<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><rss version="2.0"><channel><title>Mudanças climáticas e planejamento municipal: um panorama das capitais brasileiras</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/mudancas-climaticas-e-planejamento-municipal-um-panorama-das-capitais-brasileiras</link><description>&lt;p&gt;As mudan&amp;ccedil;as clim&amp;aacute;ticas, suas causas e consequ&amp;ecirc;ncias, t&amp;ecirc;m ganhado cada vez mais destaque no debate p&amp;uacute;blico e cient&amp;iacute;fico. A recorr&amp;ecirc;ncia cada vez maior de eventos extremos, como resultado das mudan&amp;ccedil;as clim&amp;aacute;ticas, &amp;eacute; uma realidade mundial que exige planejamento e gest&amp;atilde;o local para o enfrentamento e preven&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos desastres socioambientais. Este desafio se alinha &amp;agrave; Agenda 2030 da ONU e seus Objetivos do Desenvolvimento Sustent&amp;aacute;vel (ODS): plano de a&amp;ccedil;&amp;atilde;o global de desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel, apoiado pelo PNUD (Programa das Na&amp;ccedil;&amp;otilde;es Unidas para o Desenvolvimento) para ser implementada em um horizonte de at&amp;eacute; 2030. S&amp;atilde;o 17 ODS, sendo que as mudan&amp;ccedil;as clim&amp;aacute;ticas se alinham mais especificamente ao ODS 13 &amp;ndash; A&amp;ccedil;&amp;atilde;o contra a mudan&amp;ccedil;a global do clima, com destaque para o ODS 13.1: Refor&amp;ccedil;ar a resili&amp;ecirc;ncia e capacidade de adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o a riscos relacionados ao clima e &amp;agrave;s cat&amp;aacute;strofes naturais em todos os pa&amp;iacute;ses.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Recentemente, a Coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Estudos Territoriais (CET) do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) realizou uma pesquisa acerca da exist&amp;ecirc;ncia de Planos de Mudan&amp;ccedil;as Clim&amp;aacute;ticas nas 26 capitais brasileiras e Distrito Federal. A pesquisa foi realizada em 2024, no contexto de uma das maiores cat&amp;aacute;strofes socioambientais da hist&amp;oacute;ria do pa&amp;iacute;s, ocorrida na regi&amp;atilde;o Sul, consequ&amp;ecirc;ncia de um evento clim&amp;aacute;tico extremo; e posteriormente atualizada em 2025, buscando observar se houve avan&amp;ccedil;o ap&amp;oacute;s um ano. Nesse &amp;uacute;ltimo caso, al&amp;eacute;m da exist&amp;ecirc;ncia de Plano de Mudan&amp;ccedil;a Clim&amp;aacute;tica, houve um aprofundamento da pesquisa quanto ao conte&amp;uacute;do dos planos como dimens&amp;otilde;es contempladas, eixos estrat&amp;eacute;gicos, a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, metas, monitoramento, etc.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em 2024, apenas onze capitais brasileiras e o Distrito Federal contavam com Planos Municipais de Mudan&amp;ccedil;as Clim&amp;aacute;ticas. O levantamento mais recente, realizado em 2025, identificou avan&amp;ccedil;os nesse cen&amp;aacute;rio, com a ades&amp;atilde;o de mais duas capitais &amp;mdash; Porto Alegre (RS) e Natal (RN) &amp;mdash; &amp;agrave; elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de seus planos. Ao longo dos anos, verifica-se uma maior ader&amp;ecirc;ncia e autodenomina&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos planos como &amp;ldquo;de mitiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo;, n&amp;atilde;o apenas como &amp;ldquo;de adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo; e de sustentabilidade de um modo mais amplo e generalista.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Embora ambas essas dimens&amp;otilde;es j&amp;aacute; estejam definidas e inclu&amp;iacute;das enquanto estrat&amp;eacute;gias integradas na Pol&amp;iacute;tica Nacional sobre Mudan&amp;ccedil;a do Clima (Lei no 12.187/2009), a mitiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o operam em duas frentes distintas, por&amp;eacute;m complementares: enquanto a adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o visa atenuar os impactos, efeitos e vulnerabilidade frente aos efeitos atuais e esperados da mudan&amp;ccedil;a do clima, a mitiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o busca promover mudan&amp;ccedil;as e substitui&amp;ccedil;&amp;otilde;es para reduzir os seus fatores agravantes e atuar sobre suas causas estruturais. A ader&amp;ecirc;ncia crescente da distin&amp;ccedil;&amp;atilde;o e inclus&amp;atilde;o de ambas as nomenclaturas indica uma consolida&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma nova postura pol&amp;iacute;tica e institucional frente &amp;agrave; crise clim&amp;aacute;tica, que sinaliza um avan&amp;ccedil;o na compreens&amp;atilde;o de que o enfrentamento das mudan&amp;ccedil;as clim&amp;aacute;ticas exige estrat&amp;eacute;gias complementares, integradas, cont&amp;iacute;nuas e territorialmente articuladas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os Eixos Estrat&amp;eacute;gicos mais tratados nos planos, segundo o estudo de 2025, s&amp;atilde;o: Transporte e Mobilidade, Uso da terra, Energia e Saneamento &amp;ndash; eixos que tem uma interface significativa com o planejamento urbano. Tal converg&amp;ecirc;ncia refor&amp;ccedil;a a necessidade de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre os Planos de Mudan&amp;ccedil;as Clim&amp;aacute;ticas e os demais instrumentos de ordenamento e gest&amp;atilde;o territorial das cidades, de modo a garantir coer&amp;ecirc;ncia entre pol&amp;iacute;ticas setoriais e objetivos de sustentabilidade clim&amp;aacute;tica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Al&amp;eacute;m da transversalidade e interdisciplinaridade, foram identificadas importantes posturas a partir da an&amp;aacute;lise qualitativa: clareza nas propostas de enfrentamento, no que tange responsabilidades, metas e prazos; defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o de indicadores para embasar avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o e monitoramento eficazes; reavalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o e atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o peri&amp;oacute;dica, a partir de an&amp;aacute;lises com base em dados tamb&amp;eacute;m atualizados. Com isso, possibilita-se um planejamento adaptativo e cont&amp;iacute;nuo.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Cynthia Lopes Pessoa de Miranda&amp;nbsp;&amp;eacute; mestra em Arquitetura e Urbanismo e pesquisadora na Coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Estudos Territoriais do IJSN&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Damiany Farina Nossa&amp;nbsp;&amp;eacute; mestra em Arquitetura e Urbanismo e pesquisadora na Coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Estudos Territoriais do IJSN&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description></channel></rss>