<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><rss version="2.0"><channel><title>Artigo - Aporofobia: é preciso romper com essa perspectiva</title><link>https://ijsn.es.gov.br:443/observatorios/observatorio-das-metropoles/artigos/aporofobia-e-preciso-romper-com-essa-perspectiva</link><description>&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Por Sandra Mara Pereira e Karlla Rebuli&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Pol&amp;iacute;ticas p&amp;uacute;blicas na perspectiva dos Direitos Humanos exigem uma reflex&amp;atilde;o sobre quem n&amp;oacute;s consideramos realmente dignos de humanidade. Essa indaga&amp;ccedil;&amp;atilde;o certamente relaciona-se com o conceito de &amp;ldquo;aporofobia&amp;rdquo;. Termo que tem sido usado com frequ&amp;ecirc;ncia e refere-se a um neologismo de origem grega (&lt;em&gt;&amp;aacute;poros&lt;/em&gt;, sem recursos, pobre; e &lt;em&gt;fobos&lt;/em&gt;, medo), cujo significado &amp;eacute; rejei&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou repulsa &amp;agrave;s pessoas pobres e &amp;agrave; pobreza. Tal repulsa parece conduzir a uma desumaniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de determinados sujeitos sociais, como as pessoas em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de rua (PSR).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Uma decis&amp;atilde;o recente do Supremo Tribunal Federal, expressa por meio da ADPF 976 (Argui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Descumprimento de Preceito Fundamental) e referendada em 21 de agosto de 2023, nos informa que, apesar da Pol&amp;iacute;tica Nacional para a Popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o em Situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Rua (Decreto n&amp;ordm; 7.053, de 23 de dezembro de 2009), este segmento ainda vivencia um estado permanente de inconstitucionalidade.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Segundo estimativas do Instituto de Pesquisa Econ&amp;ocirc;mica Aplicada (IPEA), houve um aumento das PSR de 211% entre os anos de 2012 e 2022. Somente entre 2019 e 2022, per&amp;iacute;odo que inclui a pandemia de Covid-19, o aumento estimado foi de 35%. No entanto, a oferta de servi&amp;ccedil;os n&amp;atilde;o acompanha este crescimento. &lt;span style="text-decoration: line-through;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Segundo a Ag&amp;ecirc;ncia Senado, a Comiss&amp;atilde;o de Assuntos Econ&amp;ocirc;micos (CAE) aprovou, no dia 12/09/2023, o projeto de lei (PL) 1.635/2022, que cria o Estatuto da Popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o em Situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Rua. O projeto segue para a Comiss&amp;atilde;o de Direitos Humanos (CDH). O Estatuto prop&amp;otilde;e a&amp;ccedil;&amp;otilde;es b&amp;aacute;sicas como vedar o recolhimento for&amp;ccedil;ado dos pertences e a remo&amp;ccedil;&amp;atilde;o e o transporte compuls&amp;oacute;rio das popula&amp;ccedil;&amp;otilde;es em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de rua, prop&amp;otilde;e ainda a garantia de acesso &amp;agrave; alimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o gratuita, &amp;agrave; &amp;aacute;gua pot&amp;aacute;vel, a itens de higiene b&amp;aacute;sica e a banheiros p&amp;uacute;blicos, com vistas &amp;agrave; promo&amp;ccedil;&amp;atilde;o da dignidade b&amp;aacute;sica dessas pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Segundo dados do Cad&amp;Uacute;nico de 2022, no Esp&amp;iacute;rito Santo havia 2.012 pessoas em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de rua e, desse total, 61,8% estavam na regi&amp;atilde;o metropolitana (1.244 pessoas). &amp;Eacute; preciso pensar a metr&amp;oacute;pole capixaba, a partir do direito &amp;agrave; cidade, como um desafio hist&amp;oacute;rico e atual para a afirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o da cidadania e da dignidade humana para todas as pessoas. O fen&amp;ocirc;meno da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de rua &amp;eacute; uma quest&amp;atilde;o social diretamente relacionada ao espa&amp;ccedil;o urbano e deve, portanto, encontrar solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o alinhada &amp;agrave; gest&amp;atilde;o deste espa&amp;ccedil;o.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Cabe-nos perguntar, como os Planos de Habita&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Interesse Social dos munic&amp;iacute;pios da Regi&amp;atilde;o Metropolitana da Grande Vit&amp;oacute;ria (RMGV) t&amp;ecirc;m incorporado as pessoas em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de rua?&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Sabemos que o direito &amp;agrave; moradia digna &amp;eacute; reconhecido em diversos documentos internacionais relativos aos direitos humanos, assim como pelo ordenamento jur&amp;iacute;dico brasileiro, como um direito humano fundamental.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o em situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de rua deveria ser um sujeito central para a formula&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessas pol&amp;iacute;ticas porque tal segmento tem como caracter&amp;iacute;stica importante de sua constitui&amp;ccedil;&amp;atilde;o social a aus&amp;ecirc;ncia ou a extrema dificuldade de acesso a uma moradia privada.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;At&amp;eacute; quando vamos fechar, convenientemente, os olhos para esses sujeitos sociais que merecem cidadania como qualquer outro irm&amp;atilde;o ou irm&amp;atilde; em humanidade?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Sandra Mara Pereira &amp;eacute; doutoranda em Ci&amp;ecirc;ncias Sociais e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria - Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Karlla Rebuli &amp;eacute; mestra em Ci&amp;ecirc;ncias Sociais e pesquisadora do N&amp;uacute;cleo Vit&amp;oacute;ria - Observat&amp;oacute;rio das Metr&amp;oacute;poles/IJSN&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description></channel></rss>