<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><rss version="2.0"><channel><title>Artigo - É possível integrar qualidade de vida, espaços verdes e urbanização?</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-e-possivel-integrar-qualidade-de-vida-espacos-verdes-e-urbanizacao</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Latussa Monteiro, Bruno Louzada e Julia Uliana&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;Aacute;reas vegetadas e naturais impactam na qualidade f&amp;iacute;sica do espa&amp;ccedil;o. Estudos indicam que a proximidade com espa&amp;ccedil;os verdes e um ambiente ecologicamente equilibrado torna as pessoas mais felizes. O acesso a espa&amp;ccedil;os livres p&amp;uacute;blicos proporciona melhor qualidade de vida, maior sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de bem-estar e melhora da sa&amp;uacute;de f&amp;iacute;sica e mental da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Nas cidades da Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (RMGV), a desigualdade socioespacial se mostra presente em v&amp;aacute;rias dimens&amp;otilde;es. A popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o de menor renda, em sua maior parte, reside em &amp;aacute;reas classificadas como de piores &amp;ldquo;Condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es Ambientais Urbanas&amp;rdquo;, uma das cinco dimens&amp;otilde;es descritas pelo &amp;Iacute;ndice de Bem-estar Urbano (IBEU) do Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No entanto, segundo o diagn&amp;oacute;stico do Plano de Desenvolvimento Integrado da Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (PDUI/RMGV, 2017) ainda est&amp;atilde;o presentes na metr&amp;oacute;pole capixaba elementos naturais capazes de ampliar a frui&amp;ccedil;&amp;atilde;o e contempla&amp;ccedil;&amp;atilde;o da natureza e da paisagem. Portanto, diminuir a diferen&amp;ccedil;a de acesso a &amp;aacute;reas verdes &amp;eacute; mais uma possibilidade de atenuar a desigualdade.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O processo de urbaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das cidades brasileiras deu aos mais pobres a &amp;uacute;nica op&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ocupar as &amp;aacute;reas fora do mercado de terras, sejam as de localiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o perif&amp;eacute;rica, ou aquelas inadequadas &amp;agrave; ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, tais como &amp;aacute;reas de risco de inunda&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou de deslizamentos. Em muitos casos, sem planejamento e sem garantia de infraestrutura urbana e de espa&amp;ccedil;os p&amp;uacute;blicos.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Isso levou &amp;agrave; urbaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o incompleta que caracteriza amplas parcelas das metr&amp;oacute;poles e &amp;agrave; escassez de qualidade ambiental urbana, j&amp;aacute; que requer a atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o posterior e custosa em termos de infraestruturas e de servi&amp;ccedil;os a por&amp;ccedil;&amp;otilde;es da malha urbana que cresceram ou se adensaram sem a presen&amp;ccedil;a do Estado.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em contrapartida, as melhores localiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o bem servidas por infraestruturas e por servi&amp;ccedil;os urbanos. Essas &amp;aacute;reas s&amp;atilde;o frequentemente dotadas de espa&amp;ccedil;os de lazer internos al&amp;eacute;m de espa&amp;ccedil;os livres p&amp;uacute;blicos, como pra&amp;ccedil;as e parques urbanos, ou encontram-se em proximidade &amp;agrave;s praias nas cidades litor&amp;acirc;neas. Deste modo, s&amp;atilde;o acess&amp;iacute;veis &amp;agrave;queles que t&amp;ecirc;m condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de pagar por essas localiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A proposta de formar uma rede de parques metropolitanos visa minimizar este problema. Inclu&amp;iacute;do como a&amp;ccedil;&amp;atilde;o priorit&amp;aacute;ria do PDUI, o estudo identificou as &amp;aacute;reas com potencial de compor uma rede integrada de espa&amp;ccedil;os verdes. Tais espa&amp;ccedil;os seriam organizados como um sistema: os &amp;ldquo;n&amp;oacute;s&amp;rdquo; da rede teriam como objetivo levar a qualidade ambiental presente nas &amp;aacute;reas mais privilegiadas da RMGV aos cidad&amp;atilde;os de toda a metr&amp;oacute;pole, proporcionar o acesso a espa&amp;ccedil;os p&amp;uacute;blicos de lazer e contempla&amp;ccedil;&amp;atilde;o e seriam conectados entre si por &amp;ldquo;arcos&amp;rdquo;: vias arborizadas, rios urbanos, ciclovias e parques lineares.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O desenho final previa a implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o por etapas. A prioridade foi dada aos parques pr&amp;oacute;ximos a comunidades de baixa renda, de modo a criar novas possibilidades de gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de renda a partir de potencialidades locais, presentes nas comunidades do entorno imediato. Tamb&amp;eacute;m foram priorizados os parques localizados em &amp;aacute;reas de risco.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Assim, podem contribuir para mitigar os efeitos dos fen&amp;ocirc;menos ambientais cada vez mais frequentes e extremos, compondo espa&amp;ccedil;os para absorver poss&amp;iacute;veis inunda&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;br /&gt;Ap&amp;oacute;s a etapa de investiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o, um grupo de trabalho com a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de t&amp;eacute;cnicos municipais foi institu&amp;iacute;do e focou os esfor&amp;ccedil;os iniciais na troca de experi&amp;ecirc;ncias sobre a gest&amp;atilde;o das &amp;aacute;reas verdes.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Independente da implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o total da Rede, alguns munic&amp;iacute;pios executaram projetos de parques alinhados aos princ&amp;iacute;pios estabelecidos pelo estudo. No entanto, desta forma, se enfraquece a perspectiva de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma consci&amp;ecirc;ncia de solidariedade metropolitana.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O desenvolvimento territorial pleno deve ocorrer em todas as suas dimens&amp;otilde;es: sociais, culturais, ecol&amp;oacute;gicas, espaciais e econ&amp;ocirc;micas, garantindo um ambiente ecologicamente equilibrado e qualidade de vida daqueles que usam e permanecem no local. O direito coletivo &amp;agrave; cidade contempla as condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de moradia, transporte, lazer, sa&amp;uacute;de e seguran&amp;ccedil;a, que tamb&amp;eacute;m significa o direito de usufruir dos espa&amp;ccedil;os p&amp;uacute;blicos em sua plenitude.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o mais equilibrada de &amp;aacute;reas verdes pelo territ&amp;oacute;rio metropolitano pode contribuir para a redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das desigualdades socioespaciais e preparar as cidades para as mudan&amp;ccedil;as ambientais em curso. Os estudos est&amp;atilde;o prontos, &amp;agrave; disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos gestores metropolitanos.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Latussa Bianca Laranja Monteiro&amp;nbsp;Doutora em Arquitetura e Urbanismo, Professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFES e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Bruno Casotti Louzada&amp;nbsp;&amp;eacute; doutorando em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU-UFES), Coordenador de Geoprocessamento do IJSN e pesquisador do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Julia Curto Uliana&amp;nbsp;&amp;eacute; doutoranda em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU-UFES) e bolsista pesquisadora do Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description></channel></rss>