<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><rss version="2.0"><channel><title>Artigo - Universalização do saneamento básico deve ser prioridade para a garantia da Justiça Ambiental </title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-universalizacao-do-saneamento-basico-deve-ser-prioridade-para-a-garantia-da-justica-ambiental</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Karlla Cristina Gaiba Rebuli e&amp;nbsp;Sandra Mara Pereira&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;O acesso ao saneamento b&amp;aacute;sico &amp;eacute; marcado por desigualdades. As regi&amp;otilde;es mais pobres, em n&amp;iacute;vel federal, estadual ou municipal, ainda sofrem com a falta ou com o atendimento prec&amp;aacute;rio desse servi&amp;ccedil;o. Por ser indispens&amp;aacute;vel para a qualidade de vida, muitos s&amp;atilde;o os debates em torno da necessidade de universalizar o saneamento b&amp;aacute;sico. Diante disso, a Organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das Na&amp;ccedil;&amp;otilde;es Unidas (ONU) definiu o Objetivo de Desenvolvimento Sustent&amp;aacute;vel 06 &amp;ndash; ODS 06, que busca assegurar a disponibilidade e a gest&amp;atilde;o sustent&amp;aacute;vel da &amp;aacute;gua e saneamento para todos, com o objetivo de universalizar esse servi&amp;ccedil;o. O Brasil enquanto pa&amp;iacute;s signat&amp;aacute;rio deve criar estrat&amp;eacute;gias para cumprir esse objetivo at&amp;eacute; 2030, como preveem as metas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Apesar de alguns avan&amp;ccedil;os, ainda &amp;eacute; necess&amp;aacute;ria muita caminhada. &amp;Eacute; recente o arcabou&amp;ccedil;o legal do saneamento b&amp;aacute;sico, institu&amp;iacute;do pela Lei n&amp;ordm; 11.445 em 2007 e atualizado pela Lei n&amp;ordm; 14.026/2020, a qual gerou intensos debates entre especialistas diversos. O principal ponto &amp;eacute; a tend&amp;ecirc;ncia neoliberal da lei, o que se configura como um problema levando em conta que os servi&amp;ccedil;os de saneamento b&amp;aacute;sico, por serem indispens&amp;aacute;veis &amp;agrave; vida e &amp;agrave; dignidade humana, n&amp;atilde;o podem ser ofertados a partir da l&amp;oacute;gica capitalista de lucro. Muitas regi&amp;otilde;es que sofrem com a vulnerabilidade socioambiental, onde a pobreza e a extrema pobreza se fazem presentes no cotidiano da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o, correm o risco de n&amp;atilde;o receberem o servi&amp;ccedil;o, caso as empresas que ofertam o abastecimento de &amp;aacute;gua e esgotamento sanit&amp;aacute;rio decidam n&amp;atilde;o atuar nessas regi&amp;otilde;es, por n&amp;atilde;o possu&amp;iacute;rem viabilidade econ&amp;ocirc;mica. A preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; sobretudo por causa do incentivo &amp;agrave; participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da iniciativa privada, em detrimento da atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o estatal, embasado por um discurso neoliberal de esvaziamento da a&amp;ccedil;&amp;atilde;o do estado.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Na Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; RMGV, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&amp;iacute;lios Cont&amp;iacute;nua - PNAD-C mostram que 97,73% da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o residente em domic&amp;iacute;lios particulares tinha acesso ao abastecimento de &amp;aacute;gua, e 88,43% ao esgotamento sanit&amp;aacute;rio (PNAD-C/IBGE, 2022).Um levantamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Esp&amp;iacute;rito Santo &amp;ndash; TCEES mostrou que cerca de 15,3% de toda a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Esp&amp;iacute;rito Santo n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m acesso &amp;agrave; &amp;aacute;gua tratada, e 39,5% n&amp;atilde;o possuem servi&amp;ccedil;o de coleta de esgoto em suas resid&amp;ecirc;ncias&lt;a href="#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. &amp;Eacute; um n&amp;uacute;mero alto de pessoas que n&amp;atilde;o acessam servi&amp;ccedil;os b&amp;aacute;sicos para a sobreviv&amp;ecirc;ncia.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Mortes por v&amp;iacute;rus e bact&amp;eacute;rias&lt;a href="#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; podem ser evitadas com uma rede esgoto adequada e com um sistema de abastecimento de &amp;aacute;gua, em quantidade e qualidade. Negar esse servi&amp;ccedil;o &amp;eacute; negar o direito humano de habitar um ambiente ecologicamente equilibrado, garantido constitucionalmente. Em um contexto de altas temperaturas, &amp;eacute; indispens&amp;aacute;vel que a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o tenha &amp;aacute;gua para a garantia da vida.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Universalizar o saneamento b&amp;aacute;sico &amp;eacute; urgente, e o primeiro passo &amp;eacute; reconhecer as assimetrias regionais e mapear essas &amp;aacute;reas de vulnerabilidades socioambientais, para que as pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas possam ser constru&amp;iacute;das de forma a dirimir as desigualdades e garantir a Justi&amp;ccedil;a Ambiental - assegurando que nenhum grupo sofrer&amp;aacute; de forma desproporcional a degrada&amp;ccedil;&amp;atilde;o do espa&amp;ccedil;o coletivo, por motivos &amp;eacute;tnicos, raciais e de classe, e que ter&amp;atilde;o seus direitos assegurados pelo estado, independente da sua capacidade financeira de adquirir ou n&amp;atilde;o certos servi&amp;ccedil;os, apenas pela sua condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ser humano.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Dispon&amp;iacute;vel em: &amp;lt;&lt;span&gt;&lt;a href="https://www.tcees.tc.br/com-cerca-de-16-milhao-de-capixabas-sem-coleta-de-esgoto-e-628-mil-sem-agua-tratada-es-ainda-tem-desafio-para-cumprir-metas-da-universalizacao/"&gt;https://www.tcees.tc.br/com-cerca-de-16-milhao-de-capixabas-sem-coleta-de-esgoto-e-628-mil-sem-agua-tratada-es-ainda-tem-desafio-para-cumprir-metas-da-universalizacao/&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&amp;gt;. Acesso em: 22/11/2023.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Problemas de sa&amp;uacute;de como a disenteria e doen&amp;ccedil;a de Chagas, entre outras, poderiam ser evitadas com o aumento da cobertura e com a qualidade dos servi&amp;ccedil;os de saneamento.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Karlla Cristina Gaiba Rebuli&amp;nbsp;&amp;eacute; pesquisadora do IJSN; mestra em Ci&amp;ecirc;ncias Sociais pela UFES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sandra Mara Pereira&amp;nbsp;&amp;eacute; especialista em Pol&amp;iacute;ticas P&amp;uacute;blicas e Gest&amp;atilde;o Governamental (EPPGG) do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e doutora em Ci&amp;ecirc;ncias Sociais da UFES.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description></channel></rss>