<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><rss version="2.0"><channel><title>Observatórios na transformação das políticas públicas para as mulheres</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios-na-transformacao-das-politicas-publicas-para-as-mulheres</link><description>&lt;p&gt;A desigualdade de g&amp;ecirc;nero &amp;eacute; um problema estrutural presente na sociedade que afeta diretamente a vida das mulheres. Esse fen&amp;ocirc;meno diz respeito a n&amp;atilde;o equival&amp;ecirc;ncia pol&amp;iacute;tica, econ&amp;ocirc;mica e social entre homens e mulheres, de modo que essas n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m os mesmos direitos e oportunidades que os homens possuem em v&amp;aacute;rios &amp;acirc;mbitos da sociedade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa desigualdade pode se manifestar no trabalho por oportunidades diferentes ofertadas&amp;nbsp; para homens e mulheres e por meio da disparidade salarial ainda que ocupem o mesmo&amp;nbsp; cargo. Outro &amp;acirc;mbito no qual a desigualdade se manifesta &amp;eacute; na pouca representatividade das mulheres na pol&amp;iacute;tica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span&gt;No Brasil, nas elei&amp;ccedil;&amp;otilde;es de 2022, do total de candidatas aos diversos cargos, apenas 3,4% foram eleitas, enquanto no estado do Esp&amp;iacute;rito Santo esse percentual foi ainda menor,&amp;nbsp; apenas 2,3%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os dados mostram que essa desigualdade tamb&amp;eacute;m aparece na an&amp;aacute;lise do uso do tempo em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o aos afazeres&amp;nbsp; dom&amp;eacute;sticos, podendo levar &amp;agrave; jornada de trabalho dupla ou at&amp;eacute; mesmo tripla para as&amp;nbsp; mulheres, que em m&amp;eacute;dia dedicam 9,6 horas a mais por semana que os homens em&amp;nbsp; afazeres dom&amp;eacute;sticos ou cuidado de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e&amp;nbsp; Estat&amp;iacute;stica (IBGE), Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&amp;iacute;lios Cont&amp;iacute;nua (PNADC) 2022.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Al&amp;eacute;m dessas quest&amp;otilde;es, a viol&amp;ecirc;ncia contra a mulher, que vai desde o ass&amp;eacute;dio moral ao homic&amp;iacute;dio, &amp;eacute; um fen&amp;ocirc;meno recorrente na sociedade. O feminic&amp;iacute;dio, que diz respeito ao homic&amp;iacute;dio cometido contra uma mulher pelo fato dela ser mulher &amp;eacute;, tamb&amp;eacute;m, uma realidade em &amp;acirc;mbito nacional e estadual.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Segundo o Anu&amp;aacute;rio Brasileiro de Seguran&amp;ccedil;a p&amp;uacute;blica de 2025, no Brasil a taxa de feminic&amp;iacute;dio em 2024 foi de 1,4 por 100 mil habitantes,(1.492 em n&amp;uacute;meros absolutos). No Esp&amp;iacute;rito Santo foram registrados 39 feminic&amp;iacute;dios, o que representa uma taxa de 1,9 por 100 mil&amp;nbsp; habitantes. O Anu&amp;aacute;rio tamb&amp;eacute;m destaca que,dos casos de feminic&amp;iacute;dio, mulheres negras&amp;nbsp; representam 63,6%.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O debate sobre as quest&amp;otilde;es de g&amp;ecirc;nero tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o pode negligenciar as especificidades das mulheres. Portanto, para al&amp;eacute;m de um recorte entre mulheres negras, faz-se necess&amp;aacute;rio contemplar as mulheres ind&amp;iacute;genas, quilombolas, de baixa renda, da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o LGBTQI+, dentre outras diversidades que retratam as particularidades das mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Buscar a igualdade de g&amp;ecirc;nero e, tamb&amp;eacute;m, o enfrentamento de todas as formas de viol&amp;ecirc;ncias sofridas pelas mulheres s&amp;atilde;o quest&amp;otilde;es que perpassam pela garantia dos direitos humanos b&amp;aacute;sicos. Al&amp;eacute;m disso, a igualdade de g&amp;ecirc;nero contribui para o desenvolvimento econ&amp;ocirc;mico de uma determinada regi&amp;atilde;o, conforme aponta Esther Duflo1 (2011, p. 2): &amp;ldquo;[&amp;hellip;] em um sentido, o desenvolvimento joga um papel importante na diminui&amp;ccedil;&amp;atilde;o da desigualdade entre homens e mulheres, em outra dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o, o empoderamento das mulheres pode beneficiar o desenvolvimento&amp;rdquo;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;1 DUFLO, Esther. Women&amp;rsquo;s empowerment and economic development. National Bureau of Economic Research Working Paper, Cambridge, n. 17702, Dec. 2011. Dispon&amp;iacute;vel em: https://www.nber.org/papers/w17702.pdf.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Diante disso, cabe sinalizar a import&amp;acirc;ncia da implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um Observat&amp;oacute;rio de pesquisa que objetive reunir, sistematizar e analisar informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es acerca da tem&amp;aacute;tica, sobretudo, no ES, visando subsidiar pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas para as mulheres, assim como fomentando discuss&amp;otilde;es e debates sobre a tem&amp;aacute;tica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Observat&amp;oacute;rio de Pol&amp;iacute;ticas P&amp;uacute;blicas para Mulheres no Esp&amp;iacute;rito Santo (Observat&amp;oacute;rio MulherES) &amp;eacute; o reconhecimento de que informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, por si s&amp;oacute;, n&amp;atilde;o transforma realidades. &amp;Eacute; preciso intencionalidade pol&amp;iacute;tica, compromisso institucional e escuta ativa das demandas sociais para que os dados se traduzam em a&amp;ccedil;&amp;otilde;es concretas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesse sentido, o Observat&amp;oacute;rio MulherES cumpre tamb&amp;eacute;m um papel mais ativo participando&amp;nbsp; da C&amp;acirc;mara T&amp;eacute;cnica do Pacto Estadual pelo Enfrentamento &amp;agrave; Viol&amp;ecirc;ncia contra as Mulheres, do Comit&amp;ecirc; Intersetorial do Plano Estadual de Pol&amp;iacute;ticas para Mulheres do estado do Esp&amp;iacute;rito Santo e agora mais recente da Rede Nacional de Observat&amp;oacute;rios das Mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda assim, o Observat&amp;oacute;rio possui obst&amp;aacute;culos estruturais importantes a serem considerados: desde a escassez de dados desagregados por munic&amp;iacute;pios, por g&amp;ecirc;nero, ra&amp;ccedil;a/cor e outros at&amp;eacute; a falta de institucionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos mecanismos de g&amp;ecirc;nero nos munic&amp;iacute;pios (&amp;oacute;rg&amp;atilde;os administrativos e pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas voltadas para a promo&amp;ccedil;&amp;atilde;o da igualdade e o enfrentamento da discrimina&amp;ccedil;&amp;atilde;o e viol&amp;ecirc;ncia contra as mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sendo as Secretarias de Pol&amp;iacute;ticas para as Mulheres o principal exemplo). Entretanto, esses desafios n&amp;atilde;o diminuem a grandeza do Observat&amp;oacute;rio, pelo contr&amp;aacute;rio, eles refor&amp;ccedil;am a necessidade de sua implanta&amp;ccedil;&amp;atilde;o para monitoramento a subsidio das pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas para mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foi nesse cen&amp;aacute;rio que surgiu um marco fundamental: a Rede Nacional de Observat&amp;oacute;rios das Mulheres. A Rede nasce como uma articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o colaborativa de institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es em todo o pa&amp;iacute;s, com a miss&amp;atilde;o de fortalecer os observat&amp;oacute;rios j&amp;aacute; existentes, estimular a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de novos e ampliar a capacidade coletiva de produzir conhecimento, monitorar pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas e desenvolver a&amp;ccedil;&amp;otilde;es voltadas &amp;agrave; promo&amp;ccedil;&amp;atilde;o da equidade de g&amp;ecirc;nero.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Essa atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o em rede permite superar lacunas, padronizar vari&amp;aacute;veis, ampliar a&amp;nbsp; comparabilidade de indicadores e garantir maior visibilidade &amp;agrave;s demandas das mulheres brasileiras em sua diversidade. Portanto, iniciativas como o Observat&amp;oacute;rio MulherES, agora tamb&amp;eacute;m inserido em uma articula&amp;ccedil;&amp;atilde;o nacional, devem ser n&amp;atilde;o apenas celebradas, mas replicadas e fortalecidas em todo o pa&amp;iacute;s.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em conjunto com o processo democr&amp;aacute;tico das Confer&amp;ecirc;ncias Municipais,Estaduais e da 5&amp;ordf;&amp;nbsp; Confer&amp;ecirc;ncia Nacional de Pol&amp;iacute;ticas para as Mulheres, os observat&amp;oacute;rios oferecem a base t&amp;eacute;cnica e anal&amp;iacute;tica necess&amp;aacute;ria para que as vozes ouvidas nesses espa&amp;ccedil;os de participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o se traduzam em pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas mais consistentes, baseadas em evid&amp;ecirc;ncias. Ao ampliar o acesso a informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es qualificadas e promover o di&amp;aacute;logo entre diferentes setores, os observat&amp;oacute;rios reafirmam seu papel estrat&amp;eacute;gico na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um futuro mais justo e igualit&amp;aacute;rio para todas as mulheres.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Let&amp;iacute;cia Maria Gon&amp;ccedil;alves Furtado Borestein &amp;eacute; coordenadora do Observat&amp;oacute;rio Mulher ES e coordenadora de Estudos Estat&amp;iacute;sticos do IJSN&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
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