<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><rss version="2.0"><channel><title>Planejar o território dos pequenos municípios é indispensável</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/planejar-o-territorio-dos-pequenos-municipios-e-indispensavel</link><description>&lt;p&gt;O planejamento territorial propicia o desenvolvimento dos munic&amp;iacute;pios a partir de pilares como a sustentabilidade, a gest&amp;atilde;o democr&amp;aacute;tica e o crescimento ordenado e equitativo. Nesse contexto, o Plano Diretor Municipal (PDM) &amp;eacute; o instrumento central, definindo as diretrizes e medidas concretas que v&amp;atilde;o orientar o planejamento das cidades. A partir de dispositivos como o macrozoneamento, o zoneamento, os par&amp;acirc;metros urban&amp;iacute;sticos e os instrumentos da pol&amp;iacute;tica urbana, o PDM legisla sobre o territ&amp;oacute;rio municipal, tanto urbano quanto rural.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas apesar dessa import&amp;acirc;ncia, os pequenos munic&amp;iacute;pios em geral n&amp;atilde;o disp&amp;otilde;em deste instrumento de planejamento territorial. Isso porque o Estatuto da Cidade, lei federal de 2001 que regulamenta a pol&amp;iacute;tica urbana brasileira, estabelece crit&amp;eacute;rio populacional de obrigatoriedade na elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de PDM para munic&amp;iacute;pios acima de 20.000 habitantes. No Esp&amp;iacute;rito Santo, dos 42 munic&amp;iacute;pios com menos de 20.000 habitantes, somente 19 disp&amp;otilde;em do instrumento &amp;ndash; e destes, apenas 6 contam com o mesmo atualizado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Trata-se de uma realidade indesej&amp;aacute;vel, uma vez que esses munic&amp;iacute;pios apresentam problemas particulares amplificados pela falta de ordenamento do territ&amp;oacute;rio. S&amp;atilde;o fen&amp;ocirc;menos como a ascens&amp;atilde;o de chacreamentos e outros empreendimentos imobili&amp;aacute;rios no espa&amp;ccedil;o periurbano (&amp;aacute;reas de transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre o urbano e o rural), o impacto do turismo na din&amp;acirc;mica habitacional, com ascens&amp;atilde;o de casas para temporada e segunda resid&amp;ecirc;ncia, e a tend&amp;ecirc;ncia ao baixo crescimento populacional, ou mesmo decr&amp;eacute;scimo. Al&amp;eacute;m disso, tamb&amp;eacute;m possuem quest&amp;otilde;es em comum com munic&amp;iacute;pios de m&amp;eacute;dio e grande porte, como a tend&amp;ecirc;ncia &amp;agrave; expans&amp;atilde;o urbana sem o devido aproveitamento da infraestrutura existente, a presen&amp;ccedil;a de ocupa&amp;ccedil;&amp;otilde;es irregulares em &amp;aacute;reas de risco, os impasses para efetiva preserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o das &amp;aacute;reas naturais, entre outras.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O plano diretor municipal auxilia, como mencionado anteriormente, a ordenar e planejar o crescimento e desenvolvimento dos munic&amp;iacute;pios. Nesse sentido, os munic&amp;iacute;pios de pequeno porte, podem, a partir desse instrumento, estabelecer objetivos e diretrizes que promovam a justi&amp;ccedil;a socioespacial da ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de seu territ&amp;oacute;rio. Isso significa permitir um acesso justo &amp;agrave;s &amp;aacute;reas urbanas e rurais de seu territ&amp;oacute;rio a toda sua popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o, combatendo assim fen&amp;ocirc;menos complexos como a especula&amp;ccedil;&amp;atilde;o imobili&amp;aacute;ria e a ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de &amp;aacute;reas de risco. O instrumento tamb&amp;eacute;m coordena os planos setoriais em &amp;aacute;reas como a mobilidade, meio ambiente, habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o, turismo, entre outras.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por&amp;eacute;m, na maioria dos pequenos munic&amp;iacute;pios do estado, o corpo t&amp;eacute;cnico institucional das prefeituras n&amp;atilde;o &amp;eacute; suficiente para desenvolver e acompanhar todas as frentes de a&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos PDMs. Assim como os t&amp;eacute;cnicos, muitas vezes a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o social atrav&amp;eacute;s de conselhos com representa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sociedade civil organizada e dos habitantes tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; enxuta e insuficiente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;&amp;Eacute; justamente nesse ponto que o projeto Desenvolvimento Regional Sustent&amp;aacute;vel 2.0, conduzido pelo Instituto Jones dos Santos Neves, tem atuado. O projeto busca fornecer aos munic&amp;iacute;pios do estado um escopo m&amp;iacute;nimo de diretrizes para a elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o, atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos PDMs, com vistas a facilitar tais processos, reduzindo os impasses gerados pelas limita&amp;ccedil;&amp;otilde;es institucionais dos pequenos munic&amp;iacute;pios. Esclarece que o Estatuto da Cidade estabelece uma s&amp;eacute;rie de diretrizes e instrumentos da pol&amp;iacute;tica urbana que est&amp;atilde;o em descompasso com a realidade da maioria dos munic&amp;iacute;pios, sendo voltado principalmente para complexidades urbanas identificadas nas cidades de maior porte. Essas cidades est&amp;atilde;o munidas de uma capacidade institucional e t&amp;eacute;cnica compat&amp;iacute;vel aos desafios impostos &amp;agrave; sua realidade, fato n&amp;atilde;o identificado em grande parte dos munic&amp;iacute;pios do Esp&amp;iacute;rito Santo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;A partir das diretrizes m&amp;iacute;nimas e a&amp;ccedil;&amp;otilde;es integradas entre os munic&amp;iacute;pios pertencentes a uma mesma microrregi&amp;atilde;o considera-se que a elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o e atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos PDMs possa ser um ponto de partida crucial para o desenvolvimento do estado de forma sin&amp;eacute;rgica. Isso reverte em descentraliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do desenvolvimento estadual, estimulando o crescimento das microrregi&amp;otilde;es al&amp;eacute;m da Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria, de forma mais equitativa e sustent&amp;aacute;vel.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Bruno Casotti Louzada&amp;nbsp;&amp;eacute; doutorando em arquitetura e urbanismo e coordenador de geoespacializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Instituto Jones dos Santos Neves&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Isabella Falk dos Santos&amp;nbsp;&amp;eacute; doutoranda em arquitetura e urbanismo e pesquisadora no projeto Desenvolvimento Regional Sustent&amp;aacute;vel&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Vitor de Toledo Nascimento&amp;nbsp;&amp;eacute; mestre em arquitetura e urbanismo e pesquisador no projeto Desenvolvimento Regional Sustent&amp;aacute;vel&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description></channel></rss>