<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><rss version="2.0"><channel><title>Planejar cidades sustentáveis: um desafio coletivo</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/planejar-cidades-sustentaveis-um-desafio-coletivo</link><description>&lt;p&gt;O Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) completa 50 anos de exist&amp;ecirc;ncia no ano de 2025, reafirmando seu papel como refer&amp;ecirc;ncia na produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de conhecimento para subsidiar pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas para o Esp&amp;iacute;rito Santo. Mais do que dados e pesquisas, o Instituto tem sido tamb&amp;eacute;m uma escola pr&amp;aacute;tica para os munic&amp;iacute;pios, oferecendo cursos e oficinas direcionadas para t&amp;eacute;cnicos e gestores p&amp;uacute;blicos. &amp;Eacute; nesse di&amp;aacute;logo entre ci&amp;ecirc;ncia e pr&amp;aacute;tica que surgem caminhos para enfrentar os desafios urbanos e ambientais marcantes no presente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os dilemas s&amp;atilde;o conhecidos, mas continuam atuais: expans&amp;atilde;o urbana desordenada, ocupa&amp;ccedil;&amp;otilde;es irregulares, press&amp;atilde;o sobre &amp;aacute;reas de preserva&amp;ccedil;&amp;atilde;o permanente, falta de saneamento, de moradia digna e mobilidade prec&amp;aacute;ria. S&amp;atilde;o situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es que acontecem de norte a sul do Estado, revelando os desafios que as cidades precisam enfrentar, desafios estes que s&amp;atilde;o intensificados pela pouca ou nenhuma participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da sociedade no planejamento das nossas cidades.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Plano Diretor Municipal (PDM) exerce uma fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o estrat&amp;eacute;gica nesse enfrentamento, no entanto, sua efic&amp;aacute;cia &amp;eacute; comprometida por uma s&amp;eacute;rie de obst&amp;aacute;culos enraizados na complexa hist&amp;oacute;ria urbana brasileira, que v&amp;atilde;o desde planos desatualizados, elaborados ou revisados sem a efetiva participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o social at&amp;eacute; a falta de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre secretarias e uma fiscaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o fragilizada. A consequ&amp;ecirc;ncia &amp;eacute; vis&amp;iacute;vel e formal: loteamentos clandestinos, &amp;ldquo;chacreamentos&amp;rdquo; nas &amp;aacute;reas rurais, cidades que se expandem sem a infraestrutura adequada. Planejar &amp;eacute; necessidade b&amp;aacute;sica para garantir qualidade de vida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os cursos e oficinas realizados recentemente apontam boas possibilidades. Ao reunir t&amp;eacute;cnicos estaduais e municipais em torno de mapas, diagn&amp;oacute;sticos e propostas, o processo revelou o valor da troca de saberes e da constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma rede de contatos que pode abrir caminho para a&amp;ccedil;&amp;otilde;es mais integradas. Mais do que capacita&amp;ccedil;&amp;atilde;o t&amp;eacute;cnica, o que se produziu e se produz &amp;eacute; um exerc&amp;iacute;cio coletivo de leitura e reinven&amp;ccedil;&amp;atilde;o do territ&amp;oacute;rio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas &amp;eacute; preciso ir al&amp;eacute;m de diagn&amp;oacute;stico. &amp;Eacute; necess&amp;aacute;rio tamb&amp;eacute;m coragem pol&amp;iacute;tica para enfrentar&lt;br /&gt;dilemas que n&amp;atilde;o se resolvem sozinhos. A ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o irregular de &amp;aacute;reas sens&amp;iacute;veis e a degrada&amp;ccedil;&amp;atilde;o das margens de rios urbanos n&amp;atilde;o podem ser naturalizadas. Se a lei hoje concede maior autonomia aos munic&amp;iacute;pios, &amp;eacute; importante as cidades se fortalecerem para usarem essa responsabilidade com seriedade e n&amp;atilde;o como pretexto para flexibilizar a prote&amp;ccedil;&amp;atilde;o ambiental.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ao mesmo tempo, &amp;eacute; fundamental reconhecer as potencialidades. O Esp&amp;iacute;rito Santo &amp;eacute; rico em paisagens naturais, do mar &amp;agrave;s montanhas, patrim&amp;ocirc;nio cultural, tecido pelas ancestralidades ind&amp;iacute;genas, negras, dos imigrantes, que se expressam em sabores, ritmos formas e arquiteturas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;Somado &amp;agrave;s voca&amp;ccedil;&amp;otilde;es econ&amp;ocirc;micas ligadas ao turismo sustent&amp;aacute;vel e &amp;agrave; agricultura familiar, pode, quando transformado em pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas constru&amp;iacute;das coletivamente, impulsionar o&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;desenvolvimento local e prosperidade para a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O recado &amp;eacute; claro: n&amp;atilde;o h&amp;aacute; mais tempo nem espa&amp;ccedil;o para improviso. Em tempos de mudan&amp;ccedil;as clim&amp;aacute;ticas e press&amp;otilde;es urbanas crescentes, revisar e aplicar os PDMs precisa deixar de ser promessa e se tornar prioridade real das gest&amp;otilde;es municipais. Cidades fortes nascem de planos vivos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Mariana Paim Rodrigues&amp;nbsp;&amp;eacute; doutoranda em Arquitetura e Urbanismo, coordenadora dos&amp;nbsp;Estudos Territoriais do IJSN e vice-coordenadora e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria do&amp;nbsp;Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Clemir Regina Pela Meneghel&amp;nbsp;&amp;eacute; mestre em Arquitetura e Urbanismo e pesquisadora na&amp;nbsp;Coordena&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Estudos Territoriais e no N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description></channel></rss>