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Juventudes negras no ES: desafios das desigualdades raciais e sociais são tema de estudo do IJSN

 

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Juventudes Negras no ES: desigualdades perpetuadas, múltiplas faces e uma raiz comum. Este é o tema da oitava edição do Caderno da Juventude, lançado pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). Cerca de 22% da população do Espírito Santo são jovens. Desses, mais de 66% são negros.

O caderno traz dados sobre esta parcela da população, além de um histórico sobre o tema, com o objetivo de contribuir para a reflexão sobre a juventude no Estado, sempre buscando aprofundar temas que sejam relevantes para os jovens. A série histórica dos cadernos está disponível no site do IJSN (www.ijsn.es.gov.br) e já abordou temas como educação, mercado de trabalho, cicloativismo, entre outros.
Sobre a oitava edição, a coordenadora de Estudos Sociais do IJSN, Sandra Mara Pereira, explica que "precisamos olhar esta história para fazermos as reflexões necessárias” sobre as juventudes negras, “no plural porque há uma diversidade enorme delas”, ressalta.

Entre os maiores desafios levantadas, ela aponta a desigualdade racial que afeta a vida deste segmento populacional. “Raça não é um conceito biológico, mas sim sociológico, ligado a relações de poder, conflitos, sejam eles implícitos ou explícitos. O racismo surge quando atributos morais e intelectuais são associados a características físicas ou biológicas. Estamos falando de um problema que, embora seja antigo, ainda é muito atual e intenso. Temos uma trajetória enorme a percorrer para o enfrentamento a esta realidade", pondera.

A vice-governadora, Jaqueline Moraes, assistiu à apresentação do caderno do IJSN, realizada em evento online, e argumentou que o racismo está estruturado na vida brasileira e seus efeitos podem ser notados por meio dos índices de desigualdades sociais e raciais. “Ele funciona como um mecanismo definidor do lugar social de cada um. O que se percebe é que os comportamentos do período colonial escravista foram colocados em prática novamente e com violações de direitos humanos que dilaceram e reforçam os efeitos negativos sobre essas populações. A emancipação dos negros passa, além das questões econômicas; ela envolve questões culturais, políticas e até de valores”, falou.

E foi taxativa ao defender o fim dos problemas raciais. “Só é possível mudar tudo isto através de políticas públicas qualificadas, da organização social e da resistência das comunidades. Pra isto, é preciso fortalecer o povo preto, bem como assegurar sua participação em todas as esferas de poder. E este é o meu papel enquanto mulher, e negra e de periferia e, também, meu papel no exercício da vice-governadoria do Espirito Santo”, disse ela.

Entre os principais resultados do estudo é possível observar que os jovens negros vivem em condições subalternas marcadas pela pobreza, baixa escolaridade, trabalhos precarizados, baixos salários e pelo alto índice de homicídios.

“Os recortes de gênero, raça, orientação sexual e classe social são dimensões que não podem ser negligenciadas na formulação e implementação de políticas públicas voltadas para a juventude negra. É fundamental reconhecer o papel dos próprios jovens enquanto sujeitos ativos nesse processo de negação dessa realidade perversa que os acomete. Historicamente, a morte tem sido um algoz da juventude negra, no entanto, eles querem é viver e por isso, constroem alternativas a essa situação”, destaca a pesquisadora do IJSN e autora do estudo, Thalita Matias Gonçalves.

A gerente de Políticas de Promoção de Igualdade Racial da Secretaria de Direitos Humanos do ES (SEDH), Edinéia Conceição de Oliveira, exaltou a importância da discussão do tema: “Sabemos que a juventude negra é um grupo muito vulnerável, mas um debate como esse, com esses atores e trazendo essas contribuições vem para proporcionar um novo olhar, com uma nova perspectiva. Isso permite que as discussões resultem em proposições, que culminarão em políticas públicas, que gerarão mudança nesse cenário, ainda que a médio prazo”.

“É impossível pensar em qualquer tipo de política pública para a juventude negra sem ouvi-la, sem construir isso junto com ela. E esse momento (o estudo do IJSN) fortalece e vem como trampolim para a concretização dessa perspectiva”, finalizou Edinéia.

O diretor-presidente do IJSN, Pablo Lira, falou sobre a importância do conhecimento empírico na condução das respostas necessárias ao tema, destacando ser este o papel do Instituto. “A academia e a produção científica têm de andar em paralelo e de forma coordenada com o que está sendo desenvolvido em termos de políticas públicas. O Instituto Jones se coloca como contribuinte para este debate tão relevante para a sociedade e para a condução das políticas públicas do Estado do Espírito Santo. Nosso foco é justamente subsidiar esse diálogo e a construção de soluções para o desenvolvimento social e humano capixabas”, finalizou ele.

Leia a íntegra do Caderno “Juventudes Negras no ES: desigualdades perpetuadas, múltiplas faces e uma raiz comum”

 

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