<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><rss version="2.0"><channel><title>Finanças do Estado do Espírito Santo</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/publicacoes/livros/financas-do-estado-do-espirito-santo</link><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O presente trabalho FINAN&amp;Ccedil;AS DO ESTADO DO ESP&amp;Iacute;RITO SANTO: DO PLANO REAL &amp;Agrave; CRISE DE 2009 tem, como pano de fundo, o quadro geral das finan&amp;ccedil;as estaduais em &amp;acirc;mbito nacional.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Desde a implanta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Plano Real, a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o fiscal do Esp&amp;iacute;rito Santo acompanhou o panorama dos demais estados. Entretanto, essa pesquisa deixa evidente algumas especificidades do desempenho das contas p&amp;uacute;blicas do Esp&amp;iacute;rito Santo na compara&amp;ccedil;&amp;atilde;o com os resultados fiscais dos demais estados.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O estudo identifica tr&amp;ecirc;s per&amp;iacute;odos com caracter&amp;iacute;sticas bem definidas: 1995/1999, 2000/2003 e 2004/2008. Na sequ&amp;ecirc;ncia, o ano de 2009 foi marcado pela crise financeira mundial.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A segunda metade dos anos 90 foi um per&amp;iacute;odo de grande desordem fiscal dos estados brasileiros, caracterizado pela adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao Plano Real, num cen&amp;aacute;rio de fraco desempenho da economia brasileira.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O Plano Real explicitou de forma clara e dolorosa a verdadeira situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o fiscal dos estados brasileiros. Sem contar com a ajuda da infla&amp;ccedil;&amp;atilde;o para ajustar seus balan&amp;ccedil;os financeiros, os governos subnacionais emergiram do p&amp;oacute;s-Real com uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o fiscal insustent&amp;aacute;vel. Os gastos com pessoal e juros da d&amp;iacute;vida consumiam grande parcela da receita corrente dispon&amp;iacute;vel (RCD). Os investimentos eram efetuados &amp;agrave; custa de recorrentes d&amp;eacute;ficits or&amp;ccedil;ament&amp;aacute;rios, fator que ampliava o n&amp;iacute;vel de endividamento dos estados. No Esp&amp;iacute;rito Santo, a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o fiscal beirava o colapso. Em 1995, sua RCD sequer era suficiente para cobrir os gastos com pessoal e juros e amortiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es de d&amp;iacute;vidas, o que resultou num vultoso rombo or&amp;ccedil;ament&amp;aacute;rio, desequil&amp;iacute;brio que iria se perpetuar por todo esse per&amp;iacute;odo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mesmo ap&amp;oacute;s a ado&amp;ccedil;&amp;atilde;o pelos estados do Programa de Reestrutura&amp;ccedil;&amp;atilde;o Fiscal e Financeira, o fraco desempenho da economia brasileira foi um fator adverso para as finan&amp;ccedil;as dos entes subnacionais.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O desempenho irregular da economia brasileira entre 2000 e 2003, associado &amp;agrave; edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), marcou o desempenho das finan&amp;ccedil;as dos estados nesse per&amp;iacute;odo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Sob influ&amp;ecirc;ncia da LRF, o conjunto dos estados reduziu o ritmo de aumento dos gastos com pessoal, ao mesmo tempo em que, pela primeira vez no p&amp;oacute;s-Real, obteve resultados or&amp;ccedil;ament&amp;aacute;rio e prim&amp;aacute;rio positivos no ano 2000. Apesar desses dados, a fragilidade fiscal ainda era grande. Naquele mesmo ano, os estados acusavam um passivo de curto prazo a descoberto que correspondia a 15,1% da receita corrente dispon&amp;iacute;vel (RCD), patamar que se manteve elevado at&amp;eacute; 2003.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No Esp&amp;iacute;rito Santo, em que pese uma forte queda do n&amp;iacute;vel de comprometimento da RCD com pessoal, o endividamento de curto prazo era ainda mais acentuado. Em 2002, seu passivo a descoberto correspondia a 44,6% de sua RCD, taxa apenas superada pelo Estado do Rio Grande do Sul. Em resumo, de 2000 a 2002, o Esp&amp;iacute;rito Santo obt&amp;eacute;m melhoras em alguns indicadores, mas, mant&amp;eacute;m um elevad&amp;iacute;ssimo endividamento de curto prazo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O ano de 2003 marca o in&amp;iacute;cio da gest&amp;atilde;o dos novos governadores. Ao mesmo tempo, &amp;eacute; o ano de uma forte crise econ&amp;ocirc;mica no Brasil. A partir de 2004 a economia brasileira ingressaria no seu mais longo per&amp;iacute;odo de crescimento no p&amp;oacute;s-Real.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Os governos rec&amp;eacute;m-eleitos, como de praxe nesses momentos, contiveram seus gastos e reduziram o endividamento de curto prazo, que passou de R$ 25,4 bilh&amp;otilde;es para R$ 21,7 bilh&amp;otilde;es, de 2002 para 2003. Apesar de estar em n&amp;iacute;veis inferiores aos prevalecentes em 2000, ele ainda estava bastante elevado, correspondendo a 10,7% da RCD na m&amp;eacute;dia dos estados.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nesse mesmo momento, o Esp&amp;iacute;rito Santo se diferenciou pela intensidade e pela precocidade com as quais promoveu o ajuste em suas contas vis-&amp;agrave;-vis &amp;agrave;s demais unidades federadas. Ao contr&amp;aacute;rio dos demais estados, que assistiram a uma queda na RCD em face da crise, no Esp&amp;iacute;rito Santo ela apresentou um bom desempenho. Mesmo diante do aumento de receita, o Estado realizou um corte profundo em seus gastos com pessoal, custeio e, notadamente, nos investimentos, ao mesmo tempo em que realizou a opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de venda da receita futura de royalties. O conjunto dessas medidas tornou poss&amp;iacute;vel reverter o quadro de endividamento de curto prazo e dar in&amp;iacute;cio ao processo de adequa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da folha de pagamento de pessoal &amp;agrave; capacidade de financiamento do Estado.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A partir de 2004, a retomada da atividade econ&amp;ocirc;mica alicer&amp;ccedil;ou a expans&amp;atilde;o da receita dos estados. Todos os indicadores fiscais d&amp;atilde;o sinais de melhora sem precedentes nas finan&amp;ccedil;as estaduais. A RCD e os investimentos cresceram aceleradamente. O gasto com pessoal acompanhou o aumento da receita, por&amp;eacute;m, em ritmo mais lento, acomodando-se melhor &amp;agrave; capacidade de financiamento dos estados. O resultado or&amp;ccedil;ament&amp;aacute;rio passou a ser positivo e crescente e o super&amp;aacute;vit prim&amp;aacute;rio, que j&amp;aacute; ocorria desde 2000, aumentou acentuadamente.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nesse per&amp;iacute;odo, o Esp&amp;iacute;rito Santo ocupou uma posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o privilegiada em todos os indicadores. O comprometimento da RCD com itens relativamente r&amp;iacute;gidos, como pessoal e juros e encargos da d&amp;iacute;vida, caiu para um dos mais baixos n&amp;iacute;veis frente aos demais estados do Brasil. A situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de endividamento de curto prazo e o investimento, como propor&amp;ccedil;&amp;atilde;o da RTD, colocaram-se numa das melhores posi&amp;ccedil;&amp;otilde;es no ranking do pa&amp;iacute;s.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A crise financeira internacional que impactou a economia mundial no final de 2008 impeliu a economia brasileira rumo &amp;agrave; estagna&amp;ccedil;&amp;atilde;o em 2009. &amp;Eacute; poss&amp;iacute;vel afirmar que a receita dos estados, que vinha crescendo aceleradamente nos anos anteriores, sofreu um recuo de cerca de dois pontos percentuais em 2009.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nesse contexto, os estados reduziram o ritmo de aumento dos gastos em geral, mas procuraram expandir seus investimentos como medida antic&amp;iacute;clica. O aumento dessa despesa num ambiente de queda das receitas s&amp;oacute; foi poss&amp;iacute;vel gra&amp;ccedil;as ao encolhimento da sufici&amp;ecirc;ncia financeira, n&amp;atilde;o comprometendo assim o equil&amp;iacute;brio fiscal do conjunto dos estados do Brasil.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No Esp&amp;iacute;rito Santo, a queda na RCL provocada pela crise internacional foi uma das mais intensas do pa&amp;iacute;s. Mesmo diante desse cen&amp;aacute;rio adverso, o Estado registrou um aumento de gastos com pessoal do Poder Executivo, bem como dos investimentos. Esses aumentos foram bancados por sua reserva financeira de curto prazo, formada nos anos de expans&amp;atilde;o da receita. Em 2008, ela era a segunda maior do Brasil como propor&amp;ccedil;&amp;atilde;o da RCL e em termos absolutos, de acordo com dados dos RGFs dos estados. Em 2009, mesmo depois de ser parcialmente utilizada, foi a terceira mais robusta do pa&amp;iacute;s em termos absolutos, atr&amp;aacute;s somente dos estados de S&amp;atilde;o Paulo e do Paran&amp;aacute;. Como propor&amp;ccedil;&amp;atilde;o da RCL, manteve-se como a segunda maior, com o indicador de 22,9%.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Enfim, esse trabalho mostra como o Estado do Esp&amp;iacute;rito Santo, que at&amp;eacute; o final da d&amp;eacute;cada de 90 foi detentor das piores condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es fiscais dentre todas as unidades federadas, alcan&amp;ccedil;a, em 2008, uma das melhores situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es no &amp;acirc;mbito das finan&amp;ccedil;as p&amp;uacute;blicas. Essa conquista lhe permitiu realizar aumentos substanciais nos investimentos e nas despesas, principalmente nas &amp;aacute;reas de sa&amp;uacute;de, educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, transporte e agricultura, al&amp;eacute;m de possibilitar uma tranquila travessia pela crise de 2009.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Al&amp;eacute;m de demonstrar o comportamento dos principais itens da receita e da despesa do Estado do Esp&amp;iacute;rito Santo, desde 1995, e o estudo aponta que uma das li&amp;ccedil;&amp;otilde;es que se pode tirar dos acontecimentos de 2009 refere-se ao car&amp;aacute;ter permanente que deve ser dado ao chamado ajuste fiscal. O Estado realizou uma forte reestrutura&amp;ccedil;&amp;atilde;o de suas finan&amp;ccedil;as durante cinco anos que, no entanto, n&amp;atilde;o pode ser considerado como um trabalho encerrado. A Grande Recess&amp;atilde;o mundial de 2009 veio mostrar a import&amp;acirc;ncia de um ente p&amp;uacute;blico deter uma situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o fiscal bem alicer&amp;ccedil;ada, que lhe permita contrabalan&amp;ccedil;ar os efeitos da crise ou mesmo revert&amp;ecirc;-los. A forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma sufici&amp;ecirc;ncia financeira que funcione como uma reserva para ser utilizada em &amp;eacute;pocas dif&amp;iacute;ceis &amp;eacute; uma pol&amp;iacute;tica fiscal prudente que pode permitir, inclusive, que governos lancem m&amp;atilde;o de pol&amp;iacute;ticas antic&amp;iacute;clicas de est&amp;iacute;mulo &amp;agrave; demanda, como corte de impostos e aumento de gastos em investimentos, sem comprometer o equil&amp;iacute;brio de suas contas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;</description><item><title>Anexos</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/publicacoes/livros/financas-do-estado-do-espirito-santo/anexos-2</link><description>Anexos</description><pubDate>Fri, 18 Sep 2020 13:17:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="true">https://ijsn.es.gov.br:443/publicacoes/livros/financas-do-estado-do-espirito-santo/anexos-2</guid></item></channel></rss>