<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><rss version="2.0"><channel><title>Artigo - Perspectivas da mobilidade na RMGV: sustentabilidade e direito à cidade</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/artigo-perspectivas-da-mobilidade-na-rmgv-sustentabilidade-e-direito-a-cidade</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Damiany Nossa, Mariana Rodrigues e Pablo Lira&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;Na medida que as cidades crescem aumenta a sua complexidade espacial e a dos seus fluxos. Como consequ&amp;ecirc;ncia, a mobilidade se torna pe&amp;ccedil;a-chave da gest&amp;atilde;o e do planejamento urbano, n&amp;atilde;o apenas com a finalidade de satisfazer demandas, mas tamb&amp;eacute;m como um instrumento promotor do Direito &amp;agrave; Cidade &amp;ndash; ao promover acesso equitativo aos servi&amp;ccedil;os e equipamentos de trabalho, lazer e sa&amp;uacute;de. A integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o mobilidade-sustentabilidade vem se tornando uma prioridade global, com o uso de diversas solu&amp;ccedil;&amp;otilde;es para reduzir os impactos socioambientais dos deslocamentos nas cidades.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;J&amp;aacute; na escala metropolitana, deve-se superar um novo desafio &amp;ndash; a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o na gest&amp;atilde;o metropolitana e, como resultado dessa, uma elabora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de estudos e planos integrados nessa escala territorial. Nesse &amp;acirc;mbito, a Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (RMGV) tem como refer&amp;ecirc;ncia o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI), que trata a mobilidade em um dos seus eixos tem&amp;aacute;ticos, e sugere como proposta a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um Plano de Mobilidade Metropolitana.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Apesar de ainda n&amp;atilde;o ter sido consolidado o PMM, algumas das propostas no &amp;acirc;mbito da modalidade do PDUI foram realizadas, al&amp;eacute;m de outras que est&amp;atilde;o alinhadas aos seus princ&amp;iacute;pios, como a retomada do modal aquavi&amp;aacute;rio, a amplia&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Terceira Ponte em tr&amp;ecirc;s faixas, o uso de faixas exclusivas para transporte p&amp;uacute;blico, a ciclovia interligando Vila Velha e Vit&amp;oacute;ria, o Complexo Vi&amp;aacute;rio de Carapina, a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o tarif&amp;aacute;ria e a implanta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do bilhete &amp;uacute;nico metropolitano.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;N&amp;atilde;o se pode negar que tais a&amp;ccedil;&amp;otilde;es s&amp;atilde;o essenciais para uma melhoria geral da mobilidade da RMGV, mesmo quando aplicadas independentemente de um Plano Metropolitano de Mobilidade, contribuindo nas dimens&amp;otilde;es da sustentabilidade socioecon&amp;ocirc;mica, ao propor a diminui&amp;ccedil;&amp;atilde;o do tr&amp;acirc;nsito e a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o tarif&amp;aacute;ria; e ambiental, ao valorizar a mobilidade ativa e m&amp;eacute;todos de menor emiss&amp;atilde;o de gases de efeito estufa e de energia renov&amp;aacute;vel.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Uma das quest&amp;otilde;es a se levantar &amp;eacute; o quanto essas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es se interconectam e permitem interioriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e continuidade fora dos gargalos &amp;ndash; de modo a abranger zonas lim&amp;iacute;trofes da RMGV. Sendo assim, &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio monitorar e avaliar os impactos dessas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es no territ&amp;oacute;rio al&amp;eacute;m dos fluxos &amp;ndash; entendendo a complexidade territorial nos sentidos sociais e qualitativos. A partir disso, cabe-nos questionar como atrelar as estrat&amp;eacute;gias de otimiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de fluxos com o ordenamento territorial metropolitano?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A RMGV atualmente concentra 49,06% da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Esp&amp;iacute;rito Santo (IBGE, 2022); Vit&amp;oacute;ria &amp;eacute; o munic&amp;iacute;pio atrator da regi&amp;atilde;o, concentrando a maioria dos destinos de deslocamentos di&amp;aacute;rios para trabalho e estudo (2014, Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles). Quando analisados os fatores hist&amp;oacute;ricos, geomorfol&amp;oacute;gicos e econ&amp;ocirc;micos da sua forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o e urbaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;ndash; que ocorre de modo difuso, conduzindo a uma distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o espacial desigual &amp;ndash; nota-se que as &amp;aacute;reas de maior concentra&amp;ccedil;&amp;atilde;o de renda tamb&amp;eacute;m concentram maior diversidade de uso do solo e servi&amp;ccedil;os.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Al&amp;eacute;m disso, a comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o vi&amp;aacute;ria respons&amp;aacute;vel por permitir os movimentos pendulares entre Vit&amp;oacute;ria e seus munic&amp;iacute;pios vizinhos ao norte (Serra), ao sul (Vila Velha) e a oeste (Cariacica) concentra-se em poucas vias de acesso (Segunda, Terceira e as Cinco Pontes, BR101 e Av. Norte Sul).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;No ponto de vista estruturante, as alternativas de otimiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos escoamentos dessas vias e o desafogamento dos j&amp;aacute; estabelecidos gargalos s&amp;atilde;o necess&amp;aacute;rias, e de antem&amp;atilde;o, com o retorno do aquavi&amp;aacute;rio, s&amp;atilde;o retomadas as vias de acesso mar&amp;iacute;timas, otimizando os escoamentos e estimulando redes intermodais, que somente funcionam com a integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o tarif&amp;aacute;ria tamb&amp;eacute;m j&amp;aacute; aplicada. No ponto de vista social, tais alternativas atuam na redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o das desigualdades sociais. Mas seriam essas alternativas suficientes?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Para entender o qu&amp;atilde;o efetivas s&amp;atilde;o as a&amp;ccedil;&amp;otilde;es, ressalta-se a import&amp;acirc;ncia de definir e implementar indicadores que analisem os impactos dessas a&amp;ccedil;&amp;otilde;es na mobilidade em rede e na escala metropolitana, englobando as vari&amp;aacute;veis sociais, ambientais e econ&amp;ocirc;micas. E, mais importante, devemos pensar em modos de subverter a organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos espa&amp;ccedil;os, hoje predominantemente hier&amp;aacute;rquica e escorada em desigualdades socioecon&amp;ocirc;micas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Um dos grandes desafios na RMGV &amp;eacute; promover a policentralidade, atuando na promo&amp;ccedil;&amp;atilde;o de equidade e, consequentemente, reduzindo a necessidade e os impactos de grandes deslocamentos pendulares, principalmente da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o vulner&amp;aacute;vel socioeconomicamente.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Damiany Farina Nossa&amp;nbsp;&amp;eacute;&amp;nbsp;(Mestre em Arquitetura e Urbanismo e Pesquisadora do INCT/Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Mariana Paim Rodrigues&amp;nbsp;&amp;eacute; (doutoranda em Arquitetura e Urbanismo, coordenadora dos Estudos Territoriais do IJSN, vice-coordenadora e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Pablo Silva Lira&amp;nbsp;&amp;eacute;&amp;nbsp;(doutor em Geografia, Diretor-Geral do IJSN, coordenador regional e pesquisador do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description></channel></rss>