atingidos pela desigualdade e exclus&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Divulgar o conhecimento superespecializado n&amp;atilde;o tem sido suficiente para conectar o saber cientifico com as realidades sociais existentes. A mera divulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o deixa em aberto a lacuna de tornar os dados e an&amp;aacute;lises acess&amp;iacute;veis ao atores n&amp;atilde;o-t&amp;eacute;cnicos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A superespecializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de acad&amp;ecirc;micos torna cada vez mais vertical a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre quem est&amp;aacute; dentro ou fora do ambiente cient&amp;iacute;fico-tecnol&amp;oacute;gico, reiterando uma hierarquia falaciosa entre &amp;ldquo;quem det&amp;eacute;m o conhecimento&amp;rdquo; (o divulgador das informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es) e &amp;ldquo;quem n&amp;atilde;o det&amp;eacute;m&amp;rdquo; (o ouvinte ou receptor das informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Tornar palp&amp;aacute;veis os resultados brutos das pesquisas por meio de uma comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o horizontalizada, &amp;eacute; uma das estrat&amp;eacute;gias de fortalecimento do direito &amp;agrave; cidade para aqueles que a vivenciam no cotidiano, ampliando as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es de divulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o cient&amp;iacute;fica para que um maior fluxo de informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es seja acessado por todos os setores da sociedade.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A democratiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conhecimento cient&amp;iacute;fico, constru&amp;iacute;da de forma participativa e descentralizada do ambiente superespecializado, contribui para a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o e manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o do pensamento cr&amp;iacute;tico da sociedade, ampliando a gama de possibilidades para a resolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de demandas por meio do reconhecimento de problem&amp;aacute;ticas por vezes ocultas &amp;agrave;s din&amp;acirc;micas das cidades.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A conceitua&amp;ccedil;&amp;atilde;o do direito &amp;agrave; cidade pressup&amp;otilde;e a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o consciente dos cidad&amp;atilde;os na produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o da cidade, para al&amp;eacute;m do direito de usufruir dessa. Neste processo, o acesso democr&amp;aacute;tico ao conhecimento cient&amp;iacute;fico se mostra fundamental, pois possibilita que a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o tenha condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de decis&amp;atilde;o e a&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica subsidiadas pelo entendimento da realidade em que se inserem.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nesse sentido, faz-se necess&amp;aacute;rio o amplo di&amp;aacute;logo entre os atores sociais, compartilhando experi&amp;ecirc;ncias que se somam &amp;agrave; constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de resultados direcionados &amp;agrave; manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas, por exemplo. Assim, compreende-se a demanda de organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es p&amp;uacute;blicas de ci&amp;ecirc;ncia e tecnologia pelo desenvolvimento de trabalhos concisos para difus&amp;atilde;o cient&amp;iacute;fica, n&amp;atilde;o somente compartilhados com os pares, mas tamb&amp;eacute;m incorporados &amp;agrave; comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o popular.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ao garantir que todos tenham acesso ao conhecimento cient&amp;iacute;fico, estamos empoderando os cidad&amp;atilde;os para que participem ativamente da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o e transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o do espa&amp;ccedil;o urbano. Isso n&amp;atilde;o apenas promove uma sociedade mais informada e engajada, mas tamb&amp;eacute;m assegura que as pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas reflitam verdadeiramente as necessidades e aspira&amp;ccedil;&amp;otilde;es de toda a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Mariana Paim Rodrigues&amp;nbsp;&amp;eacute; doutoranda em Arquitetura e Urbanismo, coordenadora dos Estudos Territoriais do IJSN e vice-coordenadora e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria do Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Amanda Lovatti Coelho Koffer&amp;nbsp;&amp;eacute; mestra em Arquitetura e Urbanismo e pesquisadora&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;bolsista do INCT Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/ N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Pablo Silva Lira &amp;eacute; doutor&amp;nbsp;em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo, Diretor-Geral do IJSN e coordenador regional e pesquisador do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria do&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Katia Cesconeto de Paula&amp;nbsp;&amp;eacute; mestra em Administra&amp;ccedil;&amp;atilde;o, Diretora de Gest&amp;atilde;o&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Administrativa do IJSN e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria do Observat&amp;oacute;rio das&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Metr&amp;oacute;poles.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-democratizar-o-conhecimento-cientifico-tambem-e-direito-a-cidade</guid></item><item><title>Artigo - Segurança alimentar: a importância da análise espacial</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-seguranca-alimentar-a-importancia-da-analise-espacial</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por L&amp;iacute;via Tulli, Pablo Silva Lira, e Pablo Medeiros Jabor&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;No per&amp;iacute;odo entre 2013 e 2020, a falta de medidas eficazes por parte do Estado, fomentou expressiva piora dos indicadores de inseguran&amp;ccedil;a alimentar no Brasil. Com a mudan&amp;ccedil;a na gest&amp;atilde;o, o tema voltou a ser destaque no governo federal por meio da retomada de pol&amp;iacute;ticas econ&amp;ocirc;micas e sociais, que j&amp;aacute; apresentaram impacto positivo: a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&amp;iacute;lios Cont&amp;iacute;nua (PNADC), referente ao quarto trimestre de 2023, identificou aumento da propor&amp;ccedil;&amp;atilde;o de domic&amp;iacute;lios em seguran&amp;ccedil;a alimentar e redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o na propor&amp;ccedil;&amp;atilde;o de todos os graus associados &amp;agrave; situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de inseguran&amp;ccedil;a alimentar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, concretizar o Direito Humano &amp;agrave; Alimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o Adequada (DHAA), ainda &amp;eacute; um desafio. Como garantir que a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o, especialmente os mais vulner&amp;aacute;veis, tenham acesso f&amp;iacute;sico e econ&amp;ocirc;mico, de forma ininterrupta, a alimentos nutritivos, diversificados e adequados que contemplem pr&amp;aacute;ticas sustent&amp;aacute;veis de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o? A an&amp;aacute;lise do ambiente alimentar comunit&amp;aacute;rio pela utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ferramentas de Sistemas de Informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Geogr&amp;aacute;fica (SIG) pode contribuir na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Os ambientes alimentares s&amp;atilde;o locais onde os alimentos s&amp;atilde;o adquiridos ou consumidos. Seu conceito est&amp;aacute; relacionado &amp;agrave;s oportunidades e &amp;agrave;s condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es &amp;ndash; f&amp;iacute;sicas, econ&amp;ocirc;micas, pol&amp;iacute;ticas e socioculturais &amp;ndash; que moldam as escolhas alimentares dos indiv&amp;iacute;duos. Desta forma, uma maior disponibilidade a pre&amp;ccedil;os acess&amp;iacute;veis tende a facilitar o consumo de alimentos saud&amp;aacute;veis pela popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A disponibilidade de alimentos saud&amp;aacute;veis em um territ&amp;oacute;rio pode ser limitada, por exemplo, pela escassez de equipamentos (como feiras, restaurantes populares, hortas urbanas e comunit&amp;aacute;rias, centrais de abastecimento, cozinhas comunit&amp;aacute;rias e bancos de alimento) ou de estabelecimentos varejistas de hortifrutigranjeiros, mercados, peixarias e a&amp;ccedil;ougues.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, a alta densidade de estabelecimentos que comercializam alimentos ultraprocessados &amp;ndash; formula&amp;ccedil;&amp;otilde;es industriais palat&amp;aacute;veis e hipercal&amp;oacute;ricas, comida barata e, geralmente, com prazo de validade estendido, como: biscoitos, salgadinhos &amp;ldquo;de pacote&amp;rdquo;, sorvetes, mistura para bolo, macarr&amp;atilde;o &amp;ldquo;instant&amp;acirc;neo&amp;rdquo;, refrescos e refrigerantes &amp;ndash; favorece o consumo de alimentos prejudiciais &amp;agrave; sa&amp;uacute;de da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A an&amp;aacute;lise espacial do ambiente alimentar comunit&amp;aacute;rio, utilizando SIG, permite mapear e compreender melhor essas din&amp;acirc;micas. Essa ferramenta pode identificar &amp;aacute;reas conhecidas como &amp;ldquo;desertos alimentares&amp;rdquo;, onde h&amp;aacute; escassez de alimentos saud&amp;aacute;veis, e &amp;ldquo;p&amp;acirc;ntanos alimentares&amp;rdquo;, onde h&amp;aacute; abund&amp;acirc;ncia de alimentos pouco nutritivos. Seu desenvolvimento est&amp;aacute; baseado na localiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de equipamentos e estabelecimentos varejistas de alimentos, que podem ser obtidos de forma r&amp;aacute;pida e gratuita em bancos de dados p&amp;uacute;blicos. Esses dados podem ser ajustados por auditorias locais ou virtuais, essas realizadas por ferramentas como o Google Street View.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Na Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria, destacam-se duas iniciativas. A primeira &amp;eacute; o estudo Rede Parques Metropolitanos, esta a&amp;ccedil;&amp;atilde;o priorit&amp;aacute;ria do Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI) apontou &amp;aacute;reas com potencial de compor uma rede integrada de espa&amp;ccedil;os verdes e pode contribuir com a identifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de locais favor&amp;aacute;veis a implanta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de hortas urbanas comunit&amp;aacute;rias.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Outro estudo, em desenvolvimento no Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), identificou que aproximadamente 68% das feiras livres est&amp;atilde;o localizadas em bairros com maior rendimento nominal m&amp;eacute;dio mensal. Este resultado sugere a necessidade de uma interven&amp;ccedil;&amp;atilde;o por parte dos gestores municipais no intuito de melhorar a oferta de alimentos saud&amp;aacute;veis em bairros onde a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; mais vulner&amp;aacute;vel economicamente.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Portanto, esse tipo de an&amp;aacute;lise pode subsidiar gestores p&amp;uacute;blicos na implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas de alimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o e nutri&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mas caso instrumentalizadas conjuntamente com a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o popular, principalmente em conjunto os Conselhos de Seguran&amp;ccedil;a Alimentar e Nutricional, podem identificar necessidades especificas e promover, atrav&amp;eacute;s do aumento da disponibilidade de alimentos saud&amp;aacute;veis, a sustentabilidade, a economia local e a inclus&amp;atilde;o social.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Trata-se de uma estrat&amp;eacute;gia acess&amp;iacute;vel e promissora que pode contribuir para a garantia do DHAA e a exclus&amp;atilde;o do Brasil do Mapa da Fome da Organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das Na&amp;ccedil;&amp;otilde;es Unidas. J&amp;aacute; que permite o direcionamento de recursos e pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas de maneira eficaz para combater desigualdades alimentares, corrigir seus efeitos negativos no meio ambiente, no planejamento urbano e melhorar a qualidade de vida da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;L&amp;iacute;via Tulli &amp;eacute; bi&amp;oacute;loga&amp;nbsp;&amp;eacute;&amp;nbsp;nutricionista, mestre em engenharia ambiental, especialista em pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas e gest&amp;atilde;o governamental (EPPGG) e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Pablo Silva Lira&amp;nbsp;&amp;eacute; doutor em Geografia, Diretor-Geral do IJSN, coordenador regional e pesquisador do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Pablo Medeiros Jabor&amp;nbsp;&amp;eacute; doutor em Geografia, Diretor Setorial de Estudos e Pesquisas do IJSN e pesquisador do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-seguranca-alimentar-a-importancia-da-analise-espacial</guid></item><item><title>Artigo - É possível integrar qualidade de vida, espaços verdes e urbanização?</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-e-possivel-integrar-qualidade-de-vida-espacos-verdes-e-urbanizacao</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Latussa Monteiro, Bruno Louzada e Julia Uliana&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;Aacute;reas vegetadas e naturais impactam na qualidade f&amp;iacute;sica do espa&amp;ccedil;o. Estudos indicam que a proximidade com espa&amp;ccedil;os verdes e um ambiente ecologicamente equilibrado torna as pessoas mais felizes. O acesso a espa&amp;ccedil;os livres p&amp;uacute;blicos proporciona melhor qualidade de vida, maior sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de bem-estar e melhora da sa&amp;uacute;de f&amp;iacute;sica e mental da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nas cidades da Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (RMGV), a desigualdade socioespacial se mostra presente em v&amp;aacute;rias dimens&amp;otilde;es. A popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de menor renda, em sua maior parte, reside em &amp;aacute;reas classificadas como de piores &amp;ldquo;Condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es Ambientais Urbanas&amp;rdquo;, uma das cinco dimens&amp;otilde;es descritas pelo &amp;Iacute;ndice de Bem-estar Urbano (IBEU) do Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No entanto, segundo o diagn&amp;oacute;stico do Plano de Desenvolvimento Integrado da Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (PDUI/RMGV, 2017) ainda est&amp;atilde;o presentes na metr&amp;oacute;pole capixaba elementos naturais capazes de ampliar a frui&amp;ccedil;&amp;atilde;o e contempla&amp;ccedil;&amp;atilde;o da natureza e da paisagem. Portanto, diminuir a diferen&amp;ccedil;a de acesso a &amp;aacute;reas verdes &amp;eacute; mais uma possibilidade de atenuar a desigualdade.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O processo de urbaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das cidades brasileiras deu aos mais pobres a &amp;uacute;nica op&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ocupar as &amp;aacute;reas fora do mercado de terras, sejam as de localiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o perif&amp;eacute;rica, ou aquelas inadequadas &amp;agrave; ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, tais como &amp;aacute;reas de risco de inunda&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou de deslizamentos. Em muitos casos, sem planejamento e sem garantia de infraestrutura urbana e de espa&amp;ccedil;os p&amp;uacute;blicos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Isso levou &amp;agrave; urbaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o incompleta que caracteriza amplas parcelas das metr&amp;oacute;poles e &amp;agrave; escassez de qualidade ambiental urbana, j&amp;aacute; que requer a atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o posterior e custosa em termos de infraestruturas e de servi&amp;ccedil;os a por&amp;ccedil;&amp;otilde;es da malha urbana que cresceram ou se adensaram sem a presen&amp;ccedil;a do Estado.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em contrapartida, as melhores localiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o bem servidas por infraestruturas e por servi&amp;ccedil;os urbanos. Essas &amp;aacute;reas s&amp;atilde;o frequentemente dotadas de espa&amp;ccedil;os de lazer internos al&amp;eacute;m de espa&amp;ccedil;os livres p&amp;uacute;blicos, como pra&amp;ccedil;as e parques urbanos, ou encontram-se em proximidade &amp;agrave;s praias nas cidades litor&amp;acirc;neas. Deste modo, s&amp;atilde;o acess&amp;iacute;veis &amp;agrave;queles que t&amp;ecirc;m condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de pagar por essas localiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A proposta de formar uma rede de parques metropolitanos visa minimizar este problema. Inclu&amp;iacute;do como a&amp;ccedil;&amp;atilde;o priorit&amp;aacute;ria do PDUI, o estudo identificou as &amp;aacute;reas com potencial de compor uma rede integrada de espa&amp;ccedil;os verdes. Tais espa&amp;ccedil;os seriam organizados como um sistema: os &amp;ldquo;n&amp;oacute;s&amp;rdquo; da rede teriam como objetivo levar a qualidade ambiental presente nas &amp;aacute;reas mais privilegiadas da RMGV aos cidad&amp;atilde;os de toda a metr&amp;oacute;pole, proporcionar o acesso a espa&amp;ccedil;os p&amp;uacute;blicos de lazer e contempla&amp;ccedil;&amp;atilde;o e seriam conectados entre si por &amp;ldquo;arcos&amp;rdquo;: vias arborizadas, rios urbanos, ciclovias e parques lineares.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O desenho final previa a implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o por etapas. A prioridade foi dada aos parques pr&amp;oacute;ximos a comunidades de baixa renda, de modo a criar novas possibilidades de gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de renda a partir de potencialidades locais, presentes nas comunidades do entorno imediato. Tamb&amp;eacute;m foram priorizados os parques localizados em &amp;aacute;reas de risco.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Assim, podem contribuir para mitigar os efeitos dos fen&amp;ocirc;menos ambientais cada vez mais frequentes e extremos, compondo espa&amp;ccedil;os para absorver poss&amp;iacute;veis inunda&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;br /&gt;Ap&amp;oacute;s a etapa de investiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o, um grupo de trabalho com a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de t&amp;eacute;cnicos municipais foi institu&amp;iacute;do e focou os esfor&amp;ccedil;os iniciais na troca de experi&amp;ecirc;ncias sobre a gest&amp;atilde;o das &amp;aacute;reas verdes.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Independente da implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o total da Rede, alguns munic&amp;iacute;pios executaram projetos de parques alinhados aos princ&amp;iacute;pios estabelecidos pelo estudo. No entanto, desta forma, se enfraquece a perspectiva de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma consci&amp;ecirc;ncia de solidariedade metropolitana.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O desenvolvimento territorial pleno deve ocorrer em todas as suas dimens&amp;otilde;es: sociais, culturais, ecol&amp;oacute;gicas, espaciais e econ&amp;ocirc;micas, garantindo um ambiente ecologicamente equilibrado e qualidade de vida daqueles que usam e permanecem no local. O direito coletivo &amp;agrave; cidade contempla as condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de moradia, transporte, lazer, sa&amp;uacute;de e seguran&amp;ccedil;a, que tamb&amp;eacute;m significa o direito de usufruir dos espa&amp;ccedil;os p&amp;uacute;blicos em sua plenitude.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o mais equilibrada de &amp;aacute;reas verdes pelo territ&amp;oacute;rio metropolitano pode contribuir para a redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das desigualdades socioespaciais e preparar as cidades para as mudan&amp;ccedil;as ambientais em curso. Os estudos est&amp;atilde;o prontos, &amp;agrave; disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos gestores metropolitanos.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Latussa Bianca Laranja Monteiro&amp;nbsp;Doutora em Arquitetura e Urbanismo, Professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFES e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Bruno Casotti Louzada&amp;nbsp;&amp;eacute; doutorando em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU-UFES), Coordenador de Geoprocessamento do IJSN e pesquisador do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Julia Curto Uliana&amp;nbsp;&amp;eacute; doutoranda em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU-UFES) e bolsista pesquisadora do Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-e-possivel-integrar-qualidade-de-vida-espacos-verdes-e-urbanizacao</guid></item><item><title>Artigo - Universalização do saneamento básico deve ser prioridade para a garantia da Justiça Ambiental </title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-universalizacao-do-saneamento-basico-deve-ser-prioridade-para-a-garantia-da-justica-ambiental</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Karlla Cristina Gaiba Rebuli e&amp;nbsp;Sandra Mara Pereira&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O acesso ao saneamento b&amp;aacute;sico &amp;eacute; marcado por desigualdades. As regi&amp;otilde;es mais pobres, em n&amp;iacute;vel federal, estadual ou municipal, ainda sofrem com a falta ou com o atendimento prec&amp;aacute;rio desse servi&amp;ccedil;o. Por ser indispens&amp;aacute;vel para a qualidade de vida, muitos s&amp;atilde;o os debates em torno da necessidade de universalizar o saneamento b&amp;aacute;sico. Diante disso, a Organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das Na&amp;ccedil;&amp;otilde;es Unidas (ONU) definiu o Objetivo de Desenvolvimento Sustent&amp;aacute;vel 06 &amp;ndash; ODS 06, que busca assegurar a disponibilidade e a gest&amp;atilde;o sustent&amp;aacute;vel da &amp;aacute;gua e saneamento para todos, com o objetivo de universalizar esse servi&amp;ccedil;o. O Brasil enquanto pa&amp;iacute;s signat&amp;aacute;rio deve criar estrat&amp;eacute;gias para cumprir esse objetivo at&amp;eacute; 2030, como preveem as metas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Apesar de alguns avan&amp;ccedil;os, ainda &amp;eacute; necess&amp;aacute;ria muita caminhada. &amp;Eacute; recente o arcabou&amp;ccedil;o legal do saneamento b&amp;aacute;sico, institu&amp;iacute;do pela Lei n&amp;ordm; 11.445 em 2007 e atualizado pela Lei n&amp;ordm; 14.026/2020, a qual gerou intensos debates entre especialistas diversos. O principal ponto &amp;eacute; a tend&amp;ecirc;ncia neoliberal da lei, o que se configura como um problema levando em conta que os servi&amp;ccedil;os de saneamento b&amp;aacute;sico, por serem indispens&amp;aacute;veis &amp;agrave; vida e &amp;agrave; dignidade humana, n&amp;atilde;o podem ser ofertados a partir da l&amp;oacute;gica capitalista de lucro. Muitas regi&amp;otilde;es que sofrem com a vulnerabilidade socioambiental, onde a pobreza e a extrema pobreza se fazem presentes no cotidiano da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o, correm o risco de n&amp;atilde;o receberem o servi&amp;ccedil;o, caso as empresas que ofertam o abastecimento de &amp;aacute;gua e esgotamento sanit&amp;aacute;rio decidam n&amp;atilde;o atuar nessas regi&amp;otilde;es, por n&amp;atilde;o possu&amp;iacute;rem viabilidade econ&amp;ocirc;mica. A preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; sobretudo por causa do incentivo &amp;agrave; participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da iniciativa privada, em detrimento da atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o estatal, embasado por um discurso neoliberal de esvaziamento da a&amp;ccedil;&amp;atilde;o do estado.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Na Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; RMGV, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&amp;iacute;lios Cont&amp;iacute;nua - PNAD-C mostram que 97,73% da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o residente em domic&amp;iacute;lios particulares tinha acesso ao abastecimento de &amp;aacute;gua, e 88,43% ao esgotamento sanit&amp;aacute;rio (PNAD-C/IBGE, 2022).Um levantamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Esp&amp;iacute;rito Santo &amp;ndash; TCEES mostrou que cerca de 15,3% de toda a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Esp&amp;iacute;rito Santo n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m acesso &amp;agrave; &amp;aacute;gua tratada, e 39,5% n&amp;atilde;o possuem servi&amp;ccedil;o de coleta de esgoto em suas resid&amp;ecirc;ncias&lt;a href="#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. &amp;Eacute; um n&amp;uacute;mero alto de pessoas que n&amp;atilde;o acessam servi&amp;ccedil;os b&amp;aacute;sicos para a sobreviv&amp;ecirc;ncia.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mortes por v&amp;iacute;rus e bact&amp;eacute;rias&lt;a href="#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; podem ser evitadas com uma rede esgoto adequada e com um sistema de abastecimento de &amp;aacute;gua, em quantidade e qualidade. Negar esse servi&amp;ccedil;o &amp;eacute; negar o direito humano de habitar um ambiente ecologicamente equilibrado, garantido constitucionalmente. Em um contexto de altas temperaturas, &amp;eacute; indispens&amp;aacute;vel que a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o tenha &amp;aacute;gua para a garantia da vida.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Universalizar o saneamento b&amp;aacute;sico &amp;eacute; urgente, e o primeiro passo &amp;eacute; reconhecer as assimetrias regionais e mapear essas &amp;aacute;reas de vulnerabilidades socioambientais, para que as pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas possam ser constru&amp;iacute;das de forma a dirimir as desigualdades e garantir a Justi&amp;ccedil;a Ambiental - assegurando que nenhum grupo sofrer&amp;aacute; de forma desproporcional a degrada&amp;ccedil;&amp;atilde;o do espa&amp;ccedil;o coletivo, por motivos &amp;eacute;tnicos, raciais e de classe, e que ter&amp;atilde;o seus direitos assegurados pelo estado, independente da sua capacidade financeira de adquirir ou n&amp;atilde;o certos servi&amp;ccedil;os, apenas pela sua condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ser humano.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Dispon&amp;iacute;vel em: &amp;lt;&lt;span&gt;&lt;a href="https://www.tcees.tc.br/com-cerca-de-16-milhao-de-capixabas-sem-coleta-de-esgoto-e-628-mil-sem-agua-tratada-es-ainda-tem-desafio-para-cumprir-metas-da-universalizacao/"&gt;https://www.tcees.tc.br/com-cerca-de-16-milhao-de-capixabas-sem-coleta-de-esgoto-e-628-mil-sem-agua-tratada-es-ainda-tem-desafio-para-cumprir-metas-da-universalizacao/&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&amp;gt;. Acesso em: 22/11/2023.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Problemas de sa&amp;uacute;de como a disenteria e doen&amp;ccedil;a de Chagas, entre outras, poderiam ser evitadas com o aumento da cobertura e com a qualidade dos servi&amp;ccedil;os de saneamento.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Karlla Cristina Gaiba Rebuli&amp;nbsp;&amp;eacute; pesquisadora do IJSN; mestra em Ci&amp;ecirc;ncias Sociais pela UFES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sandra Mara Pereira&amp;nbsp;&amp;eacute; especialista em Pol&amp;iacute;ticas P&amp;uacute;blicas e Gest&amp;atilde;o Governamental (EPPGG) do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e doutora em Ci&amp;ecirc;ncias Sociais da UFES.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-universalizacao-do-saneamento-basico-deve-ser-prioridade-para-a-garantia-da-justica-ambiental</guid></item><item><title>Artigo - Perspectivas da mobilidade na RMGV: sustentabilidade e direito à cidade</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-perspectivas-da-mobilidade-na-rmgv-sustentabilidade-e-direito-a-cidade</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Damiany Nossa, Mariana Rodrigues e Pablo Lira&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;Na medida que as cidades crescem aumenta a sua complexidade espacial e a dos seus fluxos. Como consequ&amp;ecirc;ncia, a mobilidade se torna pe&amp;ccedil;a-chave da gest&amp;atilde;o e do planejamento urbano, n&amp;atilde;o apenas com a finalidade de satisfazer demandas, mas tamb&amp;eacute;m como um instrumento promotor do Direito &amp;agrave; Cidade &amp;ndash; ao promover acesso equitativo aos servi&amp;ccedil;os e equipamentos de trabalho, lazer e sa&amp;uacute;de. A integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o mobilidade-sustentabilidade vem se tornando uma prioridade global, com o uso de diversas solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es para reduzir os impactos socioambientais dos deslocamentos nas cidades.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;J&amp;aacute; na escala metropolitana, deve-se superar um novo desafio &amp;ndash; a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o na gest&amp;atilde;o metropolitana e, como resultado dessa, uma elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de estudos e planos integrados nessa escala territorial. Nesse &amp;acirc;mbito, a Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (RMGV) tem como refer&amp;ecirc;ncia o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI), que trata a mobilidade em um dos seus eixos tem&amp;aacute;ticos, e sugere como proposta a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um Plano de Mobilidade Metropolitana.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Apesar de ainda n&amp;atilde;o ter sido consolidado o PMM, algumas das propostas no &amp;acirc;mbito da modalidade do PDUI foram realizadas, al&amp;eacute;m de outras que est&amp;atilde;o alinhadas aos seus princ&amp;iacute;pios, como a retomada do modal aquavi&amp;aacute;rio, a amplia&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Terceira Ponte em tr&amp;ecirc;s faixas, o uso de faixas exclusivas para transporte p&amp;uacute;blico, a ciclovia interligando Vila Velha e Vit&amp;oacute;ria, o Complexo Vi&amp;aacute;rio de Carapina, a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o tarif&amp;aacute;ria e a implanta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do bilhete &amp;uacute;nico metropolitano.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;N&amp;atilde;o se pode negar que tais a&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o essenciais para uma melhoria geral da mobilidade da RMGV, mesmo quando aplicadas independentemente de um Plano Metropolitano de Mobilidade, contribuindo nas dimens&amp;otilde;es da sustentabilidade socioecon&amp;ocirc;mica, ao propor a diminui&amp;ccedil;&amp;atilde;o do tr&amp;acirc;nsito e a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o tarif&amp;aacute;ria; e ambiental, ao valorizar a mobilidade ativa e m&amp;eacute;todos de menor emiss&amp;atilde;o de gases de efeito estufa e de energia renov&amp;aacute;vel.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Uma das quest&amp;otilde;es a se levantar &amp;eacute; o quanto essas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es se interconectam e permitem interioriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e continuidade fora dos gargalos &amp;ndash; de modo a abranger zonas lim&amp;iacute;trofes da RMGV. Sendo assim, &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio monitorar e avaliar os impactos dessas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es no territ&amp;oacute;rio al&amp;eacute;m dos fluxos &amp;ndash; entendendo a complexidade territorial nos sentidos sociais e qualitativos. A partir disso, cabe-nos questionar como atrelar as estrat&amp;eacute;gias de otimiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de fluxos com o ordenamento territorial metropolitano?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A RMGV atualmente concentra 49,06% da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Esp&amp;iacute;rito Santo (IBGE, 2022); Vit&amp;oacute;ria &amp;eacute; o munic&amp;iacute;pio atrator da regi&amp;atilde;o, concentrando a maioria dos destinos de deslocamentos di&amp;aacute;rios para trabalho e estudo (2014, Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles). Quando analisados os fatores hist&amp;oacute;ricos, geomorfol&amp;oacute;gicos e econ&amp;ocirc;micos da sua forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o e urbaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ndash; que ocorre de modo difuso, conduzindo a uma distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o espacial desigual &amp;ndash; nota-se que as &amp;aacute;reas de maior concentra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de renda tamb&amp;eacute;m concentram maior diversidade de uso do solo e servi&amp;ccedil;os.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Al&amp;eacute;m disso, a comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o vi&amp;aacute;ria respons&amp;aacute;vel por permitir os movimentos pendulares entre Vit&amp;oacute;ria e seus munic&amp;iacute;pios vizinhos ao norte (Serra), ao sul (Vila Velha) e a oeste (Cariacica) concentra-se em poucas vias de acesso (Segunda, Terceira e as Cinco Pontes, BR101 e Av. Norte Sul).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No ponto de vista estruturante, as alternativas de otimiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos escoamentos dessas vias e o desafogamento dos j&amp;aacute; estabelecidos gargalos s&amp;atilde;o necess&amp;aacute;rias, e de antem&amp;atilde;o, com o retorno do aquavi&amp;aacute;rio, s&amp;atilde;o retomadas as vias de acesso mar&amp;iacute;timas, otimizando os escoamentos e estimulando redes intermodais, que somente funcionam com a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o tarif&amp;aacute;ria tamb&amp;eacute;m j&amp;aacute; aplicada. No ponto de vista social, tais alternativas atuam na redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das desigualdades sociais. Mas seriam essas alternativas suficientes?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Para entender o qu&amp;atilde;o efetivas s&amp;atilde;o as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, ressalta-se a import&amp;acirc;ncia de definir e implementar indicadores que analisem os impactos dessas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es na mobilidade em rede e na escala metropolitana, englobando as vari&amp;aacute;veis sociais, ambientais e econ&amp;ocirc;micas. E, mais importante, devemos pensar em modos de subverter a organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos espa&amp;ccedil;os, hoje predominantemente hier&amp;aacute;rquica e escorada em desigualdades socioecon&amp;ocirc;micas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Um dos grandes desafios na RMGV &amp;eacute; promover a policentralidade, atuando na promo&amp;ccedil;&amp;atilde;o de equidade e, consequentemente, reduzindo a necessidade e os impactos de grandes deslocamentos pendulares, principalmente da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o vulner&amp;aacute;vel socioeconomicamente.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Damiany Farina Nossa&amp;nbsp;&amp;eacute;&amp;nbsp;(Mestre em Arquitetura e Urbanismo e Pesquisadora do INCT/Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Mariana Paim Rodrigues&amp;nbsp;&amp;eacute; (doutoranda em Arquitetura e Urbanismo, coordenadora dos Estudos Territoriais do IJSN, vice-coordenadora e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Pablo Silva Lira&amp;nbsp;&amp;eacute;&amp;nbsp;(doutor em Geografia, Diretor-Geral do IJSN, coordenador regional e pesquisador do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-perspectivas-da-mobilidade-na-rmgv-sustentabilidade-e-direito-a-cidade</guid></item><item><title>Artigo - Há solução para a crise na mobilidade urbana?</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-ha-solucao-para-a-crise-na-mobilidade-urbana</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Julia Uliana, Amanda Koffer e Latussa Monteiro&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;Problemas de mobilidade urbana significam, sobretudo, falta de acesso aos servi&amp;ccedil;os e estruturas da cidade. Podem tamb&amp;eacute;m envolver quest&amp;otilde;es como infraestrutura, qualidade e custos de servi&amp;ccedil;o de transporte p&amp;uacute;blico, emiss&amp;otilde;es de gases do efeito estufa e acidentes com v&amp;iacute;timas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nesse contexto, em mar&amp;ccedil;o de 2023, foi lan&amp;ccedil;ada a &amp;ldquo;Coaliz&amp;atilde;o Mobilidade Triplo Zero&amp;rdquo;, uma rede de organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es que tem como objetivo promover solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es para reduzir a desigualdade e melhorar a qualidade ambiental nos deslocamentos em conson&amp;acirc;ncia com a Proposta de Emenda Constitucional n. 25/2023 que reivindica o SUM &amp;ndash; Sistema &amp;Uacute;nico de Mobilidade.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O sistema integraria os governos federal, estadual e municipal para contribuir com os custos e gest&amp;atilde;o do transporte p&amp;uacute;blico nas cidades e garantir o direito social ao Transporte, de maneira similar ao Sistemas &amp;Uacute;nicos de Sa&amp;uacute;de (SUS) e de Assist&amp;ecirc;ncia Social (SUAS).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O triplo zero possui como objetivos: (1) zerar as tarifas do transporte p&amp;uacute;blico coletivo por meio de financiamento p&amp;uacute;blico, (2) zerar as emiss&amp;otilde;es de poluentes atrav&amp;eacute;s de modais de locomo&amp;ccedil;&amp;atilde;o mais sustent&amp;aacute;veis e (3) zerar as mortes no tr&amp;acirc;nsito mediante infraestrutura adequada dos servi&amp;ccedil;os.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A tem&amp;aacute;tica esteve em voga durante as manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es de junho de 2013 e levou a Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (RMGV) ao retorno do sistema aquavi&amp;aacute;rio de transporte, sendo tamb&amp;eacute;m um dos eixos priorit&amp;aacute;rios do Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (Lei Complementar 872/2017).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Na RMGV, o Sistema Transcol (Transporte Coletivo da Grande Vit&amp;oacute;ria) assegura a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o f&amp;iacute;sica e temporal dos meios de transporte coletivo pelo Bilhete &amp;Uacute;nico Metropolitano, e garante a isen&amp;ccedil;&amp;atilde;o total ou parcial de pagamento conforme suas normativas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Al&amp;eacute;m disso, a tarifa zero tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; adotada em circunst&amp;acirc;ncias que facilitem o acesso ao transporte p&amp;uacute;blico coletivo, como aconteceu em 2022, nos dias de vota&amp;ccedil;&amp;atilde;o para o segundo turno das elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es, e de aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de provas do ENEM (Exame Nacional do Ensino M&amp;eacute;dio).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A tarifa zerada impacta de modo direto &amp;ndash; e positivamente &amp;ndash; na economia, cultura e ambiente, pois fomenta o com&amp;eacute;rcio, o consumo e o lazer por permitir a uma significativa parcela da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o o acesso a equipamentos de sa&amp;uacute;de, educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, cultura e entretenimento e assim minorar os efeitos da segrega&amp;ccedil;&amp;atilde;o espacial expressa na desigualdade das condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es ambientais e urbanas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A necessidade de zerar emiss&amp;otilde;es responde ao fato de a mobilidade ser tamb&amp;eacute;m um instrumento necess&amp;aacute;rio para a mitiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o da crise clim&amp;aacute;tica. O &amp;uacute;ltimo Invent&amp;aacute;rio de Fontes de Emiss&amp;otilde;es Atmosf&amp;eacute;ricas divulgado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos H&amp;iacute;dricos (Iema, 2015) indica que 25% dos gases presentes na atmosfera da Grande Vit&amp;oacute;ria s&amp;atilde;o provenientes de vias de tr&amp;aacute;fego, sendo 7% de emiss&amp;otilde;es veiculares e 18% de ressuspens&amp;atilde;o de part&amp;iacute;culas devido &amp;agrave; sujidade das vias.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Apesar da relevante participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a frota automotiva cresce anualmente na RMGV correspondendo atualmente a 47% dos ve&amp;iacute;culos do estado, onde 9 em cada 10 ve&amp;iacute;culos s&amp;atilde;o carros particulares.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A diminui&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos deslocamentos por transportes individuais motorizados &amp;eacute; chave para o enfrentamento &amp;agrave; emiss&amp;atilde;o de gases por redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o da polui&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Para tanto, &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio incentivar a mobilidade ativa, principalmente com a amplia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de infraestruturas que garantam o uso em seguran&amp;ccedil;a e a disponibilidade de equipamentos tais como bicicletas e patinetes.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nesse sentido, &amp;eacute; importante enfatizar a necessidade de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es de planejamento, opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o e gest&amp;atilde;o com controle social que permitam avan&amp;ccedil;ar em dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao terceiro objetivo da coaliz&amp;atilde;o: zerar acidentes de tr&amp;acirc;nsito. Refor&amp;ccedil;ar a ideia de cidades para pessoas em condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de acesso caminh&amp;aacute;vel &amp;agrave;s principais infraestruturas e servi&amp;ccedil;os urbanos deve estar aliado ao acompanhamento atento das ocorr&amp;ecirc;ncias com v&amp;iacute;timas como subs&amp;iacute;dio a modifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es no sistema vi&amp;aacute;rio, na sinaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e na fiscaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tr&amp;acirc;nsito.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Considerando o panorama da RMGV, &amp;eacute; essencial priorizar os incentivos &amp;agrave; mobilidade a p&amp;eacute; e ciclovi&amp;aacute;ria para a melhoria cont&amp;iacute;nua das condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es atuais. A&amp;ccedil;&amp;otilde;es como: viabiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas; padroniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de cal&amp;ccedil;adas e vias acess&amp;iacute;veis; aumento da sinaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e fiscaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o; e integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos meios n&amp;atilde;o motorizados ao sistema de bilhetagem eletr&amp;ocirc;nica; s&amp;atilde;o algumas medidas urgentes e necess&amp;aacute;rias para alcan&amp;ccedil;ar a mobilidade como direito social.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Rumar ao triplo zero consiste em garantir a universaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do direito e do acesso ao transporte e &amp;agrave; mobilidade urbana de modo democr&amp;aacute;tico, seguro e confort&amp;aacute;vel, melhorando a qualidade de vida das cidades e contribuindo tamb&amp;eacute;m para mitigar a crise clim&amp;aacute;tica.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Julia Curto Uliana&amp;nbsp;&amp;eacute; doutoranda em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU-UFES) e bolsista pesquisadora do Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Amanda Lovatti Coelho Koffer&amp;nbsp;&amp;eacute; mestra em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU-UFES) e bolsista pesquisadora do Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Latussa Laranja Monteiro&amp;nbsp;&amp;eacute; doutora em Arquitetura e Urbanismo, Professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFES e pesquisadora do Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles &amp;ndash; N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-ha-solucao-para-a-crise-na-mobilidade-urbana</guid></item><item><title>Artigo - ATHIS - Qualidade de vida, bem-estar e da saúde habitacional</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-athis-qualidade-de-vida-bem-estar-e-da-saude-habitacional</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por&amp;nbsp;Por Latussa Monteiro e Liziane Jorge&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A assessoria e a assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica para habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o de interesse social (ATHIS), servi&amp;ccedil;o desempenhado por profissionais de arquitetura e urbanismo, &amp;eacute; uma pr&amp;aacute;tica indispens&amp;aacute;vel para a promo&amp;ccedil;&amp;atilde;o da qualidade de vida, do bem-estar e da sa&amp;uacute;de f&amp;iacute;sica e emocional das comunidades que n&amp;atilde;o disp&amp;otilde;em de recursos financeiros para a contrata&amp;ccedil;&amp;atilde;o de profissional especializado.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Amparado pela Lei n&amp;deg; 11.888 de 2008, a reivindica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de d&amp;eacute;cadas para inclus&amp;atilde;o da pauta enquanto uma pol&amp;iacute;tica p&amp;uacute;blica nacional, &amp;eacute; assegurado &amp;agrave;s fam&amp;iacute;lias com renda mensal de at&amp;eacute; 3 (tr&amp;ecirc;s) sal&amp;aacute;rios m&amp;iacute;nimos, residentes em &amp;aacute;reas urbanas ou rurais, o direito &amp;agrave; assist&amp;ecirc;ncia t&amp;eacute;cnica p&amp;uacute;blica e gratuita para o projeto e a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o de interesse social para sua pr&amp;oacute;pria moradia (BRASIL, 2008).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Entretanto, a sua implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; insuficiente nas experi&amp;ecirc;ncias de gest&amp;atilde;o p&amp;uacute;blica e a atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o profissional nessa dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o encontra muitos entraves na implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de novos modelos de neg&amp;oacute;cio. Diante desse impasse, h&amp;aacute; uma ampla defesa ao enfrentamento dos problemas da moradia social pelo vi&amp;eacute;s do direito &amp;agrave; cidade, pela erradica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da precariedade urbana e da irregularidade fundi&amp;aacute;ria, e pelos impactos &amp;agrave; sa&amp;uacute;de decorrentes da habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o prec&amp;aacute;ria.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No Brasil, segundo dados estimados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&amp;iacute;stica&amp;nbsp;(IBGE), em 2019, h&amp;aacute; pouco mais de cinco milh&amp;otilde;es de domic&amp;iacute;lios situados em favelas e comunidades urbanas, caracterizadas por condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de precariedade, car&amp;ecirc;ncia de servi&amp;ccedil;os p&amp;uacute;blicos essenciais, problemas de infraestrutura urbana e ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o irregular de terrenos. O Esp&amp;iacute;rito Santo disp&amp;otilde;e de 306.439 mil domic&amp;iacute;lios nessas condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es, totalizando 26,10% das moradias, sendo 224.863 domic&amp;iacute;lios localizados apenas na Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (RMGV).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O conceito de sa&amp;uacute;de habitacional &amp;eacute;, portanto, uma ampla defesa pela manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o da rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o + sa&amp;uacute;de + bem-estar, considerando o estabelecido pela Organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o Mundial de Sa&amp;uacute;de (OMS), como &amp;ldquo;um estado de completo bem-estar f&amp;iacute;sico, mental e social e n&amp;atilde;o somente aus&amp;ecirc;ncia de afec&amp;ccedil;&amp;otilde;es e enfermidades&amp;rdquo;. Habitar um ambiente saud&amp;aacute;vel e de qualidade pressup&amp;otilde;e: acesso aos servi&amp;ccedil;os b&amp;aacute;sicos de saneamento e infraestrutura (&amp;aacute;gua pot&amp;aacute;vel, energia, rede de esgoto, coleta de res&amp;iacute;duos); seguran&amp;ccedil;a (material, contra intrus&amp;atilde;o, contra inc&amp;ecirc;ndio); conforto ambiental (temperatura, qualidade do ar, ilumina&amp;ccedil;&amp;atilde;o natural e artificial, ventila&amp;ccedil;&amp;atilde;o, ac&amp;uacute;stica); aus&amp;ecirc;ncia de patologias construtivas (umidade, infiltra&amp;ccedil;&amp;atilde;o, trincas); necessidades psicol&amp;oacute;gicas (privacidade, socializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, vida privada e comunit&amp;aacute;ria, redes de conv&amp;iacute;vio); satisfa&amp;ccedil;&amp;atilde;o funcional, est&amp;eacute;tica; e identidade sociocultural e territorial.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Segundo o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU), em pesquisa contratada em 2015, em 85% das obras de reformas ou constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o no pa&amp;iacute;s, n&amp;atilde;o houve contrata&amp;ccedil;&amp;atilde;o de servi&amp;ccedil;os de profissionais tecnicamente habilitados; arquitetos ou engenheiros. De acordo com o CAU, a maior parte da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o ainda recorre a profissionais sem habilita&amp;ccedil;&amp;atilde;o legal nem responsabilidade t&amp;eacute;cnica sobre os servi&amp;ccedil;os que realizam. Esse contexto &amp;eacute; refor&amp;ccedil;ado por uma din&amp;acirc;mica espont&amp;acirc;nea de autoconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o e crescimento vertical de edifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es para fins de coabita&amp;ccedil;&amp;atilde;o, para incorporar novos usos e para a promo&amp;ccedil;&amp;atilde;o de transa&amp;ccedil;&amp;otilde;es comerciais, como alugu&amp;eacute;is que culminam com o incremento da renda familiar.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nesse processo emergem problemas recorrentes, desde o risco estrutural at&amp;eacute; o comprometimento das redes de servi&amp;ccedil;os p&amp;uacute;blicas e comunit&amp;aacute;rias, tais como creches, unidades de sa&amp;uacute;de e pra&amp;ccedil;as, que n&amp;atilde;o acompanham a nova demanda. Al&amp;eacute;m de minimizar riscos, a promo&amp;ccedil;&amp;atilde;o de melhorias habitacionais assistidas diminui acidentes, traumas por quedas e at&amp;eacute; mesmo o aparecimento de doen&amp;ccedil;as respirat&amp;oacute;rias, transtornos ps&amp;iacute;quicos e cardiovasculares.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&amp;Eacute; necess&amp;aacute;rio, ainda, aos profissionais reconhecer e incorporar saberes populares, tecnologias sociais, rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es ambientais alargadas no territ&amp;oacute;rio, processos de autogest&amp;atilde;o e mutir&amp;atilde;o, modos de viver que transcendem conven&amp;ccedil;&amp;otilde;es e padr&amp;otilde;es. Projeto, obra e reforma devem obrigatoriamente considerar processos participativos, seja em &amp;acirc;mbito privado ou coletivo. A atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o da ATHIS, em demandas coletivas (como mobilidade, saneamento, espa&amp;ccedil;os p&amp;uacute;blicos), tamb&amp;eacute;m se apresenta como uma ferramenta eficaz para garantir melhores condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es urbanas internas a comunidades e favelas, com a manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos interesses comunit&amp;aacute;rios, comumente contra hegem&amp;ocirc;nicos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A Universidade desempenha um papel determinante nesse processo. Por meio do trip&amp;eacute; ensino-pesquisa-extens&amp;atilde;o, articula a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de novos profissionais &amp;agrave;s demandas do territ&amp;oacute;rio, apoio &amp;agrave;s entidades comunit&amp;aacute;rias e movimentos sociais de luta pela moradia popular, associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de bairros e organiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es n&amp;atilde;o-governamentais.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O ES conta com parcerias inspiradoras entre profissionais de Arquitetura e Urbanismo das Institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Ensino Superior e associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de ATHIS, mas h&amp;aacute; espa&amp;ccedil;o para mais. Ampliar a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, sobretudo aquelas que visem a melhoria do espa&amp;ccedil;o p&amp;uacute;blico, beneficiaria muito os munic&amp;iacute;pios da Grande Vit&amp;oacute;ria, onde est&amp;atilde;o 70% dos domic&amp;iacute;lios em comunidades e favelas no estado.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Liziane de Oliveira Jorge&amp;nbsp;&amp;eacute;&amp;nbsp;Doutora em Arquitetura e Urbanismo, Professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de P&amp;oacute;s-Gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o em Arquitetura e Urbanismo, UFES).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Latussa Bianca Laranja Monteiro&amp;nbsp;&amp;eacute; Doutora em Planejamento Urbano e Regional, Professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFES e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-athis-qualidade-de-vida-bem-estar-e-da-saude-habitacional</guid></item><item><title>Artigo - Moradia digna: o que podem os municípios?</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/compartilhar-Moradia-digna-o-que-podem-os-municipios</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Latussa Monteiro , Bruno Louzada e Liziane Jorge&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&amp;Eacute; comum que se aponte a import&amp;acirc;ncia da moradia digna para a qualidade de vida em uma sociedade. As desigualdades sociais est&amp;atilde;o expressas na ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do espa&amp;ccedil;o e s&amp;atilde;o determinadas pela inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o urbana e pela localiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das moradias no territ&amp;oacute;rio. Fatores como saneamento, mobilidade, seguran&amp;ccedil;a p&amp;uacute;blica, acesso aos servi&amp;ccedil;os e equipamentos p&amp;uacute;blicos, e predisposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao risco s&amp;atilde;o claramente determinados pela localiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das moradias. A moradia &amp;eacute; a fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o urbana que ocupa a maior parte das cidades. Como o munic&amp;iacute;pio pode lidar com a complexidade do tema e responder &amp;agrave; compet&amp;ecirc;ncia constitucional da gest&amp;atilde;o local na garantia de condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es para a cidadania plena?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A an&amp;aacute;lise do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria do Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles apontou que a metropoliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Grande Vit&amp;oacute;ria ocorreu em um cen&amp;aacute;rio de crescimento populacional impulsionado pela industrializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e pelo &amp;ecirc;xodo rural. Ao longo das d&amp;eacute;cadas de atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Banco Nacional de Habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o (BNH), os conjuntos habitacionais de interesse social e de mercado econ&amp;ocirc;mico ajudaram a formar novas &amp;aacute;reas de expans&amp;atilde;o. Estas &amp;aacute;reas foram gradativamente se aproximando dos n&amp;uacute;cleos iniciais por meio da ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos espa&amp;ccedil;os vazios, na maioria dos casos por meio da autoconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o, incluindo &amp;aacute;reas ambientalmente fr&amp;aacute;geis: topos de morros, v&amp;aacute;rzeas e margens de rios.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em anos mais recentes e em conjuntura econ&amp;ocirc;mica nacional marcada pela desindustrializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e financeiriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos mercados imobili&amp;aacute;rios, outra a&amp;ccedil;&amp;atilde;o estatal de provis&amp;atilde;o de moradia, o Programa Minha Casa Minha Vida, entregou aproximadamente 50 mil unidades na Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (RMGV), segundo dados do Minist&amp;eacute;rio de Desenvolvimento Regional. A Faixa 1, destinada &amp;agrave;queles de menor renda, constituiu apenas 5,8% de todas as unidades entregues pelo PMCMV e, mais importante, localizadas nas franjas das cidades. A falta de cidade plena ao redor desses empreendimentos impacta na aus&amp;ecirc;ncia de oportunidades pr&amp;oacute;ximas de emprego e renda, o que acarreta longos per&amp;iacute;odos de deslocamento casa-trabalho, isolamento de estratos da sociedade, incluindo idosos, crian&amp;ccedil;as e jovens. Por outro lado, a valoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o extrema de algumas &amp;aacute;reas, sobretudo Vit&amp;oacute;ria e partes de Vila Velha e de Serra, afasta a possibilidade de aluguel como alternativa para habitar melhores localiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es metropolitanas. O gasto excessivo com aluguel urbano, ou seja, acima de 30% da renda domiciliar em fam&amp;iacute;lias com renda de at&amp;eacute; 3 sal&amp;aacute;rios-m&amp;iacute;nimos, &amp;eacute; o principal componente do d&amp;eacute;ficit habitacional na regi&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Complementar a infraestrutura f&amp;iacute;sica e de servi&amp;ccedil;os p&amp;uacute;blicos &amp;eacute; uma obriga&amp;ccedil;&amp;atilde;o, pois a dignidade da moradia vai al&amp;eacute;m dos limites da casa. Planejar a ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos espa&amp;ccedil;os vazios cabe aos munic&amp;iacute;pios, por meio da efetiva&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mecanismos do Plano Diretor Municipal, o PDM, para garantir a todos condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de exercer o direito &amp;agrave; cidade.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;As urbaniza&amp;ccedil;&amp;otilde;es de favelas e comunidades, por outro lado, possibilitam o reconhecimento da dimens&amp;atilde;o socioecon&amp;ocirc;mica presente nesses espa&amp;ccedil;os. Respeitam, assim, o investimento de d&amp;eacute;cadas na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de resid&amp;ecirc;ncias e la&amp;ccedil;os de solidariedade e, n&amp;atilde;o raro, uma rede robusta de empreendimentos geradores de renda.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Outra atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; a possibilidade de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de novas oportunidades habitacionais em im&amp;oacute;veis vazios e ociosos, em meio &amp;agrave; cidade existente. A a&amp;ccedil;&amp;atilde;o pode ser ben&amp;eacute;fica em reativar &amp;aacute;reas infraestruturadas, que sofram perda de residentes, para fazer frente, pela via da qualidade, &amp;agrave; constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de unidades em empreendimentos unicamente residenciais e perif&amp;eacute;ricos. O novo Minha Casa Minha Vida contempla a&amp;ccedil;&amp;otilde;es nesse sentido, conhecidas popularmente como &amp;ldquo;&lt;em&gt;retrofit&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. O Esp&amp;iacute;rito Santo, segundo os dados do Censo 2022, disp&amp;otilde;e de pouco mais de 220 mil domic&amp;iacute;lios vagos, sendo quase 100 mil na RMGV. Para se ter uma ideia, em 2021, o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), com base no Cad&amp;Uacute;nico, contabilizou um total de 102.105 fam&amp;iacute;lias em d&amp;eacute;ficit habitacional na Regi&amp;atilde;o Metropolitana.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Seja pela via da urbaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, seja pela da reabilita&amp;ccedil;&amp;atilde;o de im&amp;oacute;veis ociosos, bons exemplos em d&amp;eacute;cadas passadas foram executados na RMGV e devem ser avaliados, redesenhados e retomados, com aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; vida humana, &amp;agrave; an&amp;aacute;lise de riscos e ao aproveitamento das infraestruturas existentes.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Latussa Bianca Laranja Monteiro&amp;nbsp;&amp;eacute; Doutora em Planejamento Urbano e Regional, Professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFES e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Bruno Casotti Louzada&amp;nbsp;&amp;eacute;&amp;nbsp;Mestre em Arquitetura e Urbanismo, Coordenador de Geoprocessamento do IJSN e pesquisador do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Liziane de Oliveira Jorge&amp;nbsp;&amp;eacute;&amp;nbsp;Doutora em Arquitetura e Urbanismo, Professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de P&amp;oacute;s-Gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o em Arquitetura e Urbanismo, UFES).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/compartilhar-Moradia-digna-o-que-podem-os-municipios</guid></item><item><title>Artigo - Entenda porque o feminicídio não é um bom indicador para violência doméstica contra mulheres</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/compartilhar-Feminic%C3%ADdio-n%C3%A3o-%C3%A9-um-bom-indicador-para-viol%C3%AAncia-contra-mulheres</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Thiago de Carvalho Guadalupe e Luiz Carlos Santos de Jesus&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;Em 1994, a Conven&amp;ccedil;&amp;atilde;o Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Viol&amp;ecirc;ncia contra a Mulher, popularmente conhecida como a Conven&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Bel&amp;eacute;m do Par&amp;aacute;, chegou a seguinte defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o para a viol&amp;ecirc;ncia contra as mulheres: &amp;ldquo;qualquer a&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou conduta, baseada no g&amp;ecirc;nero, que cause morte, dano ou sofrimento f&amp;iacute;sico, sexual ou psicol&amp;oacute;gico &amp;agrave; mulher, tanto no &amp;acirc;mbito p&amp;uacute;blico como no privado&amp;rdquo;. Ou seja, trata-se de um tipo de viol&amp;ecirc;ncia que se manifesta de v&amp;aacute;rias maneiras e atinge as mulheres de forma ampla.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nesse cen&amp;aacute;rio, a&amp;ccedil;&amp;otilde;es e pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas foram formuladas nos &amp;uacute;ltimos anos para combater essas viol&amp;ecirc;ncias. A Lei Maria da Penha (Lei n&amp;ordm; 11.340/2006) foi um marco importante para o combate e preven&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; viol&amp;ecirc;ncia contra a mulher no Brasil. Em 2015, a Lei n&amp;ordm; 13.104/2015 representou mais um avan&amp;ccedil;o, prevendo o feminic&amp;iacute;dio como circunst&amp;acirc;ncia qualificadora do crime de homic&amp;iacute;dio no C&amp;oacute;digo Penal.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O feminic&amp;iacute;dio &amp;eacute; um tipo de viol&amp;ecirc;ncia letal contra a mulher que pode ocorrer como desdobramento das outras formas de viol&amp;ecirc;ncia dom&amp;eacute;stica tipificadas pela Lei Maria da Penha. No entanto, importante salientar que configura apenas um dos diversos tipos de viol&amp;ecirc;ncia aplicada contra as mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Buscar compreender a din&amp;acirc;mica criminal, que ocorre de forma espec&amp;iacute;fica contra mulheres, &amp;eacute; muito relevante para que as pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas neste campo de atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o sejam assertivas. Entretanto, a&amp;ccedil;&amp;otilde;es advindas destas pol&amp;iacute;ticas poder&amp;atilde;o contribuir melhor para uma cultura de paz e qualidade de vida para as mulheres, a partir da utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o correta de seus respectivos indicadores. No caso do indicador de feminic&amp;iacute;dio, o uso dele para resumir a viol&amp;ecirc;ncia dom&amp;eacute;stica contra as mulheres n&amp;atilde;o &amp;eacute; correto.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; justificada quando n&amp;uacute;meros s&amp;atilde;o traduzidos de forma rasa para a sociedade, quando por exemplo, observa-se que o n&amp;uacute;mero de 11 feminic&amp;iacute;dios ocorridos em 2023 nos munic&amp;iacute;pios da Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (Cariacica, Fund&amp;atilde;o, Guarapari, Serra, Viana, Vila Velha, e Vit&amp;oacute;ria), &amp;eacute; menor que o de 15 feminic&amp;iacute;dios ocorridos em 2021 tamb&amp;eacute;m na RMGV, significa 4 feminic&amp;iacute;dios a menos, mas n&amp;atilde;o quer dizer redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o da viol&amp;ecirc;ncia dom&amp;eacute;stica contra as mulheres nesse mesmo per&amp;iacute;odo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em todo o territ&amp;oacute;rio do Esp&amp;iacute;rito Santo, mais de 87 mil mulheres foram v&amp;iacute;timas de algum tipo de viol&amp;ecirc;ncia dom&amp;eacute;stica entre 2019 e 2023 (*dados da SESP), com aumento de 10% no n&amp;uacute;mero de v&amp;iacute;timas nos &amp;uacute;ltimos dois anos. A maioria das v&amp;iacute;timas se concentra nos munic&amp;iacute;pios da Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (RMGV). Somente nos &amp;uacute;ltimos cinco anos mais de 33 mil mulheres que residem na RMGV foram v&amp;iacute;timas de viol&amp;ecirc;ncia dom&amp;eacute;stica. Os casos de feminic&amp;iacute;dio, por sua vez, permaneceram est&amp;aacute;veis no ES, com 35 v&amp;iacute;timas em 2022 e 2023, e m&amp;eacute;dia de 11,5 v&amp;iacute;timas na RMGV entre 2020 e 2023.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Dentre as tipifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es da Lei Maria da Penha, o incidente mais registrado foi o de amea&amp;ccedil;a, em todos os anos. Somente em 2023 cerca de 2.311 mulheres sofreram algum tipo de amea&amp;ccedil;a. O descumprimento de medida protetiva e a les&amp;atilde;o corporal tamb&amp;eacute;m registraram elevado n&amp;uacute;mero de ocorr&amp;ecirc;ncias no per&amp;iacute;odo. Dentre os munic&amp;iacute;pios que comp&amp;otilde;em a RMGV, as cidades de Vila Velha, Serra e Cariacica registraram a maior quantidade de ocorr&amp;ecirc;ncias. Entre os munic&amp;iacute;pios do interior destacam-se Cachoeiro, Linhares, Colatina, Aracruz e S&amp;atilde;o Mateus que figuram entre os dez munic&amp;iacute;pios com mais v&amp;iacute;timas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ap&amp;oacute;s um hist&amp;oacute;rico de neglig&amp;ecirc;ncia com essa problem&amp;aacute;tica, at&amp;eacute; a pouco no Brasil ouvia-se que essa era uma quest&amp;atilde;o de esfera privada, &amp;eacute; s&amp;oacute; lembrar do infeliz ditado popular &amp;ldquo;em briga de marido e mulher n&amp;atilde;o se mete a colher&amp;rdquo;, mesmo sendo pass&amp;iacute;vel de cr&amp;iacute;tica, a Lei Maria da Penha &amp;eacute; did&amp;aacute;tica em ilustrar a viol&amp;ecirc;ncia contra as mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Agora, para o entendimento desse tipo de criminalidade nos centros urbanos, &amp;eacute; preciso aprender a fazer uso das ferramentas corretas, para que o monitoramento e avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o destas pol&amp;iacute;ticas sejam eficazes e proporcionem maior seguran&amp;ccedil;a para a vida social independente de g&amp;ecirc;nero. N&amp;uacute;meros como o aumento de 17% de casos de estupro de mulheres no ES entre 2020 e 2023, e o de 54 mulheres vitimadas por dia por viol&amp;ecirc;ncia dom&amp;eacute;stica em 2023, exemplificam a necessidade de acompanhamento dessa quest&amp;atilde;o atrav&amp;eacute;s da complexidade que a mesma exige.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Thiago de Carvalho Guadalupe&lt;/em&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&amp;eacute; doutorando em Pol&amp;iacute;tica Social, mestre em Sociologia, e Coordenador do Observat&amp;oacute;rio da Seguran&amp;ccedil;a Cidad&amp;atilde; do IJSN.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Luiz Carlos Santos de Jesus&lt;/em&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&amp;eacute; graduando em Ci&amp;ecirc;ncias Econ&amp;ocirc;micas pela UFES e estagi&amp;aacute;rio no Observat&amp;oacute;rio da Seguran&amp;ccedil;a Cidad&amp;atilde; do IJSN.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/compartilhar-Feminic%C3%ADdio-n%C3%A3o-%C3%A9-um-bom-indicador-para-viol%C3%AAncia-contra-mulheres</guid></item><item><title>Artigo - Empoderamento dos conselhos: por mais lutas pautadas no interesse coletivo</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/compartilhar-Empoderamento-dos-conselhos-por-mais-lutas-pautadas-no-interesse-coletivo</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Isabella Batalha Muniz Barbosa e Clemir Regina Pela Meneghel&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Falar sobre participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o social exige repensar seu conceito historicamente, a sua din&amp;acirc;mica que perpassa por v&amp;aacute;rias dimens&amp;otilde;es, e como se faz revelar na contemporaneidade no &amp;acirc;mbito da Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (RMGV). Nessa perspectiva, &amp;eacute; importante ressaltar o contexto crescente de inova&amp;ccedil;&amp;otilde;es tecnol&amp;oacute;gicas que mudaram as formas de representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e de constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es coletivas na esfera p&amp;uacute;blica.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Vale refletir se a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o social, inserida em novos contextos de redes, tem alcan&amp;ccedil;ado &amp;ecirc;xito em suas demandas junto ao poder local, e se os seus desdobramentos t&amp;ecirc;m respaldado o interesse coletivo, j&amp;aacute; que as redes n&amp;atilde;o se esgotam a uma territorialidade restrita, e sim perpassa para al&amp;eacute;m dela. Portanto, os desafios est&amp;atilde;o postos em inst&amp;acirc;ncias de articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o e rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de poder ampliadas territorialmente. Desse modo, como a sociedade se insere, participa e se faz representar neste contexto de fluxo permanente?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Na composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos conselhos de gest&amp;atilde;o urbana da RMGV que, em sua maioria, &amp;eacute; tripartite, com representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o parit&amp;aacute;ria do poder p&amp;uacute;blico, sociedade civil e setor produtivo, ainda assim h&amp;aacute; um desequil&amp;iacute;brio de for&amp;ccedil;as entre defesa dos interesses privados e coletivos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, cresce a percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o de apatia e a indiferen&amp;ccedil;a por parte da sociedade em ocupar estes espa&amp;ccedil;os e defender seus interesses institucionalmente, seja por descr&amp;eacute;dito, seja por distanciamento da pr&amp;aacute;tica da gest&amp;atilde;o urbana, e desse modo, acabam sendo ocupados por representantes da for&amp;ccedil;a majorit&amp;aacute;ria do mercado empresarial.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O espa&amp;ccedil;o p&amp;uacute;blico tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; um espa&amp;ccedil;o de disputa e de luta, entretanto, bastante desigual no que se refere ao acesso aos equipamentos urbanos, &amp;agrave; mobilidade, ao lazer, dentre outros, o que traz dificuldades cotidianas, especialmente para popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de baixa renda.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Os movimentos ativistas contempor&amp;acirc;neos se caracterizam de certa forma, como uma retomada da participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o c&amp;iacute;vica e solid&amp;aacute;ria &amp;agrave; causa p&amp;uacute;blica e entendem a cidade como o l&amp;oacute;cus da diversidade e da contesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, por onde clamam direitos e demandam por cidades mais saud&amp;aacute;veis e sustent&amp;aacute;veis. Desse modo, o ativismo urbano tem atuado legitimamente em diversas causas, por&amp;eacute;m de forma fragmentada, e tem se mostrado ineficiente para convergir a sociedade como um todo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A efetividade nas tomadas de decis&amp;otilde;es, que tem uma base ideol&amp;oacute;gica e pol&amp;iacute;tica, depende muito do poder de barganha do que cada grupo social exerce, e sua capacidade de articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o a outros segmentos da sociedade e da pol&amp;iacute;tica partid&amp;aacute;ria.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nessa perspectiva, vale uma reflex&amp;atilde;o propositiva de fortalecimento dos processos participativos da sociedade; capacita&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos conselheiros, emponderando-os e discutindo com eles o quanto &amp;eacute; importante que suas lutas sejam pautadas no interesse coletivo, em detrimento das pautas de interesse privado. H&amp;aacute; que se pensar tamb&amp;eacute;m sobre a composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o, nestas estruturas institucionais, que t&amp;ecirc;m um papel relevante na pol&amp;iacute;tica de desenvolvimento urbano das cidades.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Isabella Batalha Muniz Barbosa &amp;eacute; doutora em Arquitetura e Urbanismo e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Clemir Regina Pela Meneghel &amp;eacute; mestre em Arquitetura e Urbanismo e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/compartilhar-Empoderamento-dos-conselhos-por-mais-lutas-pautadas-no-interesse-coletivo</guid></item><item><title>Artigo - Pesquisas de vitimização precisam fazer parte das políticas de segurança pública para as cidades</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/compartilhar-Pesquisas-de-vitimiza%C3%A7%C3%A3o-precisam-fazer-parte-das-pol%C3%ADticas-de-seguran%C3%A7a-p%C3%BAblica-para-as-cidades</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Thiago de Carvalho Guadalupe e Domitila Costa Cayres&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Compreender a din&amp;acirc;mica da viol&amp;ecirc;ncia e da criminalidade nos centros urbanos perpassa diversos aspectos para al&amp;eacute;m das a&amp;ccedil;&amp;otilde;es de repress&amp;atilde;o policial. Pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas que proporcionem qualidade de vida para a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o afetam diretamente na sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de seguran&amp;ccedil;a daqueles que vivem hoje nas metr&amp;oacute;poles.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Dessa forma, apresenta-se uma quest&amp;atilde;o relevante: por que a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; t&amp;atilde;o pouca ouvida no momento de formula&amp;ccedil;&amp;atilde;o das pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas de seguran&amp;ccedil;a no Brasil? A maioria dos programas de seguran&amp;ccedil;a faz uso (apenas) de registros oficias para subs&amp;iacute;dio de suas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es nas cidades. Considerar como realidade apenas aquilo que se transforma em ocorr&amp;ecirc;ncia pode provocar s&amp;eacute;rias distor&amp;ccedil;&amp;otilde;es no cotidiano metropolitano.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Estudos como o do pesquisador Leandro Piquet Carneiro, realizado em 2007, apontam que as experi&amp;ecirc;ncias bem sucedidas de redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do crime, como nos casos de Bogot&amp;aacute; e Nova York, t&amp;ecirc;m demonstrado que o uso adequado de informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es &amp;eacute; fundamental para o planejamento e a implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de medidas eficazes na &amp;aacute;rea da seguran&amp;ccedil;a p&amp;uacute;blica. Por isso, contam com a escuta das v&amp;iacute;timas, o que proporciona um melhor detalhamento sobre a magnitude, natureza e extens&amp;atilde;o do crime e dos atores da desordem.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A pesquisa de vitimiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; a principal ferramenta para captar a percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o das v&amp;iacute;timas. Michael R. Gottfredson, desde a d&amp;eacute;cada de 1980, sinaliza que ela: proporciona informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es complementares para estudo do crime e circunst&amp;acirc;ncias da ocorr&amp;ecirc;ncia; estima a propor&amp;ccedil;&amp;atilde;o de eventos criminais n&amp;atilde;o registrados pela pol&amp;iacute;cia (cifras ocultas); oferece par&amp;acirc;metros para avaliar a disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o das v&amp;iacute;timas em acionar a pol&amp;iacute;cia, perfil da v&amp;iacute;tima e o que determina o recurso &amp;agrave; pol&amp;iacute;cia; possibilita estimar o custo do crime; permite avaliar o envolvimento das v&amp;iacute;timas no ocorrido; e proporciona mensurar a confian&amp;ccedil;a nas institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es de seguran&amp;ccedil;a.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No entanto, enquanto no Brasil ainda temos iniciativas pontuais e sem continuidade, experi&amp;ecirc;ncias internacionais t&amp;ecirc;m integrado as pesquisas de vitimiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao processo de tomada de decis&amp;atilde;o na &amp;aacute;rea de seguran&amp;ccedil;a. Como exemplo, o Relat&amp;oacute;rio do DataFolha/CRISP, da Pesquisa Nacional de Vitimiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 2013, relata que o &lt;em&gt;National Crime Victimization Survey&lt;/em&gt; (NCVS) &amp;eacute; aplicado nos Estados Unidos desde 1973. O survey &amp;eacute; administrado pelo &lt;em&gt;U.S. Census Bureau&lt;/em&gt;, o que lhe confere um status de pol&amp;iacute;tica p&amp;uacute;blica com garantia de recursos para sua manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&amp;Eacute; evidente, o quanto as pesquisas de vitimiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o podem contribuir para a gest&amp;atilde;o das pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas de seguran&amp;ccedil;a e o estabelecimento dessa cultura passa pela regularidade de levantamentos (ao menos anuais) e, n&amp;atilde;o menos importante, a inclus&amp;atilde;o dos seus dados nos sistemas de informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de registros oficiais. A complementariedade entre as ocorr&amp;ecirc;ncias registradas e os relatos de vitimiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o potencializar&amp;atilde;o um servi&amp;ccedil;o de seguran&amp;ccedil;a p&amp;uacute;blica muito mais eficaz para a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos centros urbanos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nesse sentido, uma in&amp;eacute;dita pesquisa de vitimiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o est&amp;aacute; sendo desenvolvida pelo Governo do Estado do Esp&amp;iacute;rito Santo em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) dado o reconhecimento de que a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de bons diagn&amp;oacute;sticos em seguran&amp;ccedil;a p&amp;uacute;blica &amp;eacute; fundamental para a implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de medidas eficazes no combate &amp;agrave; viol&amp;ecirc;ncia nas cidades.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A pesquisa pretende obter informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es sobre os tipos e a gravidade dos delitos sofridos pelos capixabas, as circunst&amp;acirc;ncias de ocorr&amp;ecirc;ncia, o perfil das v&amp;iacute;timas e os motivos que levam muitas pessoas a n&amp;atilde;o reportarem os casos &amp;agrave;s for&amp;ccedil;as de seguran&amp;ccedil;a. Ir&amp;aacute; explorar ainda os sentimentos de inseguran&amp;ccedil;a partilhados nas cidades e as percep&amp;ccedil;&amp;otilde;es de confian&amp;ccedil;a nas pol&amp;iacute;cias, dando pistas para entender como esses aspectos incidem, direta ou indiretamente, nas configura&amp;ccedil;&amp;otilde;es urbanas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Iniciativas como essa revelam o universo &amp;ldquo;n&amp;atilde;o oficial&amp;rdquo; da vitimiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o vivida no cotidiano dos moradores da cidade e convidam a outro compasso, aquele dado por instrumentos de gest&amp;atilde;o baseados em evid&amp;ecirc;ncias.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Thiago de Carvalho Guadalupe&lt;/em&gt;&lt;em&gt; &amp;eacute; doutorando em Pol&amp;iacute;tica Social, mestre em Sociologia, e Coordenador do Observat&amp;oacute;rio da Seguran&amp;ccedil;a Cidad&amp;atilde; do IJSN.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Domitila Costa Cayres&lt;/em&gt;&lt;em&gt; &amp;eacute; p&amp;oacute;s-doutora em Ci&amp;ecirc;ncias Sociais, consultora da UGP/SEDH e atua na execu&amp;ccedil;&amp;atilde;o t&amp;eacute;cnica da Pesquisa de Vitimiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Esp&amp;iacute;rito Santo. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/compartilhar-Pesquisas-de-vitimiza%C3%A7%C3%A3o-precisam-fazer-parte-das-pol%C3%ADticas-de-seguran%C3%A7a-p%C3%BAblica-para-as-cidades</guid></item><item><title>Artigo - Planos, Conselhos e Fundos: Estrutura mínima para uma gestão urbana participativa</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/compartilhar-Planos-Conselhos-e-Fundos-Estrutura-m%C3%ADnima-para-uma-gest%C3%A3o-urbana-participativa</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Clemir Meneghel e Cynthia Miranda&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O federalismo brasileiro, consolidado pela Constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o Federal de 1988 e pelo Estatuto da Cidade, atribuiu aos munic&amp;iacute;pios mais poder na gest&amp;atilde;o do uso do solo e das demais pol&amp;iacute;ticas urbanas, o que leva &amp;agrave; necess&amp;aacute;ria c&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O planejamento e a gest&amp;atilde;o municipal s&amp;atilde;o fundamentais no desenvolvimento urbano e na implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas, a partir de instrumentos dispon&amp;iacute;veis no arcabou&amp;ccedil;o legal. Os instrumentos de gest&amp;atilde;o municipal visam, primordialmente, a garantia do pleno desenvolvimento das fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es sociais da cidade e da participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o democr&amp;aacute;tica nos processos decis&amp;oacute;rios. &lt;span style="text-decoration: line-through;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O Painel da Gest&amp;atilde;o Municipal, desenvolvido pelo Instituto Jones dos Santos Neves &amp;ndash; IJSN, apresenta os resultados de pesquisa acerca dos instrumentos de gest&amp;atilde;o existentes nos munic&amp;iacute;pios do Esp&amp;iacute;rito Santo, especificamente Planos, Conselhos e Fundos, em cinco setoriais: Desenvolvimento Territorial; Habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o; Saneamento B&amp;aacute;sico; Mobilidade Urbana; Gest&amp;atilde;o de Riscos. Os resultados foram obtidos inteiramente por meio de pesquisa online, predominantemente em sites oficiais das prefeituras e c&amp;acirc;maras municipais.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No Painel, al&amp;eacute;m dos resultados gerais para cada instrumento pesquisado, tamb&amp;eacute;m foi utilizado o crit&amp;eacute;rio da &amp;ldquo;estrutura m&amp;iacute;nima&amp;rdquo;, que considera a exist&amp;ecirc;ncia concomitante de Plano, Conselho e Fundo como fundamental para uma gest&amp;atilde;o municipal mais efetiva e participativa. Al&amp;eacute;m disso, foram analisadas, de forma sint&amp;eacute;tica, as obrigatoriedades referentes aos Planos previstos em Lei, a partir do Estatuto da Cidade e das pol&amp;iacute;ticas e planos nacionais pertinentes.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; RMGV, o melhor resultado ocorre no tema Desenvolvimento Territorial: todos os munic&amp;iacute;pios possuem estrutura m&amp;iacute;nima, ou seja, disp&amp;otilde;em de Plano Diretor Municipal (PDM), Conselhos e Fundos de Pol&amp;iacute;tica Urbana ou similar.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Quanto &amp;agrave; Habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o, apenas tr&amp;ecirc;s munic&amp;iacute;pios possuem estrutura m&amp;iacute;nima. Mas cabe destacar que todos disp&amp;otilde;em de Fundo, resultado este que pode estar relacionado com a necessidade de sua institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o para que os munic&amp;iacute;pios recebam recursos da Uni&amp;atilde;o por meio do SNHIS/FNHIS &amp;ndash; Sistema e Fundo Nacional de Habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Interesse Social.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O painel aponta ainda que todos os munic&amp;iacute;pios da RMGV disp&amp;otilde;em de Plano de Saneamento, cinco possuem Plano de Mobilidade e nenhum possui estrutura m&amp;iacute;nima nas duas setoriais. O que ocorre &amp;eacute; que geralmente os Conselhos e Fundos n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o exclusivos, e sim compartilhados com outras pol&amp;iacute;ticas, como meio ambiente e pol&amp;iacute;tica urbana, respectivamente, mas nem sempre com o devido destaque e import&amp;acirc;ncia.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; Gest&amp;atilde;o de Riscos, foi pesquisada apenas a exist&amp;ecirc;ncia de Plano (quatro munic&amp;iacute;pios possuem), visto que Conselhos e Fundos espec&amp;iacute;ficos s&amp;atilde;o inexistentes.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O Painel da Gest&amp;atilde;o Municipal, como um panorama atualizado e permanente, pode ser uma refer&amp;ecirc;ncia de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e acompanhamento dos instrumentos de planejamento e gest&amp;atilde;o municipal, a ser replicado e aperfei&amp;ccedil;oado, podendo, ainda, subsidiar a avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o da efetividade destes instrumentos no exerc&amp;iacute;cio da participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e controle social das pol&amp;iacute;ticas setoriais.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Vale ressaltar que somente a exist&amp;ecirc;ncia da estrutura m&amp;iacute;nima, e sua institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o por lei, n&amp;atilde;o garante, necessariamente, uma boa gest&amp;atilde;o p&amp;uacute;blica participativa. A mesma depende de um conjunto de fatores que v&amp;atilde;o, dentre outros, da vontade pol&amp;iacute;tica da lideran&amp;ccedil;a maior, o prefeito; de uma equipe t&amp;eacute;cnica especializada para desenvolver as pol&amp;iacute;ticas setoriais; dos conselhos desempenhando seu papel como instrumentos de controle social, bem como de lideran&amp;ccedil;as locais comprometidas com as causas coletivas.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Clemir Regina Pela Meneghel &amp;eacute; mestre em Arquitetura e Urbanismo e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Cynthia Lopes Pessoa de Miranda &amp;eacute; mestre em Arquitetura e Urbanismo e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/compartilhar-Planos-Conselhos-e-Fundos-Estrutura-m%C3%ADnima-para-uma-gest%C3%A3o-urbana-participativa</guid></item><item><title>Artigo - Compartilhar a gestão metropolitana sem renunciar à autonomia municipal, é possível?</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/compartilhar-a-gestao-metropolitana-sem-renunciar-a-autonomia-municipal-e-possivel</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Clemir Meneghel,&amp;nbsp;Latussa Laranja e Bruno Louzada&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O federalismo brasileiro, consolidado pela Constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o Federal de 1988 e pelo Estatuto da Cidade, atribuiu aos munic&amp;iacute;pios mais poder na gest&amp;atilde;o do uso do solo e das demais pol&amp;iacute;ticas urbanas, o que leva &amp;agrave; necess&amp;aacute;ria concerta&amp;ccedil;&amp;atilde;o de for&amp;ccedil;as para fazer frente a quest&amp;otilde;es que extrapolam os limites municipais. Embora haja possibilidade de atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o conjunta entre diferentes entes por meio dos Cons&amp;oacute;rcios P&amp;uacute;blicos, as regi&amp;otilde;es metropolitanas s&amp;atilde;o o arranjo mais &amp;oacute;bvio para a coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A centralidade da quest&amp;atilde;o metropolitana na urbaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o planet&amp;aacute;ria exige repensar a complexidade da coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o interfederativa frente &amp;agrave; autonomia municipal. Este fato, conjugado com o calend&amp;aacute;rio eleitoral, exp&amp;otilde;e a necessidade de se redesenhar um sistema de gest&amp;atilde;o compartilhada nas regi&amp;otilde;es metropolitanas com aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s Fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es P&amp;uacute;blicas de Interesse Comum (FPICs), no intuito de possibilitar a continuidade do planejamento, independente de diverg&amp;ecirc;ncias pol&amp;iacute;tico/partid&amp;aacute;rias.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Da mesma forma, a autonomia municipal em planejar seu territ&amp;oacute;rio deveria considerar os benef&amp;iacute;cios de um correto equacionamento interfederativo de outras FPICs para ampliar resultados claros &amp;agrave; sociedade. Por exemplo, res&amp;iacute;duos s&amp;oacute;lidos e tratamento de efluentes, s&amp;atilde;o altamente relevantes para o equil&amp;iacute;brio ambiental e qualidade de vida em uma metr&amp;oacute;pole litor&amp;acirc;nea. &amp;Eacute; ineg&amp;aacute;vel a import&amp;acirc;ncia das &amp;aacute;guas como elemento b&amp;aacute;sico de sustenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o da vida, mas tamb&amp;eacute;m constituinte da paisagem que tem o estu&amp;aacute;rio do Rio Santa Maria da Vit&amp;oacute;ria como centro geogr&amp;aacute;fico.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em atendimento ao Estatuto, a aprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI/2017) implicaria a necess&amp;aacute;ria revis&amp;atilde;o e adequa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos Planos Diretores Municipais &amp;agrave;s tem&amp;aacute;ticas metropolitanas. Em vista disso, o PDUI buscou uma constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o para al&amp;eacute;m dos limites municipais, oferecendo um caminho para o planejamento por meio dos temas comuns da qualidade ambiental e urbana, mobilidade e sustentabilidade social e econ&amp;ocirc;mica.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos gestores e t&amp;eacute;cnicos municipais na elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do PDUI da Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria contribuiu para a inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o da tem&amp;aacute;tica metropolitana em alguns Planos Diretores Municipais (PDMs) da Regi&amp;atilde;o, entretanto, de modo desigual. Enquanto alguns munic&amp;iacute;pios apontam quest&amp;otilde;es mais urgentes como a mobilidade urbana, outros abordam o desenvolvimento econ&amp;ocirc;mico e tur&amp;iacute;stico, a prote&amp;ccedil;&amp;atilde;o ambiental e paisag&amp;iacute;stica e a pol&amp;iacute;tica habitacional, e outros simplesmente n&amp;atilde;o citam a RMGV no texto do PDM. Dentre os sete munic&amp;iacute;pios que comp&amp;otilde;em a RMGV, quatro tiveram seus PDMs revisados ap&amp;oacute;s o PDUI, sendo que um deles, um dos mais populosos, n&amp;atilde;o incorporou as diretrizes do PDUI. Um quinto munic&amp;iacute;pio editou uma lei para adequar o PDM, conforme previsto pelo Estatuto da Metr&amp;oacute;pole.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mas o PDUI pode contribuir mais. Os instrumentos e as diretrizes do Plano podem servir como subs&amp;iacute;dio program&amp;aacute;tico para a sustentabilidade regional mantendo a autonomia local, ao mesmo tempo que subsidia a converg&amp;ecirc;ncia das a&amp;ccedil;&amp;otilde;es regionais. De toda forma, o controle social &amp;eacute; chave para a continuidade do planejamento de base participativa. Do contr&amp;aacute;rio, os setores mobilizados para a elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o podem desistir do Plano enquanto um instrumento v&amp;aacute;lido.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Talvez a solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o passe pela cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma estrutura aut&amp;ocirc;noma, no modelo de uma ag&amp;ecirc;ncia, ou talvez por estruturas respons&amp;aacute;veis por FPICs, a exemplo do transporte coletivo e saneamento, capazes de gerenciar a governan&amp;ccedil;a das fun&amp;ccedil;&amp;otilde;es comuns que interferem diretamente na qualidade de vida das pessoas. Importa pesar, no entanto, o alcance das estruturas de gest&amp;atilde;o nos aspectos pol&amp;iacute;ticos. Dada a representatividade populacional e produtiva da RMGV, uma &amp;uacute;nica estrutura a cargo de todas as FPICs, teria um calibre pol&amp;iacute;tico relevante no contexto estadual.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em todo caso, &amp;eacute; vital se questionar a representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o social na composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Conselho Metropolitano de Desenvolvimento de Vit&amp;oacute;ria (Comdevit), criado em 2005. O esvaziamento do controle social leva ao esvaziamento do Conselho e pode paradoxalmente, tanto demonstrar pouco interesse pol&amp;iacute;tico pelo tema metropolitano, quanto sinalizar desinteresse em compartilhar dividendos pol&amp;iacute;tico/partid&amp;aacute;rios de a&amp;ccedil;&amp;otilde;es exitosas, ainda que &amp;agrave;s custas da coletividade metropolitana.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Clemir Regina Pela Meneghel (Mestre em Arquitetura e Urbanismo e Pesquisadora do INCT/Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Latussa Bianca Laranja Monteiro (Doutora em Arquitetura e Urbanismo, Professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFES e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria - Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Bruno Casotti Louzada (Mestre em Arquitetura e Urbanismo, Coordenador de Geoprocessamento do IJSN e pesquisador do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria - Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/compartilhar-a-gestao-metropolitana-sem-renunciar-a-autonomia-municipal-e-possivel</guid></item><item><title>Artigo - Plano Diretor Urbano Integrado da RMGV, onde está o impasse?</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/plano-diretor-urbano-integrado-da-rmgv-onde-esta-o-impasse</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Bruno Louzada,&amp;nbsp;Latussa Laranja e Clemir Meneghel&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Desde 2017, a Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (RMGV), apoiada por um sistema gestor criado em 2005, conta com um Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI), publicado como Lei Complementar Estadual 872/2017, segundo os conceitos e as diretrizes para o planejamento das Regi&amp;otilde;es Metropolitanas estabelecidos no Estatuto da Metr&amp;oacute;pole. A RMGV foi a &amp;uacute;nica no Brasil a cumprir o prazo inicial estabelecido. Mas o que isso significa para o dia a dia de quem vive na metr&amp;oacute;pole capixaba?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O PDUI teve a tarefa de planejar o que &amp;eacute; comum aos sete munic&amp;iacute;pios da RMGV, para garantir que mais e mais cidad&amp;atilde;os se beneficiem das oportunidades de viver na metr&amp;oacute;pole, diminuindo as desigualdades que marcam as condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de vida entre os munic&amp;iacute;pios. Estamos falando de seguran&amp;ccedil;a frente a riscos ambientais e sanit&amp;aacute;rios, acesso a trabalho e lazer, mobilidade urbana justa e sustent&amp;aacute;vel, e gest&amp;atilde;o territorial comprometida com a melhoria da qualidade de vida dos mais vulner&amp;aacute;veis. O resultado &amp;eacute; composto por um conjunto de Diretrizes, Pol&amp;iacute;ticas e A&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Ent&amp;atilde;o, se o planejamento metropolitano existe e, ainda que n&amp;atilde;o aborde temas importantes como habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o, serve de diretriz para implementa&amp;ccedil;&amp;otilde;es importantes, o que falta para avan&amp;ccedil;ar mais na coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o metropolitana? Como garantir que o esfor&amp;ccedil;o de constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva de t&amp;eacute;cnicos e da sociedade seja considerado na tomada de decis&amp;otilde;es a respeito dos projetos que ser&amp;atilde;o importantes para os pr&amp;oacute;ximos anos? Como dar respostas conjuntas aos desafios comuns e que se apresentam sempre com nova face, a exemplo das consequ&amp;ecirc;ncias da pandemia de Covid-19, que aprofundou as diferen&amp;ccedil;as entre os mais ricos e os mais pobres?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&amp;Eacute; importante ressaltar que a gest&amp;atilde;o metropolitana se faz de forma coletiva, com a necess&amp;aacute;ria participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos entes federativos que a comp&amp;otilde;em: Estado e munic&amp;iacute;pios. Isso faz com que se imponha o di&amp;aacute;logo, a coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o e o esp&amp;iacute;rito p&amp;uacute;blico para a resolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos desafios e a concretiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos projetos constru&amp;iacute;dos em fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o de interesses comuns, superando as diferen&amp;ccedil;as, mas respeitando as especificidades de cada ente. Isso n&amp;atilde;o &amp;eacute; uma tarefa f&amp;aacute;cil, exigindo um esfor&amp;ccedil;o de lideran&amp;ccedil;a e de fortalecimento das inst&amp;acirc;ncias democr&amp;aacute;ticas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Uma sugest&amp;atilde;o, ainda que &amp;oacute;bvia, passa por ampliar os espa&amp;ccedil;os de participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o na governan&amp;ccedil;a metropolitana, de modo a tornar o controle social o contrapeso necess&amp;aacute;rio frente &amp;agrave;s mudan&amp;ccedil;as trazidas por elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es a cada dois anos, que reconfiguram o quadro administrativo e pol&amp;iacute;tico do Estado e dos munic&amp;iacute;pios. Em outras palavras, para manter o protagonismo observado na fase de elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Plano, a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o social deve estar presente e com peso equivalente, nas etapas do p&amp;oacute;s-planejamento: execu&amp;ccedil;&amp;atilde;o e acompanhamento.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;At&amp;eacute; que se revejam os mecanismos de incentivo, como por exemplo, acesso a recursos, manter o di&amp;aacute;logo aberto depende da disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos gestores eleitos e da composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do mosaico pol&amp;iacute;tico a cada momento. Um novo alento, no n&amp;iacute;vel nacional, foi a institui&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Pol&amp;iacute;tica Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU) e a retomada das Confer&amp;ecirc;ncias Nacional, Estaduais e Municipais das Cidades, depois de um hiato de seis anos. Esse hiato acabou por desmobilizar relevantes mecanismos e espa&amp;ccedil;os de discuss&amp;otilde;es que s&amp;atilde;o fundamentais para o fortalecimento da gest&amp;atilde;o democr&amp;aacute;tica, participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o popular e controle social.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A pauta nacional deve ser a prioriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos arranjos metropolitanos, com um modelo estrutural da governan&amp;ccedil;a metropolitana, com mudan&amp;ccedil;as no estatuto das metr&amp;oacute;poles, regulamentando e dando for&amp;ccedil;a aos &amp;oacute;rg&amp;atilde;os de gest&amp;atilde;o interfederativa.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No n&amp;iacute;vel local, os dados do &amp;uacute;ltimo Censo IBGE mostram o aumento maior da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o nos munic&amp;iacute;pios vizinhos &amp;agrave; capital, Vit&amp;oacute;ria, e imp&amp;otilde;em uma rediscuss&amp;atilde;o da correla&amp;ccedil;&amp;atilde;o de for&amp;ccedil;as para a resolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos problemas que afetam a maioria da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o da RMGV. As elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es municipais que se aproximam trazem uma nova oportunidade de colocar o tema metropolitano em debate, e de fortalecer o di&amp;aacute;logo entre entes federativos e sociedade civil, com o compromisso republicano e democr&amp;aacute;tico das lideran&amp;ccedil;as pol&amp;iacute;ticas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Bruno Casotti Louzada (Mestre em Arquitetura e Urbanismo, Coordenador de Geoprocessamento do IJSN e pesquisador do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria - Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Latussa Bianca Laranja Monteiro (Doutora em Arquitetura e Urbanismo, Professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFES e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria - Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Clemir Regina Pela Meneghel (Mestre em Arquitetura e Urbanismo e Pesquisadora do INCT/Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/plano-diretor-urbano-integrado-da-rmgv-onde-esta-o-impasse</guid></item><item><title>Artigo - Participação da sociedade é o gargalo da gestão metropolitana?</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/participacao-da-sociedade-e-o-gargalo-da-gestao-metropolitana</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Latussa Laranja, Bruno Louzada e Clemir Meneghel&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (RMGV) conta com uma estrutura de governan&amp;ccedil;a composta pelo Conselho Metropolitano de Desenvolvimento da Grande Vit&amp;oacute;ria (Comdevit) e um &amp;oacute;rg&amp;atilde;o de apoio t&amp;eacute;cnico &amp;agrave; gest&amp;atilde;o metropolitana, o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). Essa estrutura foi respons&amp;aacute;vel pela elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos &amp;ldquo;Estudos para o desassoreamento e regulariza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos leitos dos Rios Jucu, Formate e Marinho&amp;rdquo;, do &amp;ldquo;Estudo integrado de uso e ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do solo e circula&amp;ccedil;&amp;atilde;o urbana da RMGV&amp;rdquo; e do &amp;ldquo;Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI)&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O PDUI contou com um processo de participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o social que ouviu representantes das universidades, dos sindicatos patronais e de trabalhadores, de conselhos de classes profissionais e da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o em audi&amp;ecirc;ncias p&amp;uacute;blicas realizadas em cada munic&amp;iacute;pio e fora do expediente comercial. O resultado foi traduzido em Diretrizes, Pol&amp;iacute;ticas e A&amp;ccedil;&amp;otilde;es para o Fortalecimento de Centralidades, a Mobilidade Urbana, a Coopera&amp;ccedil;&amp;atilde;o Socioecon&amp;ocirc;mica e a Recupera&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Valoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Meio Ambiente na RMGV.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em seguida, o Comdevit aprovou o Plano de A&amp;ccedil;&amp;atilde;o, contendo programas, planos e projetos, atividades, metas e indicadores de monitoramento, e definiu cinco projetos priorit&amp;aacute;rios: Plano de Mobilidade Metropolitano; Plano de Alinhamento Vi&amp;aacute;rio das principais vias da RMGV; Plano Metropolitano de Turismo; Plano Diretor de &amp;Aacute;guas Urbanas (PDAU) e a Rede de Parques Metropolitanos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Algumas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es foram implementadas nos &amp;uacute;ltimos cinco anos: O PDAU est&amp;aacute; pronto e aponta as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es necess&amp;aacute;rias para a seguran&amp;ccedil;a de toda a Regi&amp;atilde;o frente a alagamentos e enchentes causadas por chuvas intensas e cada vez mais frequentes. A Rede de Parques apontou prioridades para equalizar o acesso ao verde e ampliar o n&amp;uacute;mero de pessoas usufruindo da qualidade ambiental ainda presente no territ&amp;oacute;rio.&amp;nbsp; A mobilidade avan&amp;ccedil;ou, ainda que sem a conclus&amp;atilde;o dos projetos priorit&amp;aacute;rios previstos, com a complementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ciclovias, a bilhetagem eletr&amp;ocirc;nica, o retorno do modo aquavi&amp;aacute;rio e a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos sistemas municipais de transporte de Vit&amp;oacute;ria e de Vila Velha ao Transcol, com tarifa &amp;uacute;nica.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Apesar desses avan&amp;ccedil;os alcan&amp;ccedil;ados pela atual estrutura de governan&amp;ccedil;a, permanece o sentimento de que a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sociedade civil n&amp;atilde;o &amp;eacute; efetiva nos moldes atuais, ou que planos e projetos propostos por essa estrutura n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o apropriados pelos cidad&amp;atilde;os, levando a um baixo controle social.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o do PDUI, iniciada em 2016, incorporou o percurso do Sistema Nacional de Pol&amp;iacute;tica Urbana, sobretudo com respeito &amp;agrave; organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o social no processo de planejamento, organizador das Confer&amp;ecirc;ncias das Cidades. Nesse sentido, as resolu&amp;ccedil;&amp;otilde;es do Conselho das Cidades, que tratam dos representantes por segmento social, passam a ser o principal balizador em termos de equidade de participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No entanto, o PDUI, no per&amp;iacute;odo de sua elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o modificou a composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Conselho Metropolitano, que &amp;eacute; formado por sete representantes do governo estadual, sete representantes dos munic&amp;iacute;pios e tr&amp;ecirc;s da Federa&amp;ccedil;&amp;atilde;o das Associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Moradores e Movimentos Populares do Esp&amp;iacute;rito Santo. Apesar das demandas da sociedade civil pela amplia&amp;ccedil;&amp;atilde;o do n&amp;uacute;mero de assentos no Comdevit, e dos esfor&amp;ccedil;os da equipe t&amp;eacute;cnica em debater o tema e propor alternativas para a composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do conselho, n&amp;atilde;o se criaram as condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es necess&amp;aacute;rias para incluir a reforma da estrutura de governan&amp;ccedil;a no texto da Lei.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Vale ressaltar que nos &amp;uacute;ltimos anos os mecanismos da gest&amp;atilde;o democr&amp;aacute;tica de diversas pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas e espa&amp;ccedil;os de confer&amp;ecirc;ncias participativas (sa&amp;uacute;de, educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, seguran&amp;ccedil;a p&amp;uacute;blica e cidade) foram desmobilizados no Brasil. O atual momento da hist&amp;oacute;ria do pa&amp;iacute;s &amp;eacute; oportuno para a reconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tais mecanismos e espa&amp;ccedil;os no sentido de retomar discuss&amp;otilde;es estrat&amp;eacute;gicas para o desenvolvimento dos munic&amp;iacute;pios e metr&amp;oacute;poles.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A defesa do direito &amp;agrave; cidade como o direito a construir a cidade de acordo com os nossos desejos mais profundos passa pela amplia&amp;ccedil;&amp;atilde;o da participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sociedade civil em todas as fases da gest&amp;atilde;o metropolitana. Principalmente dadas as graves assimetrias em termos de poder de convencimento. Em uma sociedade desigual, em que a luta pelo direito &amp;agrave; cidade e aos direitos que garantem a cidadania plena, a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o deve ser o ponto de partida para um planejamento que contribua, de fato, com a melhor distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos benef&amp;iacute;cios metropolitanos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Latussa Bianca Laranja Monteiro (Doutora em Arquitetura e Urbanismo, Professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFES e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria - Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Bruno Casotti Louzada (Mestre em Arquitetura e Urbanismo, Coordenador de Geoprocessamento do IJSN e pesquisador do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria - Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Clemir Regina Pela Meneghel (Mestre em Arquitetura e Urbanismo e Pesquisadora do INCT/Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/participacao-da-sociedade-e-o-gargalo-da-gestao-metropolitana</guid></item><item><title>Artigo - Aporofobia: é preciso romper com essa perspectiva</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/aporofobia-e-preciso-romper-com-essa-perspectiva</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Sandra Mara Pereira e Karlla Rebuli&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas na perspectiva dos Direitos Humanos exigem uma reflex&amp;atilde;o sobre quem n&amp;oacute;s consideramos realmente dignos de humanidade. Essa indaga&amp;ccedil;&amp;atilde;o certamente relaciona-se com o conceito de &amp;ldquo;aporofobia&amp;rdquo;. Termo que tem sido usado com frequ&amp;ecirc;ncia e refere-se a um neologismo de origem grega (&lt;em&gt;&amp;aacute;poros&lt;/em&gt;, sem recursos, pobre; e &lt;em&gt;fobos&lt;/em&gt;, medo), cujo significado &amp;eacute; rejei&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou repulsa &amp;agrave;s pessoas pobres e &amp;agrave; pobreza. Tal repulsa parece conduzir a uma desumaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de determinados sujeitos sociais, como as pessoas em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de rua (PSR).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Uma decis&amp;atilde;o recente do Supremo Tribunal Federal, expressa por meio da ADPF 976 (Argui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Descumprimento de Preceito Fundamental) e referendada em 21 de agosto de 2023, nos informa que, apesar da Pol&amp;iacute;tica Nacional para a Popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o em Situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Rua (Decreto n&amp;ordm; 7.053, de 23 de dezembro de 2009), este segmento ainda vivencia um estado permanente de inconstitucionalidade.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Segundo estimativas do Instituto de Pesquisa Econ&amp;ocirc;mica Aplicada (IPEA), houve um aumento das PSR de 211% entre os anos de 2012 e 2022. Somente entre 2019 e 2022, per&amp;iacute;odo que inclui a pandemia de Covid-19, o aumento estimado foi de 35%. No entanto, a oferta de servi&amp;ccedil;os n&amp;atilde;o acompanha este crescimento. &lt;span style="text-decoration: line-through;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Segundo a Ag&amp;ecirc;ncia Senado, a Comiss&amp;atilde;o de Assuntos Econ&amp;ocirc;micos (CAE) aprovou, no dia 12/09/2023, o projeto de lei (PL) 1.635/2022, que cria o Estatuto da Popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o em Situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Rua. O projeto segue para a Comiss&amp;atilde;o de Direitos Humanos (CDH). O Estatuto prop&amp;otilde;e a&amp;ccedil;&amp;otilde;es b&amp;aacute;sicas como vedar o recolhimento for&amp;ccedil;ado dos pertences e a remo&amp;ccedil;&amp;atilde;o e o transporte compuls&amp;oacute;rio das popula&amp;ccedil;&amp;otilde;es em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de rua, prop&amp;otilde;e ainda a garantia de acesso &amp;agrave; alimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o gratuita, &amp;agrave; &amp;aacute;gua pot&amp;aacute;vel, a itens de higiene b&amp;aacute;sica e a banheiros p&amp;uacute;blicos, com vistas &amp;agrave; promo&amp;ccedil;&amp;atilde;o da dignidade b&amp;aacute;sica dessas pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Segundo dados do Cad&amp;Uacute;nico de 2022, no Esp&amp;iacute;rito Santo havia 2.012 pessoas em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de rua e, desse total, 61,8% estavam na regi&amp;atilde;o metropolitana (1.244 pessoas). &amp;Eacute; preciso pensar a metr&amp;oacute;pole capixaba, a partir do direito &amp;agrave; cidade, como um desafio hist&amp;oacute;rico e atual para a afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o da cidadania e da dignidade humana para todas as pessoas. O fen&amp;ocirc;meno da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de rua &amp;eacute; uma quest&amp;atilde;o social diretamente relacionada ao espa&amp;ccedil;o urbano e deve, portanto, encontrar solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o alinhada &amp;agrave; gest&amp;atilde;o deste espa&amp;ccedil;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Cabe-nos perguntar, como os Planos de Habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Interesse Social dos munic&amp;iacute;pios da Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (RMGV) t&amp;ecirc;m incorporado as pessoas em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de rua?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Sabemos que o direito &amp;agrave; moradia digna &amp;eacute; reconhecido em diversos documentos internacionais relativos aos direitos humanos, assim como pelo ordenamento jur&amp;iacute;dico brasileiro, como um direito humano fundamental.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de rua deveria ser um sujeito central para a formula&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessas pol&amp;iacute;ticas porque tal segmento tem como caracter&amp;iacute;stica importante de sua constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o social a aus&amp;ecirc;ncia ou a extrema dificuldade de acesso a uma moradia privada.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;At&amp;eacute; quando vamos fechar, convenientemente, os olhos para esses sujeitos sociais que merecem cidadania como qualquer outro irm&amp;atilde;o ou irm&amp;atilde; em humanidade?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Sandra Mara Pereira &amp;eacute; doutoranda em Ci&amp;ecirc;ncias Sociais e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria - Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Karlla Rebuli &amp;eacute; mestra em Ci&amp;ecirc;ncias Sociais e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria - Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/aporofobia-e-preciso-romper-com-essa-perspectiva</guid></item><item><title>Artigo - Ganhos econômicos e sociais da erradicação da extrema pobreza</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/ganhos-economicos-e-sociais-da-erradicacao-da-extrema-pobreza</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Edna Morais Tresinari e Marlon Neves Bertolani&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Programas de transfer&amp;ecirc;ncia de renda custam pouco e os seus benef&amp;iacute;cios sociais e econ&amp;ocirc;micos abrangem toda a sociedade. Um estudo desenvolvido pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), com base na Matriz de Insumo-Produto, avaliou o impacto da erradica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da extrema da pobreza na Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (RMGV).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Os pesquisadores realizaram uma simula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;tica de transfer&amp;ecirc;ncia de renda no volume de recursos suficientes para erradicar a extrema pobreza no per&amp;iacute;odo de um ano. Com base nos dados do Cadastro &amp;Uacute;nico, seriam necess&amp;aacute;rios R$ 562,27 milh&amp;otilde;es, o que corresponde a aproximadamente 0,7% do PIB da regi&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A an&amp;aacute;lise apontou que, para cada real transferido aos mais pobres, representados por aqueles com consumo at&amp;eacute; meio sal&amp;aacute;rio m&amp;iacute;nimo, haveria uma eleva&amp;ccedil;&amp;atilde;o de R$ 0,77 e uma varia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 0,53% no PIB da RMGV. Na simula&amp;ccedil;&amp;atilde;o, constatou-se tamb&amp;eacute;m um incremento na renda do trabalho de R$ 0,35 a cada real de acr&amp;eacute;scimo no consumo e uma eleva&amp;ccedil;&amp;atilde;o na gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de postos de trabalho de 0,38%.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Considerando os encadeamentos da estrutura produtiva e a cesta de mercadorias dos mais pobres, o impacto sobre a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o da microrregi&amp;atilde;o variaria entre +2,80% e 0%. Os setores mais beneficiados seriam alimentos e bebidas. Com um aumento de R$ 126,97 milh&amp;otilde;es no consumo das fam&amp;iacute;lias nesses segmentos, seria gerado um est&amp;iacute;mulo de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o nesse setor da ordem de R$ 156,79 milh&amp;otilde;es. Isso significa um incremento de +2,80% em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o, antes do acr&amp;eacute;scimo de consumo.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em seguida, aparecem os setores de pecu&amp;aacute;ria (+2,34%); servi&amp;ccedil;os de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o (+1,81%); transportes (+1,24%); e fabrica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de produtos da madeira, m&amp;oacute;veis e das ind&amp;uacute;strias diversas (+1,07%). Para as atividades industriais, os est&amp;iacute;mulos seriam menores dado que esses produtos n&amp;atilde;o fazem parte da cesta de mercadorias dessas fam&amp;iacute;lias.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A an&amp;aacute;lise ressalta a import&amp;acirc;ncia de pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas setoriais direcionadas &amp;agrave;s atividades priorit&amp;aacute;rias para as popula&amp;ccedil;&amp;otilde;es de baixa renda, como alimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o e distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de eletricidade e g&amp;aacute;s, &amp;aacute;gua, esgoto e limpeza urbana, servi&amp;ccedil;os de informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, transportes e habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&amp;iacute;lio Cont&amp;iacute;nua-anual de 2022, 25,1% das pessoas vivem em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de pobreza e 4,6% na extrema pobreza, na RMGV. Isso equivale a aproximadamente 515,7 mil pessoas pobres, com rendimentos inferiores a R$ 647,84 mensais, e 94,5 mil pessoas na condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de extrema pobreza, com rendimentos inferiores a R$ 203,73 mensais.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Trabalhos como esse, acerca da realidade dos pobres, possibilita a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o, elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, mudan&amp;ccedil;a e difus&amp;atilde;o social de um novo conhecimento capaz de fornecer bases s&amp;oacute;lidas para o debate sobre pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas voltadas a essa parcela da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em um momento de ampla discuss&amp;atilde;o sobre a necessidade de se adotar pol&amp;iacute;ticas com base em evid&amp;ecirc;ncias, o estudo desenvolvido pelo IJSN contribui ao demonstrar que &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel erradicar a extrema pobreza, e com isso, beneficiar toda a sociedade.&lt;/p&gt;
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&lt;p&gt;&lt;em&gt;Edna Morais Tresinari &amp;eacute; mestre em Economia e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria - Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Marlon Neves Bertolani ė mestre em Pol&amp;iacute;tica Social e pesquisador do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria - Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description><pubDate>Mon, 29 Jan 2024 17:50:02 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/ganhos-economicos-e-sociais-da-erradicacao-da-extrema-pobreza</guid></item></channel></rss>