<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><rss version="2.0"><channel><title>Artigo - Moradia digna: o que podem os municípios?</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/compartilhar-Moradia-digna-o-que-podem-os-municipios</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Latussa Monteiro , Bruno Louzada e Liziane Jorge&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&amp;Eacute; comum que se aponte a import&amp;acirc;ncia da moradia digna para a qualidade de vida em uma sociedade. As desigualdades sociais est&amp;atilde;o expressas na ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do espa&amp;ccedil;o e s&amp;atilde;o determinadas pela inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o urbana e pela localiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das moradias no territ&amp;oacute;rio. Fatores como saneamento, mobilidade, seguran&amp;ccedil;a p&amp;uacute;blica, acesso aos servi&amp;ccedil;os e equipamentos p&amp;uacute;blicos, e predisposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao risco s&amp;atilde;o claramente determinados pela localiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o das moradias. A moradia &amp;eacute; a fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o urbana que ocupa a maior parte das cidades. Como o munic&amp;iacute;pio pode lidar com a complexidade do tema e responder &amp;agrave; compet&amp;ecirc;ncia constitucional da gest&amp;atilde;o local na garantia de condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es para a cidadania plena?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A an&amp;aacute;lise do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria do Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles apontou que a metropoliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Grande Vit&amp;oacute;ria ocorreu em um cen&amp;aacute;rio de crescimento populacional impulsionado pela industrializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e pelo &amp;ecirc;xodo rural. Ao longo das d&amp;eacute;cadas de atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Banco Nacional de Habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o (BNH), os conjuntos habitacionais de interesse social e de mercado econ&amp;ocirc;mico ajudaram a formar novas &amp;aacute;reas de expans&amp;atilde;o. Estas &amp;aacute;reas foram gradativamente se aproximando dos n&amp;uacute;cleos iniciais por meio da ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos espa&amp;ccedil;os vazios, na maioria dos casos por meio da autoconstru&amp;ccedil;&amp;atilde;o, incluindo &amp;aacute;reas ambientalmente fr&amp;aacute;geis: topos de morros, v&amp;aacute;rzeas e margens de rios.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Em anos mais recentes e em conjuntura econ&amp;ocirc;mica nacional marcada pela desindustrializa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e financeiriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos mercados imobili&amp;aacute;rios, outra a&amp;ccedil;&amp;atilde;o estatal de provis&amp;atilde;o de moradia, o Programa Minha Casa Minha Vida, entregou aproximadamente 50 mil unidades na Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (RMGV), segundo dados do Minist&amp;eacute;rio de Desenvolvimento Regional. A Faixa 1, destinada &amp;agrave;queles de menor renda, constituiu apenas 5,8% de todas as unidades entregues pelo PMCMV e, mais importante, localizadas nas franjas das cidades. A falta de cidade plena ao redor desses empreendimentos impacta na aus&amp;ecirc;ncia de oportunidades pr&amp;oacute;ximas de emprego e renda, o que acarreta longos per&amp;iacute;odos de deslocamento casa-trabalho, isolamento de estratos da sociedade, incluindo idosos, crian&amp;ccedil;as e jovens. Por outro lado, a valoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o extrema de algumas &amp;aacute;reas, sobretudo Vit&amp;oacute;ria e partes de Vila Velha e de Serra, afasta a possibilidade de aluguel como alternativa para habitar melhores localiza&amp;ccedil;&amp;otilde;es metropolitanas. O gasto excessivo com aluguel urbano, ou seja, acima de 30% da renda domiciliar em fam&amp;iacute;lias com renda de at&amp;eacute; 3 sal&amp;aacute;rios-m&amp;iacute;nimos, &amp;eacute; o principal componente do d&amp;eacute;ficit habitacional na regi&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Complementar a infraestrutura f&amp;iacute;sica e de servi&amp;ccedil;os p&amp;uacute;blicos &amp;eacute; uma obriga&amp;ccedil;&amp;atilde;o, pois a dignidade da moradia vai al&amp;eacute;m dos limites da casa. Planejar a ocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos espa&amp;ccedil;os vazios cabe aos munic&amp;iacute;pios, por meio da efetiva&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mecanismos do Plano Diretor Municipal, o PDM, para garantir a todos condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es de exercer o direito &amp;agrave; cidade.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;As urbaniza&amp;ccedil;&amp;otilde;es de favelas e comunidades, por outro lado, possibilitam o reconhecimento da dimens&amp;atilde;o socioecon&amp;ocirc;mica presente nesses espa&amp;ccedil;os. Respeitam, assim, o investimento de d&amp;eacute;cadas na constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de resid&amp;ecirc;ncias e la&amp;ccedil;os de solidariedade e, n&amp;atilde;o raro, uma rede robusta de empreendimentos geradores de renda.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Outra atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; a possibilidade de cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de novas oportunidades habitacionais em im&amp;oacute;veis vazios e ociosos, em meio &amp;agrave; cidade existente. A a&amp;ccedil;&amp;atilde;o pode ser ben&amp;eacute;fica em reativar &amp;aacute;reas infraestruturadas, que sofram perda de residentes, para fazer frente, pela via da qualidade, &amp;agrave; constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de unidades em empreendimentos unicamente residenciais e perif&amp;eacute;ricos. O novo Minha Casa Minha Vida contempla a&amp;ccedil;&amp;otilde;es nesse sentido, conhecidas popularmente como &amp;ldquo;&lt;em&gt;retrofit&lt;/em&gt;&amp;rdquo;. O Esp&amp;iacute;rito Santo, segundo os dados do Censo 2022, disp&amp;otilde;e de pouco mais de 220 mil domic&amp;iacute;lios vagos, sendo quase 100 mil na RMGV. Para se ter uma ideia, em 2021, o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), com base no Cad&amp;Uacute;nico, contabilizou um total de 102.105 fam&amp;iacute;lias em d&amp;eacute;ficit habitacional na Regi&amp;atilde;o Metropolitana.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Seja pela via da urbaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, seja pela da reabilita&amp;ccedil;&amp;atilde;o de im&amp;oacute;veis ociosos, bons exemplos em d&amp;eacute;cadas passadas foram executados na RMGV e devem ser avaliados, redesenhados e retomados, com aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; vida humana, &amp;agrave; an&amp;aacute;lise de riscos e ao aproveitamento das infraestruturas existentes.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Latussa Bianca Laranja Monteiro&amp;nbsp;&amp;eacute; Doutora em Planejamento Urbano e Regional, Professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFES e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Bruno Casotti Louzada&amp;nbsp;&amp;eacute;&amp;nbsp;Mestre em Arquitetura e Urbanismo, Coordenador de Geoprocessamento do IJSN e pesquisador do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria &amp;ndash; Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Liziane de Oliveira Jorge&amp;nbsp;&amp;eacute;&amp;nbsp;Doutora em Arquitetura e Urbanismo, Professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de P&amp;oacute;s-Gradua&amp;ccedil;&amp;atilde;o em Arquitetura e Urbanismo, UFES).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description></channel></rss>